Com a ampliação do programa de incentivos fiscais às montadoras de carros, promovido pelo Governo Federal, as locadoras também serão contempladas. No entanto, o coordenador dos cursos automotivos da Faculdade Getúlio Vargas (FGV), Antonio Jorge Martins, faz um alerta.
Ele ressalta que a medida é a curto prazo, o que pode não solucionar o problema dos estoques acumulados de carros. A demanda segue em alta por conta do poder de compra do brasileiro.
Mesmo com os descontos, os preços dos automóveis ainda são pouco acessíveis para a população, que não tem condições de realizar a compra.
Encarecimento dos automóveis
O especialista afirma que, na última década, os carros vêm acompanhados de sistemas tecnológicos de última geração e mais recursos de segurança. Portanto, esses itens elevam o preço dos carros.
O que também não proporciona um cenário favorável para as vendas é o salário dos consumidores, que não aumenta o suficiente para acompanhar o encarecimento do produto.
No entanto, esse não é um movimento apenas do mercado de automóveis. Antonio exemplifica por meio das televisões. Os modelos mais atuais permitem mais recursos, como acesso à internet e aplicativos de streaming, por isso ficam mais caros.
Como consequência, a parcela de compradores com condições de ter esse tipo de televisão diminui, o que aumenta os estoques. Da mesma forma, isso acontece também no mercado de automóveis.
Fim dos “carros populares”
Outro fator que gera a alta demanda é o fim dos preços populares dos veículos. No início do século, era comum ver carros novos vendidos a R$ 30 mil.
Com as implementações das montadoras, o preço mais em conta dos produtos desse tipo está na faixa de R$ 60 mil. “Era outro tipo de produto, que hoje não existe mais”, pontua Antonio Jorge.
Ele finaliza destacando o cenário dinâmico do atual mercado, principalmente a partir dos anos 2000, momento no qual há mais tecnologia presente nos carros:
“Tenho um grande número de companhias que efetivamente possuem uma cultura analógica e outra que, de forma geral, já nasceram sob a ótica digital. Estas que nasceram sob a ótica digital têm muitas dificuldades culturais de se adaptarem a uma nova realidade de mercado, que é o fato de que, hoje, o setor se torna muito mais dinâmico do que era há 100 anos ou do que vem sendo”.
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