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Exportação de carne bovina do Brasil para os EUA recua 60% após pico em abril

Exportação de carne bovina brasileira para os EUA cai 60% após aumento de tarifas; setor enfrenta maior retração desde abril.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
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A exportação de carne bovina in natura do Brasil para os Estados Unidos registrou forte retração nos últimos meses de 2025. Após um pico histórico em abril, com 47.836 toneladas embarcadas, o setor sofreu uma queda acentuada motivada principalmente pelo aumento das tarifas impostas pelo governo norte-americano.

Em junho, os envios recuaram para 18.232 toneladas, e, até o dia 21 de julho, o volume havia encolhido para 9.745 toneladas — uma redução de 60% em relação ao auge.

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O impacto das tarifas na exportação brasileira

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Imagem: EyeEm – Freepik

Entenda a estrutura tarifária

Segundo os dados compilados pela Associação Brasileira da Indústria de Carne (Abiec), com base em informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o aumento das tarifas aplicado pelos Estados Unidos tem afetado diretamente a competitividade da carne brasileira no mercado internacional.

Tradicionalmente, o Brasil pode exportar até 65 mil toneladas de carne bovina por ano aos EUA sem a incidência de tarifas, graças a um acordo bilateral. No entanto, essa cota é geralmente preenchida ainda no primeiro trimestre do ano. A partir daí, as exportações passam a ser tributadas com uma taxa de 26,4%.

Em abril, o ex-presidente e atual candidato Donald Trump impôs um adicional de 10 pontos percentuais a todas as importações oriundas do Brasil, elevando a tarifa efetiva para 36,4%. E, para agosto, Trump anunciou nova medida que elevará esse percentual para 50%. Na prática, isso pode significar uma alíquota total de 76,4% sobre a carne brasileira vendida acima da cota.

Abril registrou recorde, mas cenário mudou

tarifa trump carne bovina
Imagem: Freepik

O recorde de abril refletia uma janela de oportunidade momentânea: a isenção tarifária ainda estava sendo aproveitada, e o real relativamente desvalorizado impulsionava a competitividade dos produtos brasileiros. No entanto, o anúncio do aumento tarifário no mesmo mês mudou drasticamente as projeções do setor.

Relatórios do Ministério da Agricultura indicam que, embora abril tenha registrado 44.164 toneladas embarcadas (número ligeiramente abaixo do divulgado pela Abiec, devido a diferenças metodológicas), junho já mostrava retração para 13.454 toneladas. As previsões para julho e agosto são ainda mais conservadoras.

“A alta nas tarifas deixou a carne brasileira praticamente inviável no mercado norte-americano, fora da cota isenta. A maioria dos frigoríficos está redirecionando os embarques para Ásia e Oriente Médio”, afirmou um analista da Abiec sob condição de anonimato.

Primeiro semestre foi o maior da história

Apesar da queda recente, o acumulado do primeiro semestre de 2025 mostra números expressivos. O Brasil exportou 156 mil toneladas de carne bovina in natura aos EUA — o maior volume registrado desde o início da série histórica do governo federal, em 1997.

O bom desempenho no início do ano mascarou, momentaneamente, os impactos da nova política tarifária, que agora se tornam visíveis. O temor do setor é que as medidas mais duras programadas para agosto desestruturem de vez o fluxo comercial com os Estados Unidos.

Reação do setor e alternativas de mercado

Frigoríficos avaliam redirecionamento de produção

Diante da escalada tarifária, grandes frigoríficos brasileiros já começaram a mudar suas estratégias. Exportações para China, Emirados Árabes e Indonésia vêm sendo priorizadas. A Ásia, que já representa cerca de 60% do volume exportado de carne bovina brasileira, deve ganhar ainda mais espaço.

A Marfrig e a JBS, dois dos maiores grupos do setor, estão em processo de renegociação de contratos e readequação logística. O objetivo é evitar perdas e escoar a produção para mercados mais vantajosos.

Governo busca diálogo com Washington

Nos bastidores, o Itamaraty e o Ministério da Agricultura têm tentado negociar com autoridades americanas para reverter ou mitigar o impacto das novas tarifas. Segundo fontes diplomáticas, o argumento brasileiro é que as medidas ferem princípios básicos da Organização Mundial do Comércio (OMC) e podem representar retaliação comercial indevida.

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No entanto, com a proximidade das eleições presidenciais nos EUA e o uso de medidas protecionistas como bandeira de campanha, analistas avaliam que a chance de reversão a curto prazo é baixa.

“É uma ação claramente eleitoral e nacionalista. Para o Brasil, o momento exige reposicionamento estratégico e diversificação de mercados”, avalia o economista Paulo Tavares, da FGV Agro.

Consequências para o produtor brasileiro

Pressão sobre preços internos

Com a retração das exportações para os EUA, parte da produção antes destinada ao exterior permanece no mercado doméstico. Isso tem provocado queda nos preços pagos ao produtor, especialmente em estados exportadores como Mato Grosso, Goiás e Tocantins.

Risco de desemprego no setor

A diminuição do ritmo de produção voltada à exportação também acende o alerta sobre possíveis desligamentos nas indústrias frigoríficas. O setor de carnes é um dos maiores empregadores da agroindústria nacional, e movimentos abruptos como o atual podem gerar impactos na ponta do emprego.

Perspectivas para o segundo semestre

O futuro das exportações de carne bovina para os Estados Unidos dependerá da manutenção — ou não — do tarifaço imposto pela gestão Trump. Caso a alíquota de 76,4% entre em vigor de forma permanente, especialistas avaliam que o Brasil poderá praticamente sair do mercado norte-americano fora da cota isenta, abrindo espaço para concorrentes como Austrália e México.

Enquanto isso, o desafio do setor é manter os níveis de produção e encontrar alternativas comerciais que compensem a perda de um de seus maiores compradores.

Imagem: Mark Stebnicki / pexels.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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