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Exportações de café especial aos EUA despencam quase 80% após tarifaço

Exportações de café especial caem quase 80% após tarifaço nos EUA. Entenda impactos para produtores e consumidores. Saiba mais agora.

Avatar de Fernanda Ramos Fernanda Ramos · · 4 min de leitura
café china L'or abic

As exportações de café especial brasileiro para os Estados Unidos sofreram uma queda histórica em agosto de 2025. Após a implementação da tarifa de 50% sobre o produto, a venda de grãos premium ao mercado norte-americano caiu quase 80%, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

No período, o Brasil embarcou apenas 21,7 mil sacas, um volume drasticamente inferior ao registrado em 2024. Esse cenário expõe um desafio para a cadeia produtiva, já que os EUA eram até então o principal destino do café especial brasileiro.

Leia mais: Preço do café cai pelo segundo mês, mas alta se aproxima

EUA deixam de ser líderes na compra de café especial

Até julho, os Estados Unidos ocupavam a liderança nas importações. Com a nova tarifa, o país caiu para a sexta posição no ranking, sendo superado por Holanda, Alemanha, Bélgica, Itália e Suécia.

  • Holanda: 62 mil sacas
  • Alemanha: 50,4 mil sacas
  • Bélgica: 46 mil sacas
  • Itália: 39,9 mil sacas
  • Suécia: 29,3 mil sacas

Esse deslocamento no pódio evidencia a dificuldade de manter negócios com o mercado americano diante de custos adicionais que inviabilizam contratos.

Café especial mais caro para os americanos

Café pilão
Imagem: Cristoph / Pixabay

De acordo com Carmem Lucia Chaves de Brito, presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), a taxação impacta não apenas produtores brasileiros, mas também consumidores nos EUA.

“Já observamos elevação no preço do café à população americana, gerando inflação à economia do país. Isso é uma pena, pois afetará o maior mercado consumidor global”, destacou.

Ou seja, além de enfraquecer a relação comercial consolidada, o tarifaço também pressiona a economia norte-americana, que depende fortemente da importação do grão brasileiro.

Exportações de café especial e o cenário macroeconômico

No geral, o Brasil exportou 3,14 milhões de sacas de 60 kg em agosto de 2025, uma queda de 17,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Curiosamente, a receita cambial subiu 12,7% e alcançou US$ 1,1 bilhão, impulsionada pela valorização dos preços.

Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, afirmou que a retração já era esperada. Segundo ele, o país vinha de um ciclo de exportações recordes em 2024, aliado a uma safra de 2025 menos produtiva. A tarifação dos EUA apenas agravou o recuo.

Mudança no ranking global de importadores

Com os EUA perdendo espaço, a Alemanha assumiu a liderança nas compras do café brasileiro em agosto, com 414 mil sacas importadas. Os americanos ainda aparecem em segundo lugar, com 301 mil sacas — volume fruto de contratos assinados antes do tarifaço.

Confira os cinco maiores compradores no acumulado do ano:

  1. Estados Unidos – 4,03 milhões de sacas
  2. Alemanha – 3 milhões de sacas
  3. Itália – 1,98 milhão de sacas
  4. Japão – 1,67 milhão de sacas
  5. Bélgica – 1,51 milhão de sacas

Apesar da queda, os EUA seguem na liderança acumulada de 2025, mas analistas alertam que a posição pode mudar caso a tarifa se mantenha.

Consequências do tarifaço para produtores e mercado

A situação traz um alerta importante para os produtores brasileiros. As exportações de café especial dependem de contratos firmados com estabilidade e previsibilidade. A barreira tarifária pode comprometer:

  • A renda dos agricultores que investem em cafés premium.
  • A reputação do Brasil como principal fornecedor mundial.
  • O equilíbrio do mercado, que pode migrar para outros destinos.

Para os consumidores americanos, a consequência é clara: o café ficará mais caro e a inflação tende a aumentar, já que não há substituto imediato para o café especial brasileiro.

Café especial brasileiro segue valorizado no mundo

Mesmo diante dos obstáculos, o café especial brasileiro mantém prestígio global. Sua qualidade diferenciada, colheita manual e grãos selecionados continuam sendo referência para mercados exigentes.

Analistas acreditam que, caso o tarifaço se mantenha, países europeus e asiáticos devem ampliar sua participação no consumo, ocupando o espaço deixado pelos EUA.

Estratégias para driblar os efeitos

Especialistas apontam que a diversificação de mercados pode ser uma saída para os exportadores. Investir em acordos com países da União Europeia e ampliar relações com a Ásia são estratégias já discutidas por entidades do setor.

Além disso, iniciativas de certificação, rastreabilidade e promoção internacional podem reforçar o valor agregado do café brasileiro, garantindo competitividade mesmo diante de barreiras comerciais.

O que esperar do futuro?

Café tarifaço
Imagem: Mark Daynes / Unsplash

O cenário ainda é incerto. Caso os EUA mantenham a tarifa de 50%, o Brasil pode consolidar novas parcerias internacionais, reduzindo sua dependência do mercado americano.

Por outro lado, se houver uma revisão da política tarifária, as exportações podem se recuperar rapidamente, dada a forte demanda por cafés especiais no país.

Com informações de: CNN Brasil

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