As exportações de café especial brasileiro para os Estados Unidos sofreram uma queda histórica em agosto de 2025. Após a implementação da tarifa de 50% sobre o produto, a venda de grãos premium ao mercado norte-americano caiu quase 80%, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Exportações de café especial aos EUA despencam quase 80% após tarifaço
Exportações de café especial caem quase 80% após tarifaço nos EUA. Entenda impactos para produtores e consumidores. Saiba mais agora.
No período, o Brasil embarcou apenas 21,7 mil sacas, um volume drasticamente inferior ao registrado em 2024. Esse cenário expõe um desafio para a cadeia produtiva, já que os EUA eram até então o principal destino do café especial brasileiro.
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EUA deixam de ser líderes na compra de café especial
Até julho, os Estados Unidos ocupavam a liderança nas importações. Com a nova tarifa, o país caiu para a sexta posição no ranking, sendo superado por Holanda, Alemanha, Bélgica, Itália e Suécia.
- Holanda: 62 mil sacas
- Alemanha: 50,4 mil sacas
- Bélgica: 46 mil sacas
- Itália: 39,9 mil sacas
- Suécia: 29,3 mil sacas
Esse deslocamento no pódio evidencia a dificuldade de manter negócios com o mercado americano diante de custos adicionais que inviabilizam contratos.
Café especial mais caro para os americanos

De acordo com Carmem Lucia Chaves de Brito, presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), a taxação impacta não apenas produtores brasileiros, mas também consumidores nos EUA.
“Já observamos elevação no preço do café à população americana, gerando inflação à economia do país. Isso é uma pena, pois afetará o maior mercado consumidor global”, destacou.
Ou seja, além de enfraquecer a relação comercial consolidada, o tarifaço também pressiona a economia norte-americana, que depende fortemente da importação do grão brasileiro.
Exportações de café especial e o cenário macroeconômico
No geral, o Brasil exportou 3,14 milhões de sacas de 60 kg em agosto de 2025, uma queda de 17,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Curiosamente, a receita cambial subiu 12,7% e alcançou US$ 1,1 bilhão, impulsionada pela valorização dos preços.
Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, afirmou que a retração já era esperada. Segundo ele, o país vinha de um ciclo de exportações recordes em 2024, aliado a uma safra de 2025 menos produtiva. A tarifação dos EUA apenas agravou o recuo.
Mudança no ranking global de importadores
Com os EUA perdendo espaço, a Alemanha assumiu a liderança nas compras do café brasileiro em agosto, com 414 mil sacas importadas. Os americanos ainda aparecem em segundo lugar, com 301 mil sacas — volume fruto de contratos assinados antes do tarifaço.
Confira os cinco maiores compradores no acumulado do ano:
- Estados Unidos – 4,03 milhões de sacas
- Alemanha – 3 milhões de sacas
- Itália – 1,98 milhão de sacas
- Japão – 1,67 milhão de sacas
- Bélgica – 1,51 milhão de sacas
Apesar da queda, os EUA seguem na liderança acumulada de 2025, mas analistas alertam que a posição pode mudar caso a tarifa se mantenha.
Consequências do tarifaço para produtores e mercado
A situação traz um alerta importante para os produtores brasileiros. As exportações de café especial dependem de contratos firmados com estabilidade e previsibilidade. A barreira tarifária pode comprometer:
- A renda dos agricultores que investem em cafés premium.
- A reputação do Brasil como principal fornecedor mundial.
- O equilíbrio do mercado, que pode migrar para outros destinos.
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Para os consumidores americanos, a consequência é clara: o café ficará mais caro e a inflação tende a aumentar, já que não há substituto imediato para o café especial brasileiro.
Café especial brasileiro segue valorizado no mundo
Mesmo diante dos obstáculos, o café especial brasileiro mantém prestígio global. Sua qualidade diferenciada, colheita manual e grãos selecionados continuam sendo referência para mercados exigentes.
Analistas acreditam que, caso o tarifaço se mantenha, países europeus e asiáticos devem ampliar sua participação no consumo, ocupando o espaço deixado pelos EUA.
Estratégias para driblar os efeitos
Especialistas apontam que a diversificação de mercados pode ser uma saída para os exportadores. Investir em acordos com países da União Europeia e ampliar relações com a Ásia são estratégias já discutidas por entidades do setor.
Além disso, iniciativas de certificação, rastreabilidade e promoção internacional podem reforçar o valor agregado do café brasileiro, garantindo competitividade mesmo diante de barreiras comerciais.
O que esperar do futuro?

O cenário ainda é incerto. Caso os EUA mantenham a tarifa de 50%, o Brasil pode consolidar novas parcerias internacionais, reduzindo sua dependência do mercado americano.
Por outro lado, se houver uma revisão da política tarifária, as exportações podem se recuperar rapidamente, dada a forte demanda por cafés especiais no país.
Com informações de: CNN Brasil
