A imposição de uma tarifaço de 50% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros — com exceção de itens como carnes — gerou forte reação do setor agroexportador nacional. Na quarta-feira (30.jul.2025), o presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), Roberto Perosa, afirmou que o Governo Federal deve anunciar uma linha de crédito específica para compensar os impactos da medida americana.
Abiec afirma que governo federal deve oferecer linha de crédito a frigoríficos pelo tarifaço
Setor de carnes pede linha de crédito ao governo Lula após tarifaço de 50% imposta pelos EUA; prejuízo pode chegar a US$ 1 bilhão em 2025
A declaração foi feita em Brasília, onde Perosa tinha uma reunião marcada com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. O encontro acabou cancelado após a confirmação oficial da tarifa pelos EUA.
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Tarifaço atinge em cheio a carne brasileira

Os Estados Unidos anunciaram o chamado “tarifaço” com uma série de isenções para produtos agrícolas, mas carnes bovinas e suínas ficaram de fora. Isso afeta diretamente o setor brasileiro, que tem os EUA como segundo maior comprador de carne bovina do Brasil, atrás apenas da China.
Segundo Perosa, a expectativa é de que as perdas cheguem a US$ 1 bilhão apenas em 2025, primeiro ano de vigência da nova política tarifária americana.
“Temos a necessidade para financiar as exportações. Isso ainda está sendo avaliado pela equipe do governo. Estará possivelmente dentro das medidas a serem anunciadas”, declarou Perosa.
Dificuldade de reposicionar exportações
A rápida readequação do destino das exportações não é viável, segundo o dirigente da Abiec. Realocar a carne que seria vendida aos Estados Unidos para outros países esbarra em obstáculos logísticos e de precificação.
“Uma parte foca no mercado interno, outra parte fica em outros destinos, mas com dificuldade de preços e de logística”, destacou o executivo.
A reorientação para o mercado interno pode, num primeiro momento, gerar maior oferta e contribuir para uma redução no preço da carne ao consumidor brasileiro, como apontou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. No entanto, Perosa alerta que essa dinâmica pode resultar em consequências adversas para toda a cadeia produtiva.
Efeitos negativos para a cadeia produtiva
Apesar de reconhecer que o aumento da oferta no mercado interno pode baixar os preços, Roberto Perosa alerta que esse movimento pode desorganizar a cadeia produtiva de carne no Brasil.
“Essa é uma coisa que pode acontecer, a queda de preço. Mas que pode ser muito prejudicial à cadeia como um todo. Pode causar um desarranjo, a perda de rentabilidade aos pecuaristas, aos frigoríficos, e pode diminuir a produção de carne”, afirmou.
O receio é que os produtores sejam forçados a reduzir suas atividades, o que poderia comprometer o fornecimento futuro e enfraquecer o setor no longo prazo.
Governo avalia linha de crédito emergencial
Diante do impacto financeiro projetado, o setor pressiona o Palácio do Planalto a criar uma linha emergencial de crédito, com condições facilitadas para exportadores de carne. Embora ainda não haja anúncio oficial, a expectativa é de que o pacote de medidas para mitigar os efeitos do tarifaço seja divulgado nos próximos dias.
Geraldo Alckmin, vice-presidente e interlocutor direto do setor industrial com o governo, teria sinalizado positivamente à proposta.
Segundo Perosa, a intenção é garantir que as empresas exportadoras tenham acesso a capital de giro e a instrumentos que permitam manter as operações mesmo com a queda nas vendas internacionais.
Lula e Haddad mantêm canal diplomático aberto

Enquanto o setor empresarial cobra medidas internas, o Governo Federal tenta manter um canal aberto com Washington. A estratégia defendida por Haddad e por membros do Itamaraty é evitar retaliações, privilegiando a via diplomática e apostando em uma eventual reavaliação da medida por parte dos Estados Unidos.
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Apesar da postura mais protecionista do governo Trump, Brasília aposta na pressão internacional e nos fóruns multilaterais para tentar suavizar os efeitos da medida tarifária.
Impacto econômico preocupa exportadores
A decisão do governo americano de elevar tarifas é parte de uma política mais ampla de proteção à indústria nacional e já atingiu outros setores brasileiros, como o de aço e alumínio. No caso da carne, a medida é considerada particularmente danosa, por envolver um produto perecível e altamente dependente de acordos logísticos com prazos curtos.
A estimativa de perda de US$ 1 bilhão em apenas um ano acende um alerta para o Ministério da Agricultura e para o BNDES, que pode ser acionado para operacionalizar as linhas de crédito em estudo.
Futuro incerto para exportações de carne
Enquanto aguarda uma resposta concreta do governo, o setor de carnes enfrenta um cenário desafiador. Sem os Estados Unidos como destino seguro e sem garantias de reposição de mercado, a sustentabilidade de frigoríficos exportadores e produtores de grande porte fica em xeque.
A possibilidade de redução na produção também pode gerar demissões no setor, sobretudo em regiões interioranas do país, onde a atividade pecuária tem peso relevante na economia local.
“É um cenário de muita incerteza. O crédito é uma necessidade urgente, mas também precisamos garantir a continuidade do diálogo com os Estados Unidos”, reforçou Roberto Perosa.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
Com Informações de: Poder360

