Nos últimos anos, o debate sobre a proteção de dados pessoais ganhou destaque no Brasil, especialmente com a crescente digitalização das relações comerciais. Nesse contexto, o senador Rogério Carvalho (PT-SE) apresentou uma proposta de lei (PL 3.419/2024) que visa restringir práticas abusivas de farmácias e drogarias.
Farmácias e drogarias podem ser proibidas de pedir dados pessoais para dar desconto
Senador Rogério Carvalho apresenta projeto que proíbe farmácias de exigir dados pessoais para descontos, visando proteger a privacidade do consumidor
O projeto proíbe esses estabelecimentos de exigirem dados pessoais, como CPF e e-mail, para conceder descontos aos consumidores. Em muitas farmácias do Brasil, a prática de condicionar descontos à apresentação de dados pessoais tornou-se comum.
Essa abordagem, além de gerar desconforto entre os consumidores, levanta questões sobre privacidade e segurança da informação. Organizações de defesa do consumidor, como o Procon e o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), têm se manifestado contra essa prática, considerando-a abusiva e potencialmente discriminatória.
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As Implicações do Uso Indevido de Dados
De acordo com o senador Carvalho, a coleta excessiva de dados pode resultar em sérias violações de privacidade. As informações coletadas muitas vezes são compartilhadas com terceiros sem o consentimento explícito dos consumidores, levantando preocupações sobre como esses dados são utilizados.
A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) já identificou diversas irregularidades no setor farmacêutico, o que reforça a necessidade de uma regulamentação mais rigorosa.

Detalhes da Proposta
Proibições Estabelecidas
O projeto de lei apresentado pelo senador Rogério Carvalho altera o Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078, de 1990) e estabelece várias proibições:
- Exigência de Dados para Descontos: Farmácias e drogarias não poderão exigir dados pessoais como condição para conceder descontos;
- Proibição de Compartilhamento: Os dados coletados não poderão ser compartilhados com terceiros, incluindo operadoras de planos de saúde, sem o conhecimento do consumidor;
- Uso Restrito dos Dados: Os dados pessoais coletados não poderão ser utilizados para finalidades não relacionadas à assistência farmacêutica.
Descontos de Programas de Fidelidade
É importante ressaltar que as proibições estabelecidas pelo projeto não se aplicam aos descontos oferecidos diretamente por laboratórios farmacêuticos em programas de fidelidade. Nesses casos, os consumidores têm a opção de fornecer seus dados pessoais em troca de benefícios reais, e essa prática não infringiria as novas regras propostas.
O Caminho da Proposta
Trâmites Legislativos
Após sua apresentação, o projeto está aguardando a designação de um relator na Comissão de Comunicação e Direito Digital (CCDD). Se aprovado, ele seguirá para a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e, por fim, para a Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor (CTFC).
O futuro do projeto dependerá da mobilização das entidades de defesa do consumidor e da pressão da sociedade civil.
Repercussão e Opinião Pública
Apoio de Entidades
A proposta de Rogério Carvalho tem recebido apoio de diversas organizações que lutam pela proteção dos direitos dos consumidores. O Idec, por exemplo, já se posicionou favoravelmente, enfatizando a importância de regulamentar a coleta e uso de dados pessoais no setor farmacêutico.
Vozes Críticas
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Por outro lado, alguns representantes do setor farmacêutico expressam preocupação de que a proibição de exigir dados pessoais possa impactar a viabilidade econômica das farmácias. Eles argumentam que, sem a coleta de informações, será mais difícil oferecer descontos competitivos e implementar programas de fidelidade que beneficiem os consumidores.
O Papel da Proteção de Dados
A Importância da Lei Geral de Proteção de Dados
A proposta de Carvalho está alinhada com os princípios da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que entrou em vigor em 2020 e estabelece diretrizes claras sobre como as informações pessoais devem ser tratadas. A LGPD busca garantir que os consumidores tenham controle sobre seus dados e que as empresas sejam responsabilizadas por práticas inadequadas.
O Impacto na Relação entre Consumidor e Farmácias
Com a implementação de regras mais rígidas, espera-se que a relação entre consumidores e farmácias se torne mais transparente e justa. A proteção dos dados pessoais é essencial para restabelecer a confiança do consumidor, que muitas vezes se sente inseguro em fornecer informações pessoais em troca de descontos.

Considerações Finais
A proposta de proibição de exigência de dados pessoais para descontos em farmácias e drogarias representa um avanço significativo na proteção dos direitos dos consumidores. Com o crescente foco em privacidade e segurança da informação, é fundamental que a legislação acompanhe as mudanças nas práticas comerciais.
O projeto de lei de Rogério Carvalho tem o potencial de transformar a forma como os consumidores interagem com farmácias e drogarias, assegurando que a privacidade dos dados seja respeitada. À medida que a proposta avança nas comissões do Senado, a expectativa é que mais vozes se juntem ao debate, promovendo uma discussão saudável sobre o equilíbrio entre o incentivo ao consumo e a proteção da privacidade.
Imagem: i viewfinder / shutterstock.com
