O setor bancário brasileiro vive uma transformação estrutural profunda, com fechamentos de agências físicas em ritmo acelerado por parte de instituições como Bradesco e Itaú. O movimento, justificado pelos bancos como parte da digitalização de serviços financeiros, tem provocado críticas de sindicatos, clientes e especialistas em inclusão digital.
Bradesco anuncia fechamento em várias regiões: entenda o motivo!
Bradesco e Itaú fecham agências, ampliam serviços digitais e enfrentam críticas por excluir idosos e moradores rurais.
Segundo os bancos, a medida é motivada pela baixa movimentação nas agências e pela adesão crescente aos canais digitais, como aplicativos e internet banking. No entanto, os impactos dessa reestruturação vão muito além da eficiência financeira.
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Bradesco lidera fechamento de agências e cortes de pessoal
Demissões em ritmo alarmante
O Bradesco, um dos maiores bancos privados do país, tem liderado o processo de redução de agências físicas. De acordo com levantamento de entidades sindicais, 2.466 funcionários foram demitidos apenas entre janeiro e julho de 2025, representando uma média de quase 12 desligamentos por dia.
Além disso, dezenas de agências foram fechadas em cidades de todos os estados, muitas delas em municípios onde o Bradesco era a única presença bancária física.
Cidades pequenas e regiões rurais mais afetadas
Moradores de cidades do interior e áreas rurais estão entre os mais prejudicados, uma vez que passam a depender de postos bancários distantes ou correspondentes bancários com serviços limitados.
Itaú segue o mesmo caminho com reestruturações
Fechamentos em grandes centros urbanos
O Itaú Unibanco, por sua vez, também tem implementado encerramentos de agências. Um caso recente é o de Salvador, onde três unidades foram fechadas de forma simultânea, gerando filas e insatisfação entre os clientes.
Aposta total nos canais digitais
O banco afirma que a digitalização dos serviços é irreversível, e que mais de 90% das transações já ocorrem por meio de aplicativos ou internet banking, especialmente via Pix, que consolidou-se como o principal meio de pagamento no país.
Febraban: dados que reforçam o discurso da digitalização

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) apoia a tese de que o futuro dos bancos está nos canais digitais. Segundo levantamento da entidade:
- Em 2023, mais de 70% das transações bancárias foram realizadas por dispositivos móveis;
- O Pix representou 41% dos pagamentos feitos no país;
- A frequência de acesso aos aplicativos bancários cresceu mais de 30% em dois anos.
Esses dados, segundo a Febraban, justificam o desinvestimento em estruturas físicas pouco demandadas, classificadas como financeiramente inviáveis.
Impacto social: exclusão digital e precarização do trabalho
Sindicatos criticam “falsa modernização”
Sindicatos dos bancários acusam os bancos de promoverem uma “falsa modernização”, que serve para encobrir demissões em massa e fragilização do direito ao atendimento bancário presencial.
Declaração do Sindicato dos Bancários de São Paulo:
“O discurso de modernidade não pode ser usado como desculpa para abandonar idosos, pessoas analfabetas digitais ou com deficiência. O banco não é um aplicativo, é um serviço essencial à população”, afirma a entidade.
Demissões sem realocação
As promessas de realocação de funcionários, segundo os sindicatos, raramente se concretizam. Muitos dos trabalhadores desligados relatam que os treinamentos para migração para áreas digitais não ocorrem, e a dispensa acaba sendo a única alternativa oferecida.
Quem mais sofre com o fim das agências físicas?
Idosos e analfabetos digitais
A geração que cresceu acostumada com o relacionamento bancário presencial sofre com os novos modelos de atendimento. Idosos frequentemente enfrentam dificuldades com senhas, leitura em telas pequenas e navegação em aplicativos complexos.
Populações rurais
Em áreas rurais e cidades pequenas, o acesso à internet é instável ou inexistente, tornando os canais digitais praticamente inutilizáveis. Nesses casos, o fechamento da agência mais próxima pode representar uma viagem de até 100 km para realizar operações simples, como sacar o salário ou tirar um extrato.
Pessoas com deficiência
Aplicativos bancários, apesar de avançarem em acessibilidade, ainda não atendem de forma eficiente usuários com deficiência visual ou motora, tornando o atendimento presencial essencial para garantir inclusão plena.
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O papel do Banco Central e do governo
Fiscalização e regulação limitada
O Banco Central do Brasil permite que os bancos fechem agências desde que avisem com antecedência, mas não exige manutenção de unidades em regiões sem alternativa bancária.
Projetos de lei tramitam no Congresso
Deputados e senadores já apresentaram projetos que obrigam a manutenção de atendimento presencial mínimo em cidades sem concorrência bancária. As propostas buscam proteger populações vulneráveis da exclusão financeira.
Alternativas tecnológicas que não substituem o atendimento humano
Correspondentes bancários
Os correspondentes bancários (como lotéricas e lojas credenciadas) oferecem serviços básicos, como:
- Saques;
- Pagamento de contas;
- Depósitos.
No entanto, não realizam serviços mais complexos, como renegociação de dívidas, abertura de contas empresariais ou empréstimos específicos.
Assistentes virtuais e atendimento via chatbot
Os bancos têm investido em inteligência artificial e chatbots, mas o suporte ainda apresenta limitações em situações que exigem sensibilidade humana ou maior compreensão do problema.
A transformação digital é inevitável, mas precisa ser inclusiva

Equilíbrio entre eficiência e inclusão
Especialistas em inovação e inclusão digital defendem que a transformação digital não pode abandonar os mais vulneráveis. A transição precisa ser feita de maneira gradual, planejada e acompanhada de educação digital, especialmente para idosos e moradores de regiões com pouco acesso à tecnologia.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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