O acesso ao crédito para trabalhadores informais e beneficiários do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) que mantêm seus pagamentos em dia ganhou uma nova estrutura de garantia com a utilização do Fundo Garantidor de Operações (FGO).
FGO dará garantia às operações do Desenrola Adimplentes, diz governo
Fundo Garantidor de Operações (FGO) será usado para garantir crédito mais barato a informais e beneficiários do Fies que pagam em dia.
O mecanismo, abastecido com recursos públicos, será responsável por reduzir riscos para as instituições financeiras que participarem das novas linhas de crédito criadas pelo governo federal dentro do Desenrola Adimplentes e do Fies Empreendedor.
A estratégia busca facilitar a liberação de empréstimos com juros menores para um público que, apesar de manter um histórico positivo de pagamento, costuma enfrentar dificuldades para conseguir financiamento em condições mais favoráveis.
Segundo o governo, o FGO funcionará como uma proteção para possíveis perdas das instituições financeiras em casos de inadimplência, permitindo maior segurança para a oferta dos novos créditos.
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Como o FGO será utilizado no Desenrola Adimplentes
O Fundo Garantidor de Operações terá papel central na implementação do Desenrola Adimplentes. A ferramenta será utilizada para cobrir parte das perdas que possam ocorrer nas operações de crédito concedidas pelo programa.
A regra anunciada prevê que o fundo cubra 50% das primeiras perdas da carteira de crédito. Para cada operação individual do Desenrola Adimplentes, haverá garantia integral conforme os critérios estabelecidos pelo programa.
Na prática, o funcionamento ocorre da seguinte forma:
- o banco concede o crédito ao trabalhador;
- caso haja inadimplência, a instituição realiza a cobrança;
- se a dívida não for recuperada, o FGO pode ser acionado para cobrir o valor garantido.
Esse modelo reduz o risco para os bancos e aumenta a possibilidade de oferta de crédito para consumidores que normalmente têm menos acesso a linhas com juros reduzidos.
Fundo não receberá novos aportes para financiar programa
Apesar da criação das novas linhas de crédito, o governo informou que não será necessário realizar novos aportes no FGO neste momento.
Segundo o Ministério do Planejamento, os recursos necessários para garantir as operações já estão disponíveis dentro do patrimônio do fundo.
A estrutura financeira do FGO é formada principalmente por recursos públicos e aportes realizados por instituições como:
- Tesouro Nacional;
- Banco do Brasil;
- Caixa Econômica Federal;
- Banco do Nordeste.
O fundo funciona como um instrumento de política econômica para estimular o acesso ao crédito e apoiar programas voltados ao desenvolvimento e geração de renda.
Patrimônio do FGO supera R$ 35 bilhões
O Fundo Garantidor de Operações possui uma estrutura financeira robusta. Conforme o último balanço patrimonial divulgado, o patrimônio líquido do fundo alcançava cerca de R$ 35,4 bilhões no fim de 2024.
Do total registrado:
- aproximadamente R$ 8,6 bilhões estavam disponíveis em caixa;
- cerca de R$ 35 bilhões estavam aplicados em instrumentos financeiros;
- aproximadamente R$ 1,7 bilhão correspondia a outros créditos.
Esses recursos permitem que o fundo seja utilizado como mecanismo de segurança em diferentes programas de crédito do governo.
FGO já garante outros programas de financiamento
O Fundo Garantidor de Operações não foi criado exclusivamente para o Desenrola Adimplentes.
Instituído em 2009 e administrado pelo Banco do Brasil, o FGO já participa de outras iniciativas voltadas ao incentivo econômico, como:
- Pronampe;
- Acredita no Primeiro Passo;
- Procred 360.
Cada programa possui regras específicas e públicos diferentes, mas todos têm como objetivo ampliar o acesso ao financiamento e estimular atividades produtivas.
Histórico do FGO em programas de renegociação de dívidas
O fundo também teve participação no antigo Desenrola Brasil, programa lançado anteriormente pelo governo para renegociação de dívidas de consumidores negativados.
Na ocasião, o Ministério da Fazenda destinou recursos para garantir operações do programa. A União chegou a autorizar a utilização de até R$ 5 bilhões para cobrir eventuais perdas.
Agora, para o Desenrola Adimplentes, o governo prevê recursos da ordem de R$ 4 bilhões para apoiar a nova modalidade voltada aos consumidores que continuam pagando suas obrigações.
Inadimplência será um dos principais pontos monitorados
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A utilização do FGO está diretamente ligada ao risco de inadimplência das operações.
Quando um consumidor deixa de pagar um financiamento garantido pelo fundo, o banco precisa seguir os procedimentos de cobrança antes de solicitar a cobertura prevista.
Na primeira edição do Desenrola, os dados divulgados pelo governo indicaram uma inadimplência de 2,77% entre 2023 e 2024, considerando mais de 44 milhões de participantes que aderiram ao programa.
O desempenho dessas operações será um dos fatores observados para avaliar a sustentabilidade das novas linhas de crédito.
Desenrola Adimplentes oferece juros menores para informais
O Desenrola Adimplentes foi criado para trabalhadores informais que possuem histórico de pagamento positivo, mas costumam contratar crédito com taxas elevadas.
A iniciativa atende pessoas que:
- não possuem vínculo formal pela CLT;
- não são servidores públicos;
- não recebem aposentadoria ou pensão do INSS;
- possuem empréstimos em andamento com pagamentos regulares.
A linha prevê juros máximos de 1,99% ao mês, uma taxa inferior a muitas modalidades tradicionais de crédito pessoal disponíveis no mercado.
O objetivo é permitir que trabalhadores autônomos, pequenos prestadores de serviços e outros profissionais sem carteira assinada tenham acesso a financiamento com condições mais equilibradas.
Fies Empreendedor cria linha de crédito para recém-formados

Outra medida associada ao pacote é o Fies Empreendedor, voltado para beneficiários do financiamento estudantil que estão com os pagamentos em dia.
A proposta busca incentivar que recém-formados possam abrir ou expandir negócios próprios.
A modalidade oferece:
- crédito de até R$ 80 mil para pessoas físicas;
- até R$ 180 mil para empresas;
- juros de 0,87% ao mês;
- prazo de pagamento de até 60 meses para pessoas físicas;
- até 96 meses para empresas;
- carência de até seis meses.
O programa não representa perdão de dívidas antigas do Fies. O foco é oferecer uma nova alternativa de financiamento para quem deseja empreender.
(crédito: Ricardo Stuckert / PR)
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
