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Governo prepara regulamentação do FGTS no crédito consignado

Regulamentação do FGTS como garantia do crédito do trabalhador sai em junho e pode reduzir juros do consignado privado no Brasil.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto··6 min de leitura
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O Governo Federal deve regulamentar em junho de 2026 o uso do FGTS como garantia no programa Crédito do Trabalhador, iniciativa que busca reduzir os juros do crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada. A informação foi confirmada pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, na terça-feira (31 de março de 2026).

O programa foi criado durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva com o objetivo de ampliar o acesso ao crédito mais barato para empregados da iniciativa privada. Apesar de ter sido lançado oficialmente em março de 2025, a utilização do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia ainda dependia de regulamentação técnica.

Com a nova regra, trabalhadores poderão usar parte do saldo do FGTS e a multa rescisória como garantia em operações de crédito consignado, o que tende a reduzir os juros cobrados pelos bancos.

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O que é o crédito do trabalhador

O Crédito do Trabalhador é uma modalidade de empréstimo consignado voltada para trabalhadores com carteira assinada no setor privado. Diferentemente do consignado tradicional, que atende principalmente servidores públicos e aposentados, o programa busca incluir empregados regidos pela CLT.

A proposta central é permitir que as parcelas sejam descontadas diretamente na folha de pagamento, reduzindo o risco de inadimplência e, consequentemente, os juros.

Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, o programa já ultrapassou:

  • R$ 101 bilhões em empréstimos concedidos
  • 17,044 milhões de contratos firmados
  • lançamento oficial em 21 de março de 2025

Os números mostram que a iniciativa ganhou adesão no mercado, mesmo com críticas às taxas de juros registradas ao longo de 2025.

Como o FGTS será usado como garantia

A regulamentação prevista para junho vai permitir que parte do saldo do FGTS seja utilizada como garantia nas operações de crédito consignado.

Percentual do saldo que poderá ser utilizado

A proposta prevê:

  • uso de até 10% do saldo do FGTS como garantia do empréstimo
  • uso de 40% da multa rescisória em caso de demissão sem justa causa

Na prática, isso significa que o banco terá uma segurança maior de recebimento, o que reduz o risco da operação.

Exemplo prático

Imagine um trabalhador com:

  • R$ 8.000 no FGTS
  • salário de R$ 2.500
  • contrato CLT ativo

Com a regulamentação:

  • R$ 800 poderão ser usados como garantia
  • multa rescisória também poderá ser vinculada
  • juros do empréstimo tendem a cair

Com menor risco para o banco, a taxa de juros pode ficar mais próxima do consignado de servidores públicos, que normalmente é mais barato.

Por que a regulamentação demorou

O principal motivo do atraso foi a necessidade de criar um sistema integrado entre bancos, empresas e órgãos públicos.

A operacionalização depende de sistemas desenvolvidos por:

  • Dataprev
  • Serpro

Essas instituições são responsáveis por garantir a conectividade entre:

  • empregadores
  • instituições financeiras
  • sistema do FGTS
  • folha de pagamento
  • base de dados do governo

Sem essa integração, não seria possível garantir segurança nas operações.

Objetivo do governo com a medida

O governo pretende ampliar o acesso ao crédito com juros mais baixos e reduzir a dependência de modalidades mais caras, como:

A estratégia busca estimular o consumo e melhorar a organização financeira dos trabalhadores.

Redução das taxas de juros

O uso do FGTS como garantia deve:

  • reduzir o risco para os bancos
  • aumentar a oferta de crédito
  • melhorar as condições de pagamento
  • diminuir os juros cobrados

Durante 2025, o programa recebeu críticas justamente pelas taxas ainda consideradas elevadas, o que levou o governo a acelerar a regulamentação da garantia com o FGTS.

Quem poderá solicitar o crédito com FGTS como garantia

A medida deve beneficiar principalmente trabalhadores formais do setor privado.

Trabalhadores elegíveis

Devem poder participar:

  • trabalhadores com carteira assinada
  • empregados CLT
  • trabalhadores com saldo no FGTS
  • pessoas com margem consignável disponível

A regulamentação detalhará os critérios finais, incluindo limites de comprometimento da renda.

Impactos esperados no mercado de crédito

Especialistas avaliam que a medida pode provocar mudanças relevantes no sistema financeiro brasileiro.

Maior concorrência entre bancos

Com garantia do FGTS, instituições financeiras terão mais segurança para oferecer crédito, o que pode gerar:

  • aumento da concorrência
  • redução de juros
  • novas ofertas de empréstimo
  • ampliação do crédito consignado privado

Isso pode pressionar o mercado a oferecer condições mais vantajosas aos trabalhadores.

Estímulo ao consumo

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Com crédito mais acessível, a tendência é que trabalhadores possam:

  • quitar dívidas
  • reorganizar finanças
  • investir em bens essenciais
  • movimentar a economia

Esse movimento é visto como importante para o crescimento econômico e para a redução do endividamento das famílias.

Cuidados antes de contratar o crédito do trabalhador

Mesmo com juros menores, especialistas recomendam cautela.

Avaliar a real necessidade

Antes de contratar, o trabalhador deve:

  • verificar o valor das parcelas
  • comparar taxas entre bancos
  • evitar comprometer toda a renda
  • analisar o impacto no orçamento

O crédito consignado é uma ferramenta útil, mas pode se tornar um problema se usado sem planejamento.

Evitar endividamento excessivo

O uso do FGTS como garantia exige responsabilidade, já que parte do saldo ficará vinculada ao empréstimo.

Isso significa que, em caso de demissão, o trabalhador pode ter valores bloqueados para pagamento da dívida.

Quando a nova regra entra em vigor

Segundo o ministro Luiz Marinho, a regulamentação deve ser publicada em junho de 2026.

Após isso:

  • bancos poderão adaptar sistemas
  • empresas integrarão folha de pagamento
  • trabalhadores terão acesso ao novo modelo
  • crédito com FGTS como garantia será liberado gradualmente

A expectativa é que a medida esteja disponível ainda no segundo semestre de 2026.

O que muda para o trabalhador

Com a regulamentação, o Crédito do Trabalhador passa a ter um diferencial importante: garantia real vinculada ao FGTS.

Na prática, o trabalhador terá:

  • mais acesso ao crédito
  • juros potencialmente menores
  • maior oferta de bancos
  • novas opções de financiamento

A medida representa um avanço na política de crédito para empregados da iniciativa privada, que historicamente enfrentam taxas mais altas do que servidores públicos e aposentados.

Conclusão

A regulamentação do FGTS como garantia do Crédito do Trabalhador marca uma nova etapa no acesso ao crédito consignado no Brasil. A iniciativa busca reduzir juros, ampliar a concorrência entre bancos e facilitar o financiamento para milhões de trabalhadores com carteira assinada.

Com mais de R$ 101 bilhões já concedidos desde 2025, o programa mostra força no mercado e tende a se consolidar com a entrada da garantia do FGTS. A expectativa é que a medida torne o crédito mais acessível e seguro, contribuindo para a organização financeira dos trabalhadores e o crescimento da economia.

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