Os trabalhadores brasileiros já podem autorizar o uso de parte do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para renegociar débitos bancários em atraso por meio do Desenrola 2.0. A medida busca ampliar as possibilidades de recuperação financeira das famílias e reduzir o nível de inadimplência no país.
Trabalhadores já podem usar parte do FGTS para pagar dívidas
Trabalhadores já podem usar parte do FGTS para renegociar dívidas pelo Desenrola 2.0. Saiba quem pode participar e como aderir.
A consulta dos valores disponíveis foi liberada pelo governo federal e a expectativa é que a nova modalidade movimente até R$ 8,2 bilhões em renegociações. O mecanismo permite utilizar uma parcela do FGTS para reduzir o valor devido, facilitando acordos com bancos e instituições financeiras.
Diferentemente do saque tradicional, o recurso não é transferido diretamente para o trabalhador. O valor autorizado é encaminhado pela Caixa Econômica Federal ao banco credor após a formalização do acordo.
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Como funciona o uso do FGTS no Desenrola 2.0

A nova etapa do programa foi criada para auxiliar trabalhadores que possuem dívidas bancárias em atraso e enfrentam dificuldades para regularizar sua situação financeira.
Após autorizar a consulta do saldo no aplicativo do FGTS, o trabalhador poderá procurar a instituição financeira onde possui a dívida para negociar as condições de pagamento.
O valor utilizado servirá para reduzir parte do saldo devedor, permitindo condições mais vantajosas de renegociação.
Entre os benefícios anunciados pelo governo estão:
- Descontos que podem chegar a 90% sobre o valor da dívida;
- Taxas de juros limitadas a 1,99% ao mês;
- Parcelamento em até 48 meses;
- Possibilidade de iniciar os pagamentos após um período de carência de até 35 dias.
Quem pode participar do programa
A participação está disponível para trabalhadores com renda mensal de até cinco salários mínimos, atualmente equivalente a R$ 8.105.
Além do limite de renda, é necessário que a dívida:
- Tenha sido contratada até 31 de janeiro de 2026;
- Esteja em atraso por período entre 91 dias e dois anos;
- Seja relacionada a operações bancárias elegíveis.
Dívidas que podem ser renegociadas
O programa contempla algumas das modalidades de crédito mais utilizadas pelos brasileiros, incluindo:
- Cartão de crédito;
- Cheque especial;
- Crédito pessoal (CDC).
Outras linhas de crédito poderão seguir critérios específicos definidos pelas instituições financeiras participantes.
Quanto do FGTS pode ser utilizado
O trabalhador poderá comprometer parte do saldo disponível em suas contas do FGTS para reduzir a dívida.
As regras estabelecem que será possível utilizar:
- Até 20% do saldo disponível no fundo; ou
- Até R$ 1 mil, prevalecendo o valor mais vantajoso para o trabalhador.
Exemplo prático
Imagine um trabalhador que possui R$ 3 mil disponíveis no FGTS.
Nesse caso, 20% do saldo corresponderiam a R$ 600. Como o programa garante a utilização de até R$ 1 mil quando esse valor for superior ao percentual calculado, ele poderá usar R$ 1 mil na renegociação.
Já quem possui R$ 10 mil disponíveis poderá utilizar até R$ 2 mil, pois 20% do saldo supera o limite mínimo garantido.
Contas ativas e inativas entram no cálculo
O sistema considera tanto as contas ativas quanto as inativas do FGTS.
As contas inativas terão prioridade de utilização, preservando parte dos recursos vinculados ao emprego atual sempre que possível.
Como autorizar o uso do FGTS
A autorização é realizada exclusivamente pelo aplicativo oficial do FGTS.
O processo é simples e pode ser concluído em poucos minutos.
Passo a passo para liberar a consulta
- Abra o aplicativo FGTS;
- Faça login utilizando CPF e senha Gov.br;
- Selecione a opção “Novo Desenrola Brasil”;
- Clique em “Continuar”;
- Escolha a opção “Autorizar instituição”;
- Leia as informações sobre a consulta do saldo;
- Clique novamente em “Continuar”;
- Confirme a operação em “Entendi”.
Após a autorização, os bancos poderão consultar os valores disponíveis durante um período de até 90 dias.
O que fazer após a autorização
Concluída a liberação no aplicativo, o trabalhador deverá procurar o banco responsável pela dívida para solicitar a adesão ao programa.
O atendimento poderá ocorrer por canais digitais, centrais telefônicas ou presencialmente nas agências participantes.
Além disso, aproximadamente 10 mil unidades dos Correios poderão receber solicitações relacionadas ao Desenrola 2.0, ampliando o acesso ao programa em todo o país.
O que acontece depois da negociação
Após o acordo ser fechado:
- O banco terá até 30 dias para formalizar o contrato;
- As informações serão registradas junto à Caixa;
- O pagamento será efetuado diretamente à instituição financeira credora;
- O trabalhador passa a cumprir as condições negociadas.
Impactos para quem aderiu ao saque-aniversário

Uma das principais dúvidas envolve os trabalhadores que participam da modalidade saque-aniversário do FGTS.
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Quem utilizar recursos do fundo para renegociar dívidas terá algumas restrições temporárias.
Suspensão temporária do saque-aniversário
Durante o período necessário para recompor o saldo utilizado, o trabalhador ficará impedido de:
- Realizar novos saques-aniversário;
- Contratar novas antecipações vinculadas ao FGTS.
O objetivo é garantir a recomposição dos recursos utilizados na renegociação.
Exemplo de recomposição do saldo
Se uma pessoa possuía R$ 10 mil no FGTS e utilizou R$ 1 mil para quitar parte de uma dívida, o saque-aniversário permanecerá bloqueado até que o saldo volte a atingir os R$ 10 mil.
Por outro lado, contratos antigos de antecipação já firmados continuam seguindo as regras originalmente estabelecidas.
Governo estabelece limite para utilização dos recursos
Para preservar a sustentabilidade financeira do FGTS, o governo definiu um teto global de R$ 8,2 bilhões para a nova modalidade.
Na prática, isso significa que os pedidos serão analisados conforme a ordem de solicitação.
Caso o limite seja alcançado, novas adesões poderão ficar sujeitas à disponibilidade de recursos.
A medida busca equilibrar dois objetivos: ampliar o acesso à renegociação de dívidas e preservar a função social do FGTS, que financia áreas importantes como habitação, saneamento e infraestrutura.
Liberação de recursos para trabalhadores demitidos
Além da novidade envolvendo o Desenrola 2.0, o governo também antecipou a liberação de valores para trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário e foram demitidos sem justa causa entre 2020 e 2025.
A estimativa oficial aponta que cerca de 10,5 milhões de pessoas poderão ser beneficiadas pela medida.
O volume financeiro previsto para essa operação chega a aproximadamente R$ 8,4 bilhões, com depósitos realizados automaticamente nas contas cadastradas pelos trabalhadores no sistema do FGTS.
Durante os dias que antecederam a liberação, alguns usuários relataram alterações temporárias nos saldos exibidos no aplicativo. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, a situação ocorreu devido ao processamento interno necessário para a atualização dos valores.
Vale a pena usar o FGTS para quitar dívidas?
A resposta depende da situação financeira de cada trabalhador. Em muitos casos, utilizar parte do FGTS para reduzir dívidas com juros elevados pode representar uma economia significativa no longo prazo.
Cartões de crédito e cheque especial costumam apresentar algumas das maiores taxas de juros do mercado. Dessa forma, trocar uma dívida cara por um acordo com desconto e juros limitados pode ajudar na reorganização financeira.
Por outro lado, é importante analisar o impacto da suspensão temporária do saque-aniversário e avaliar se a utilização do fundo realmente trará benefícios concretos para o orçamento familiar.
Antes de aderir, especialistas recomendam comparar as condições oferecidas pelo banco, verificar o valor efetivo do desconto e calcular o custo total da renegociação para garantir que o acordo seja vantajoso.
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