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Fintechs e bancos não são rivais — união pode impulsionar o mercado de crédito consignado

A parceria entre bancos e fintechs fortalece o cartão de crédito consignado e promete impulsionar o mercado financeiro brasileiro.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto6 min de leitura
Cartão de crédito

O mercado financeiro brasileiro vive um novo momento de integração. Em vez de se posicionarem como rivais, bancos tradicionais e fintechs têm encontrado na colaboração um caminho estratégico para impulsionar o crédito consignado — especialmente na modalidade de cartão de crédito consignado, que cresce de forma constante entre servidores públicos e beneficiários do INSS.

Com uma estrutura mais rentável e voltada à fidelização de clientes, o produto vem chamando atenção de instituições financeiras que buscam aumentar sua base de correntistas e fortalecer sua presença digital.

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O avanço do cartão de crédito consignado

consignados
Imagem: Sidney de Almeida / Shutterstock – Edição: Seu Crédito Digital

O cartão de crédito consignado ainda é um produto relativamente recente no Brasil, mas vem conquistando espaço de maneira acelerada. Ele é destinado principalmente a servidores públicos, aposentados e pensionistas do INSS, que contam com uma renda fixa mensal.

O modelo funciona de forma híbrida: o beneficiário utiliza o cartão para compras ou saques, e as parcelas são descontadas diretamente na folha de pagamento. Essa característica torna a operação mais segura para o banco e oferece ao cliente taxas de juros menores do que as de um cartão convencional.

De acordo com Amilcar Collares Chaves, diretor da unidade de Crédito da Matera, empresa especializada em infraestrutura tecnológica para o setor financeiro, o interesse pelo produto é crescente:

“Os clientes da Matera que podem oferecer a modalidade têm dado preferência ao cartão consignado em vez do consignado tradicional”, afirma Chaves.


A diferença na margem consignável

Um dos principais fatores que explicam esse avanço é a gestão da margem consignável. Pelas regras atuais, o crédito consignado pode comprometer até 30% do salário, enquanto 5% adicionais são reservados exclusivamente para o cartão consignado — o chamado RMC (Reserva de Margem Consignável).

Essa margem adicional é dividida entre 30% para compras e 70% para saques. Assim, um trabalhador com salário de R$ 1.000 pode destinar R$ 50 para o cartão consignado, sendo R$ 15 para compras e R$ 35 para saques, com os descontos realizados automaticamente na folha.

Na prática, o produto combina características de cartão de crédito e empréstimo pessoal, o que o torna mais flexível e atraente.


Exclusividade e fidelização de clientes

Outra vantagem relevante é a exclusividade. No empréstimo consignado tradicional, diferentes bancos disputam a averbação dos 30% da margem do cliente. Já no caso do cartão consignado, só é permitido um cartão por instituição financeira, o que elimina a concorrência direta e aumenta a fidelização.

Além disso, não existe portabilidade como na modalidade convencional: para trocar de instituição, o cliente precisa quitar totalmente o saldo devedor. Isso cria um relacionamento de longo prazo entre o consumidor e o banco ou fintech que oferece o cartão.

“Com o cartão, a instituição só briga uma vez pelo cliente”, resume Amílcar Collares. Essa característica tem atraído grande interesse de bancos médios, cooperativas de crédito e fintechs, que buscam ampliar a carteira de clientes com menor custo de aquisição e maior previsibilidade de receita.


O papel das fintechs na expansão do consignado

Fintechs
Imagem: Jirsak / Shutterstock

As fintechs, conhecidas pela agilidade e foco em tecnologia, têm se mostrado parceiras essenciais para os bancos tradicionais nesse segmento. Elas oferecem soluções digitais que simplificam a contratação, reduzem a burocracia e tornam o processo mais transparente para o consumidor.

Empresas como a Matera desempenham papel central ao fornecer a infraestrutura tecnológica necessária para que bancos e financeiras operem o produto com segurança. A plataforma da companhia se integra diretamente às averbadoras, responsáveis por controlar a margem consignável, e permite ajustes automáticos conforme mudanças regulatórias.

“Se o governo decidir alterar a proporção entre compras e saques de 30%-70% para 40%-60%, o sistema faz esse ajuste de forma imediata”, explica Amilcar.

Cada instituição, por sua vez, pode personalizar critérios de risco, limites e perfis de crédito, adaptando a operação às suas políticas internas.


Mercado público e perspectivas para o setor privado

Atualmente, o cartão de crédito consignado é concentrado no setor público, sobretudo entre servidores municipais, funcionários federais vinculados ao Siape (Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos) e aposentados do INSS.

O setor privado ainda não aderiu à modalidade, principalmente pelos riscos ligados à rotatividade no emprego e à instabilidade de renda. No entanto, o cenário tende a evoluir.

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Amilcar projeta que, com o amadurecimento do mercado de trabalho formal e a consolidação da tecnologia de gestão de crédito, a expansão para trabalhadores do setor privado será uma realidade nos próximos anos:

“O consignado privado ainda não trabalha com cartão, mas é possível que, com o amadurecimento do mercado e do trabalhador, esse produto chegue também a esse público”, diz o executivo.


União estratégica: bancos e fintechs lado a lado

O avanço do crédito consignado ilustra um movimento maior no setor financeiro: a colaboração entre bancos e fintechs, antes vistos como concorrentes diretos.

As fintechs trazem inovação, experiência digital e agilidade, enquanto os bancos oferecem estrutura, capital e base consolidada de clientes. A união dessas forças cria um ambiente mais competitivo e eficiente, beneficiando diretamente o consumidor final.

Essa sinergia se reflete em uma nova fase do mercado de crédito brasileiro, na qual tecnologia e tradição caminham juntas.


Desafios e oportunidades no horizonte

Mesmo com o crescimento acelerado, ainda existem desafios. A educação financeira dos consumidores e a segurança digital permanecem como prioridades para garantir o uso responsável do crédito consignado.

Além disso, a necessidade de atualização regulatória e padronização de sistemas é constante, já que o produto depende de integração entre diferentes órgãos, instituições e plataformas.

A Matera, ao se posicionar como parceira tecnológica do setor, busca justamente oferecer soluções que garantam confiabilidade, escalabilidade e flexibilidade para o crescimento sustentável da modalidade.

“Além de falar de um produto que cresce muito, queremos mostrar que temos o que os clientes precisam para colocá-lo em operação”, conclui Amilcar Collares.

Imagem: Wright Studio / shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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