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Fintechs dominam nas favelas — grandes bancos estão sendo deixados para trás

Fintechs conquistam moradores das favelas e superam bancos tradicionais. Entenda o avanço digital e o impacto do Pix. Leia mais!

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
Cartão de crédito

As fintechs vêm transformando o acesso ao sistema financeiro nas favelas brasileiras. Um estudo da NÓS – Inteligência e Inovação Social, divulgado em setembro, mostra que os bancos digitais estão conquistando a preferência de quem vive em comunidades. A pesquisa “Persona Favela – Bancarização”, feita com 800 pessoas, revela uma mudança clara no comportamento financeiro dos moradores.

A conveniência, segundo o levantamento, é o principal fator de adesão. “Resolver a dor da espera, da fila, do transporte precário e da insegurança significa entregar mais do que uma compra – é oferecer confiança”, explica Emília Rabello, CEO da NÓS. Ela destaca que quem gera confiança conquista fidelidade, reforçando a importância da praticidade no consumo digital.

Leia mais: Fintechs superam bancos nas favelas? Entenda o motivo!

Fintechs lideram em lembrança e confiança

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Imagem: Wright Studio / shutterstock.com

Entre as cinco instituições financeiras mais presentes nas favelas, três são fintechs. O Nubank aparece como o líder isolado em todas as categorias avaliadas: lembrança, confiança e lealdade. Ele é seguido por PicPay e Banco Inter, confirmando o domínio das plataformas digitais no cotidiano das comunidades.

Os números reforçam essa tendência:

  • 67% dos entrevistados citaram o Nubank como o mais lembrado;
  • 52% mencionaram o PicPay;
  • 43% lembraram do Banco Inter.

Na categoria “preferido”, o Nubank recebeu 29% dos votos, contra 8% do PicPay e 7% do Banco Inter. Já na categoria “pretendem comprar nos próximos 3 meses”, os índices foram ainda mais expressivos: 39% para o Nubank, 17% para o PicPay e 13% para o Banco Inter.

Esses dados mostram que as fintechs estão conquistando não apenas espaço, mas também a confiança emocional dos consumidores, algo que os bancos tradicionais lutam para recuperar.

Bancos tradicionais ainda têm papel importante

Apesar da ascensão das fintechs, os bancos tradicionais continuam relevantes, especialmente em razão dos programas sociais e da presença física em comunidades. A Caixa Econômica Federal segue sendo o principal ponto de acesso ao sistema financeiro, impulsionada pela distribuição de benefícios como o Bolsa Família.

Em termos de lembrança, a Caixa foi citada por 56% dos entrevistados, seguida de Itaú (53%) e Bradesco (52%).
Mas, mesmo assim, o Nubank supera todos em awareness, tornando-se a marca financeira mais lembrada nas favelas — um marco simbólico da transformação digital.

Nas categorias de preferência:

  • Caixa e Itaú empatam com 10% cada;
  • Bradesco aparece com 8%.

A CEO Emília Rabello observa: “O dinheiro continua chegando pela Caixa, mas a confiança e o vínculo cresceram em relação aos bancos digitais”. Essa mudança ilustra um novo paradigma de bancarização, em que o acesso físico já não é sinônimo de fidelidade financeira.

O papel do Pix no avanço das fintechs

Faltando pouco para o Pix completar cinco anos, o sistema de pagamentos instantâneos é considerado o motor da transformação digital nas favelas. Criado pelo Banco Central, o Pix reduziu barreiras de entrada e permitiu que milhões de brasileiros passassem a utilizar serviços financeiros de forma cotidiana.

Segundo a NÓS, o Pix impulsionou a digitalização financeira e ampliou o consumo online em comunidades periféricas.
Em 2023, o Tracking das Favelas mostrou que 61% dos moradores possuíam conta em bancos digitais, superando os 59% que tinham conta em instituições tradicionais.
Além disso, 60% dos entrevistados afirmaram utilizar o Pix diariamente, evidenciando a adesão consolidada a soluções digitais.

As fintechs aproveitaram esse cenário para se posicionar como alternativas simples, seguras e acessíveis. A praticidade dos pagamentos instantâneos ajudou a fortalecer a relação de confiança entre clientes e plataformas, permitindo que o dinheiro circule com mais rapidez e eficiência dentro das comunidades.

Fintechs e inclusão financeira nas comunidades

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A presença das fintechs nas favelas vai além do acesso a contas digitais. Ela representa uma mudança estrutural na forma como os moradores se relacionam com o dinheiro.
O uso de aplicativos bancários para pagar contas, transferir valores e até contratar serviços de crédito mostra que o sistema financeiro brasileiro nunca esteve tão próximo da base da pirâmide.

Entre os motivos que levam os moradores a escolherem fintechs estão:

  • Ausência de tarifas abusivas;
  • Facilidade de uso dos aplicativos;
  • Resolução rápida de problemas via chat;
  • Disponibilidade 24 horas;
  • Integração com o Pix e carteiras digitais.

Esses fatores criaram um ecossistema financeiro paralelo ao dos bancos tradicionais, onde a conveniência e a autonomia são os principais diferenciais.

Desafios e perspectivas para o futuro das fintechs

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Imagem: Jirsak via shutterstock

Mesmo com o crescimento acelerado, as fintechs ainda enfrentam desafios importantes. A educação financeira é um deles, já que muitos usuários ainda têm dificuldades para compreender produtos mais complexos, como investimentos ou crédito pessoal.

Outro ponto é a sustentabilidade operacional. Com a competição acirrada e margens menores, as fintechs precisam equilibrar inovação com rentabilidade.
Ainda assim, especialistas acreditam que o movimento é irreversível: o futuro da bancarização no Brasil será predominantemente digital e inclusivo.

A tendência aponta para uma convivência híbrida entre bancos tradicionais e plataformas digitais, onde cada um ocupa um papel específico dentro do ecossistema financeiro nacional.

Os dados da pesquisa da NÓS revelam que as fintechs não apenas ganharam espaço, mas também mudaram a lógica de confiança financeira nas favelas. O Pix, por sua vez, consolidou-se como ferramenta essencial nesse processo, acelerando a inclusão e democratizando o acesso ao dinheiro.

Com informações de: InfoMoney

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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