A digitalização financeira chegou de vez às comunidades brasileiras, transformando a maneira como milhões de pessoas lidam com o dinheiro. Um estudo recente revelou que as fintechs estão superando os bancos tradicionais em popularidade, confiança e uso entre moradores de favelas, marcando uma virada histórica no sistema financeiro nacional.
Fintechs mais populares que bancos: estudo revela mudança de comportamento
Fintechs conquistam mais confiança que bancos tradicionais nas favelas. Descubra o motivo e saiba o que isso revela sobre o futuro financeiro!!
O levantamento, realizado pela NÓS – Inteligência e Inovação Social, mostrou que a conveniência e a confiança oferecidas pelos bancos digitais se tornaram fatores decisivos para o público periférico. Essa transformação demonstra não apenas uma mudança econômica, mas também social, ao incluir digitalmente uma parcela significativa da população.

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O avanço das fintechs nas comunidades
O estudo “Persona Favela – Bancarização” entrevistou 800 pessoas em diferentes regiões do país. Entre os cinco bancos mais presentes nas favelas, três são digitais, reforçando a tendência de que o acesso aos serviços financeiros está migrando para o ambiente online.
Nubank lidera a preferência e a confiança
O Nubank foi apontado como o banco mais lembrado e confiável entre os entrevistados, com 67% de reconhecimento espontâneo (awareness). O banco roxo também lidera em categorias como percepção de atributos e NPS (Net Promoter Score), indicador internacional que mede o nível de lealdade dos clientes.
Na categoria “Preferida”, o Nubank recebeu 29% dos votos, muito à frente dos concorrentes PicPay (8%) e Banco Inter (7%). Quando perguntados sobre qual instituição pretendem usar nos próximos três meses, 39% escolheram o Nubank, reforçando o vínculo entre a marca e seus usuários.
A força da conveniência digital
Para muitos moradores de comunidades, a conveniência é o principal diferencial competitivo. A ausência de filas, o fácil acesso via aplicativo e a segurança nas transações transformaram a experiência bancária. “Resolver a dor da espera e oferecer confiança é o que gera fidelidade”, afirmou Emília Rabello, CEO da NÓS.
Essa praticidade faz com que os bancos digitais se tornem ferramentas essenciais no dia a dia, especialmente para trabalhadores autônomos e empreendedores locais que utilizam as plataformas para receber pagamentos, controlar ganhos e realizar transferências.
Bancos tradicionais ainda mantêm relevância
Apesar do avanço das fintechs, os bancos tradicionais ainda têm espaço garantido nas favelas, sobretudo devido à Caixa Econômica Federal, que continua sendo o principal ponto de acesso ao sistema financeiro.
Caixa mantém presença graças aos programas sociais
A Caixa segue liderando entre os bancos físicos devido à sua capilaridade e ao papel central que desempenha na execução de programas sociais, como o Bolsa Família. No quesito lembrança, foi citada por 56% dos entrevistados, seguida por Itaú (53%) e Bradesco (52%).
No entanto, mesmo com essa forte presença, o Nubank superou a Caixa em awareness, tornando-se o nome mais lembrado entre os moradores de favelas. Essa mudança revela um fenômeno importante: enquanto o dinheiro ainda chega pela Caixa, a confiança e o vínculo emocional migraram para os bancos digitais.
Preferência e intenção de uso
Quando o estudo perguntou quais bancos os entrevistados pretendem usar nos próximos três meses, 22% mencionaram a Caixa, 16% o Itaú e 14% o Bradesco. Já em termos de preferência, Caixa e Itaú empataram com 10%, enquanto o Bradesco ficou com 8%.
Esses dados reforçam que, embora a estrutura física ainda seja necessária, a preferência do público caminha rapidamente para o digital.
O papel transformador do Pix
Um dos principais motores dessa revolução financeira é o Pix, o sistema de pagamento instantâneo desenvolvido pelo Banco Central. Prestes a completar cinco anos, o Pix mudou o comportamento de consumo e facilitou o acesso aos serviços financeiros digitais.
A revolução no pagamento instantâneo
De acordo com o estudo, o Pix impulsionou fortemente a bancarização nas favelas, permitindo que pessoas sem conta em banco tradicional passassem a movimentar dinheiro digitalmente. Em muitas comunidades, o Pix se tornou a principal forma de pagamento — de feiras a pequenas vendas informais.
A edição anterior do “Tracking das Favelas”, divulgada em 2023, já indicava esse avanço: 61% dos moradores possuíam conta em bancos digitais, superando os 59% com conta corrente tradicional. Agora, o novo levantamento mostra que 60% dos respondentes usam o Pix diariamente.
A inclusão financeira em números
O Pix não apenas aumentou a praticidade, mas também democratizou o acesso ao sistema financeiro. Com ele, mesmo quem nunca teve cartão ou agência física pode receber, pagar e transferir valores em segundos. Isso reduziu a dependência de intermediários e impulsionou o comércio local.
Fintechs e o fortalecimento da economia local
As fintechs estão contribuindo diretamente para o fortalecimento das economias das comunidades. Pequenos empreendedores e prestadores de serviço agora conseguem operar de forma mais autônoma, segura e formalizada.
O impacto no empreendedorismo periférico
Com aplicativos como Nubank e PicPay, os trabalhadores das favelas ganharam acesso a ferramentas de gestão financeira, cartões sem anuidade e crédito rápido. Essa nova dinâmica estimula o empreendedorismo local, criando um ciclo virtuoso de consumo e investimento.
Além disso, as fintechs têm desempenhado papel educativo, ajudando as pessoas a entenderem melhor suas finanças e a utilizarem o crédito de forma consciente.
A mudança de mentalidade financeira
Antes vistas com desconfiança, as operações digitais agora são sinônimo de segurança e praticidade. Essa mudança cultural indica uma nova relação das comunidades com o dinheiro, mais moderna e alinhada ao cenário tecnológico global.
O desafio da confiança e da educação digital
Mesmo com o avanço das fintechs, há desafios significativos. A educação financeira ainda é limitada em muitas regiões, o que torna as pessoas vulneráveis a golpes e fraudes digitais.
A importância da informação
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Especialistas destacam que a expansão dos bancos digitais deve vir acompanhada de campanhas educativas, explicando como utilizar os serviços com segurança. A desinformação pode gerar perdas financeiras e descredibilizar as plataformas.
Fintechs e responsabilidade social
Muitas fintechs têm investido em projetos de educação digital e inclusão financeira. O Nubank, por exemplo, oferece conteúdos gratuitos que explicam desde a criação de metas de economia até a importância de manter um bom histórico de crédito. Essas iniciativas ajudam a consolidar o papel social das empresas no processo de bancarização.
A confiança como novo valor financeiro
O estudo também mostra que a confiança é o principal fator de fidelização nas comunidades. Mais do que taxas baixas ou bônus, os usuários valorizam empresas que resolvem problemas do cotidiano com rapidez e respeito.
A relação emocional com as marcas
Em muitos casos, os bancos digitais conquistaram não apenas usuários, mas verdadeiros embaixadores de marca. A presença constante nas redes sociais e o atendimento humanizado criam vínculos afetivos entre o cliente e a instituição.
Esse tipo de relação é especialmente importante em comunidades onde a confiança é construída de forma coletiva e baseada em reputação.
Um novo cenário financeiro no Brasil
O crescimento das fintechs nas favelas é reflexo de uma mudança estrutural no comportamento financeiro da população. O acesso simplificado, a ausência de tarifas abusivas e a transparência das operações criaram um ambiente mais democrático e competitivo.
A transformação do sistema bancário
Os bancos tradicionais estão sendo forçados a se reinventar. Muitos já lançaram suas próprias plataformas digitais para competir com as fintechs. Entretanto, o fator humano — a proximidade e o diálogo com o cliente — continua sendo o diferencial que as fintechs exploram com maestria.
O futuro das fintechs nas comunidades
Tudo indica que o domínio das fintechs nas comunidades tende a crescer. A familiaridade com o ambiente digital e a popularização de serviços como o Pix consolidam um novo ecossistema financeiro, mais inclusivo e participativo.
A próxima etapa da digitalização
Com o avanço das tecnologias de pagamento e a chegada de novas regulações, o mercado deve se tornar ainda mais competitivo. O surgimento de fintechs locais — criadas dentro das próprias comunidades — pode ser o próximo passo dessa revolução.
Essas empresas, por entenderem melhor as necessidades regionais, têm potencial para oferecer produtos personalizados e ampliar ainda mais o alcance da inclusão financeira.

O estudo da NÓS – Inteligência e Inovação Social deixa claro: as fintechs não são apenas uma tendência, mas uma realidade consolidada. O fato de bancos digitais como Nubank, PicPay e Banco Inter superarem gigantes tradicionais em confiança e preferência mostra que o Brasil está vivendo uma nova era financeira.
Mais do que uma mudança tecnológica, trata-se de uma mudança cultural, que redefine o conceito de acesso bancário e empoderamento econômico. O futuro do sistema financeiro nacional está, cada vez mais, nas mãos do público digital — e as favelas estão na linha de frente dessa transformação.
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