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Fintechs crescem, mas não olham para as empresas; veja por que isso é um erro

Fintechs ignoram empresários ao limitar opções de investimento para PJ. Veja aqui os riscos e alternativas mais rentáveis para o caixa da empresa!

Erivelto LopesPor Erivelto Lopes6 min de leitura
Fintechs

O avanço das fintechs revolucionou o mercado financeiro nos últimos anos, oferecendo soluções digitais acessíveis, práticas e, muitas vezes, mais baratas para pessoas físicas. Contudo, quando se trata de atender empresas, especialmente pequenas e médias, o cenário é bem menos promissor.

Embora os bancos digitais tenham simplificado a vida dos consumidores, a realidade é que as opções de investimento para pessoa jurídica (PJ) são extremamente limitadas. Na prática, os empresários acabam deixando seus recursos em produtos pouco rentáveis, sem a devida proteção e liquidez necessárias para a gestão financeira do negócio.

5 fintechs

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Onde está o erro das fintechs?

Empresários que buscam praticidade costumam optar por abrir contas em bancos digitais, atraídos pela ausência de tarifas e pela promessa de uma gestão financeira mais eficiente. No entanto, ao buscar formas de aplicar o caixa da empresa, muitos se deparam com uma triste realidade: há pouquíssimas ou nenhuma opção adequada de investimento.

O problema se agrava quando a única alternativa oferecida é um produto restrito, como o RDB (Recibo de Depósito Bancário), que consiste basicamente em emprestar dinheiro para o próprio banco, com rentabilidade limitada e prazos rígidos.

O que é o RDB e quais os riscos?

O RDB é um título de renda fixa, emitido pela instituição financeira, e conta com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até determinado valor. Apesar disso, a rentabilidade geralmente é de apenas 100% do CDI, o que está abaixo de outros produtos disponíveis no mercado, como fundos de títulos públicos.

Pior: muitos desses produtos têm carência de 30 dias, o que é inviável para quem precisa de liquidez imediata, característica essencial para o caixa empresarial.

Por que as fintechs ignoram as empresas?

Falta de priorização no desenvolvimento de produtos

A maioria das fintechs foca seus esforços em atender a pessoa física. Isso ocorre porque o volume de usuários é maior e a operação é menos complexa. Desenvolver produtos financeiros para empresas exige estrutura tecnológica mais robusta, análise de risco diferenciada e regulamentações específicas.

O impacto na saúde financeira das empresas

Empresas que deixam seu dinheiro no banco, sem rendimento ou em produtos de baixa performance, comprometem sua liquidez, além de perder poder de compra ao longo do tempo devido à inflação. Isso é especialmente prejudicial para pequenas e médias empresas, que operam com margens mais apertadas.

Bancos e corretoras: onde está a solução?

Como escolher uma boa opção de investimento para PJ?

O ideal é buscar produtos com:

  • Baixíssimo risco
  • Liquidez diária
  • Rentabilidade superior ao CDI simples
  • Baixas taxas de administração

Esse perfil de investimento se assemelha muito à reserva de emergência da pessoa física, priorizando segurança e disponibilidade.

Análise das principais instituições

BTG e XP: soluções eficientes para PJ

Ambas as plataformas oferecem praticamente os mesmos fundos para pessoa física e jurídica. As melhores opções são fundos que investem exclusivamente em títulos públicos Tesouro Selic, com taxa zero para aplicações até R$ 100 mil.

  • Acima desse valor, há fundos com taxas entre 0,15% e 0,20% ao ano, ainda extremamente competitivas.
  • Aplicação mínima: R$ 100.

Inter: opções mais limitadas

No Inter, a análise de fundos mostra opções menos atraentes para caixa de empresa. As principais desvantagens são:

  • Taxas mais altas, próximas de 0,6% ao ano.
  • Exposição ao crédito privado, que não é o ideal para reservas de segurança.

A opção mais razoável é o fundo Inter Simples, com taxa de 0,25% ao ano, ainda assim com composição que inclui crédito privado.

Bancos tradicionais: resistência e burocracia

Safra: destaque entre os tradicionais

  • Oferece fundo PJ com 100% em Tesouro Selic.
  • Taxa de 0,2% ao ano.
  • Aplicação mínima de R$ 100 mil.

Itaú: custos um pouco maiores

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  • Taxas a partir de 0,25% ao ano, dependendo do segmento do cliente.
  • Ainda assim, oferece fundos de perfil conservador e liquidez diária.

Bradesco: excesso de complexidade

  • Abundância de fundos DI com nomes confusos.
  • Parte considerável exige intermediação do gerente, dificultando a autonomia do cliente.
  • Taxas variam de 0,5% a 1,5% ao ano.
  • Uma das poucas opções razoáveis é o fundo Corporate, com taxa de 0,15% ao ano e aplicação mínima de R$ 50 mil.

O que o empresário realmente precisa?

Características de um investimento ideal para PJ

Critérios indispensáveis

  • Risco soberano: preferência por títulos públicos federais.
  • Liquidez imediata: sem carência ou prazos de resgate longos.
  • Baixa taxa de administração: idealmente zero ou muito próxima disso.
  • Isenção de exposição ao crédito privado, que eleva riscos desnecessários.

O que evitar?

  • Produtos com carência superior a 1 dia.
  • Fundos com composição em debêntures, CRIs, CRAs ou outros títulos de crédito privado.
  • Rentabilidade igual ou inferior ao CDI sem qualquer prêmio adicional.

Por que o mercado ainda não resolveu isso?

O segmento de pequenas e médias empresas é, paradoxalmente, um dos que mais movimentam a economia, mas que menos recebem atenção quando se trata de produtos financeiros específicos. Parte da explicação está na falta de pressão dos próprios empresários, que, focados na gestão do negócio, não priorizam a otimização financeira do caixa.

Além disso, há uma inércia cultural tanto nos bancos tradicionais quanto nas fintechs, que ainda veem o empresário mais como tomador de crédito do que como investidor.

Pessoa usando uma calculadora e uma caneta, e com várias contas em cima da mesa
Imagem: wutzkohphoto/shutterstock.com

Negligenciar empresas é um erro que custa caro

O crescimento das fintechs no Brasil transformou a relação do consumidor com os serviços financeiros, mas deixou um vácuo preocupante quando o assunto é atender as empresas. A escassez de produtos de investimento eficientes para PJ não é apenas uma falha de mercado, mas um erro estratégico que ignora um público com grande potencial.

Para os empresários, o alerta é claro: não deixe o dinheiro da empresa parado. Há opções no mercado — especialmente nas corretoras como XP e BTG, que oferecem fundos conservadores, com baixíssimo risco e boa liquidez. Depender de uma única fintech, sem diversificar, pode custar muito mais caro do que se imagina.

Se o mercado financeiro ainda não olha com o devido cuidado para as pequenas e médias empresas, cabe a cada empresário assumir o controle da própria gestão financeira, buscando conhecimento e migrando para plataformas que realmente atendam suas necessidades.

Erivelto Lopes

Autor

Erivelto Lopes

Erivelto Lopes é redator no portal Seu Crédito Digital, com forte compromisso com a verdade, responsabilidade e qualidade da informação. Atua diariamente na produção de conteúdos claros e confiáveis sobre benefícios sociais, economia e atualidades que impactam a vida do cidadão. É apaixonado por informar com agilidade, sempre buscando traduzir temas complexos de forma acessível.

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