A reintegração de uma funcionária demitida durante a ditadura militar, após quase 50 anos, é um marco na busca pela justiça e reparação histórica. Durante esse período da história, muitas pessoas foram injustamente perseguidas e tiveram seus direitos violados, sofrendo consequências por décadas.
Funcionária demitida durante a ditadura militar é reintegrada depois de quase 50 anos
A fim de reafirmar seu alinhamento e apoio ao sistema democrático, esta empresa readmitiu sua funcionária demitida na ditadura militar. Veja!
O caso em questão aconteceu em 1977, na Itaipu Binacional. Naquela época, a tradutora e secretária bilíngue, Sônia Lúcia Castanheira, foi desligada sob a suspeita de atuar em atividades consideradas subversivas pelo governo da ditadura militar.
Nesta semana, a Itaipu readmitiu Lúcia Castanheira, e hoje, aos 78 anos, a história é reparada. O General João Baptista Figueiredo havia dado a ordem de demissão da secretária. Assim, o fim de seu contrato foi assinado pelo general Costa Cavalcanti, que era diretor-geral de empresa binacional.
Sônia recebe seu crachá do diretor-geral da empresa
Ontem (10), o diretor-geral da Itaipu, Enio Verri, entregou o crachá à secretária. Durante o ato, a funcionária readmitida bateu o ponto na empresa pela primeira vez. Seus filhos, Cláudia e Maurício Castanheira, acompanharam-na durante a readmissão.
Durante esse ato, o diretor-geral destacou que a readmissão consiste no alinhamento com a democracia do país. De acordo com ele, a Binacional se preocupa em preservar a história para, assim, fortalecer o sistema democrático.
Sônia não soube o motivo da sua demissão naquela época
Com grande emoção, a funcionária expressou sua alegria em estar viva nesse momento, em que finalmente a injustiça cometida contra ela foi reconhecida. Com sinceridade, ela compartilhou que não guarda rancor da empresa.
Por outro lado, ela destaca que sempre se questionava se havia falhado. Nesse sentido, ela relembra que foi dispensada sem entender a razão, questionando seu desempenho, até que, somente em 2009, com a abertura dos arquivos da ditadura militar, descobriu que sua demissão era motivada por razões políticas.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Desse modo, Sonia acredita que uma das razões para ter sido perseguida politicamente foi o fato de ter residido no Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (CRUSP) em 1965.
Naquela época, houve uma greve organizada estudantil no alojamento, em protesto contra o aumento dos preços das refeições e da moradia. Ademais, ela relata ter sido alvo de um dossiê que mencionava sua moradia no CRUSP.
Imagem: fizkes / Shutterstock.com
