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Galípolo confirma: juros vão continuar altos e BC não pretende baixar a Selic tão cedo, entenda o impacto!

Galípolo diz que o BC manterá juros altos até a inflação convergir à meta e garante que fará o necessário para assegurar a estabilidade econômica.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
imagem de Gabriel Galípolo, novo secretário-executivo da Fazenda

Durante sua participação em um evento promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em São Paulo, nesta terça-feira (25), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, voltou a reforçar o tom conservador da autoridade monetária. Segundo ele, a inflação ainda não está convergindo para a meta de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), o que justifica a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em patamar considerado “restritivo” pelo BC.

“Ainda estamos insatisfeitos, não estamos onde gostaríamos, por isso seguimos com patamar restritivo de juros”, declarou Galípolo.

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A leitura do BC sobre a inflação

Inflação desacelera, mas não na velocidade desejada

Apesar de sinais de desinflação ao longo de 2025, Galípolo demonstrou preocupação com a lentidão do processo. Para ele, o controle de preços ainda exige vigilância rigorosa da política monetária. Embora o índice oficial de inflação (IPCA) tenha recuado em meses recentes, o presidente do BC avalia que ainda há “custo e trade-off” envolvidos para garantir a convergência efetiva à meta.

“Gostaríamos que a inflação estivesse convergindo mais rápido, mas existe um custo, um trade-off para fazer isso”, observou.

A meta de 3% e os obstáculos para atingi-la

A atual meta de inflação — definida em 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual — permanece como referência para a política de juros. O BC avalia que, para garantir credibilidade junto ao mercado, é fundamental manter o foco nessa ancoragem.

O desafio, no entanto, passa por choques de preços de alimentos, volatilidade no câmbio e incertezas no cenário fiscal, o que dificulta o trabalho da autoridade monetária.

Selic em 15% e sem cortes à vista

O atual patamar da taxa básica de juros

Atualmente, a taxa Selic está fixada em 15% ao ano — um dos níveis mais altos do mundo, especialmente entre economias emergentes. Segundo Galípolo, esse patamar ainda é necessário para conter a inércia inflacionária e garantir que as expectativas futuras sigam alinhadas à meta.

“Toda vez que for necessário, o BC vai usar a taxa de juros”, reafirmou o presidente da instituição.

Projeções do mercado: cortes apenas em 2026

De acordo com o boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, analistas do mercado financeiro ajustaram a expectativa para a Selic ao final de 2026, reduzindo a projeção de 12,25% para 12%. No entanto, a maioria não espera corte na taxa ainda em 2025. A reunião de dezembro do Comitê de Política Monetária (Copom), a última do ano, deve manter a taxa inalterada, segundo as apostas do mercado.

Essa postura cautelosa reflete a leitura de que o processo de desinflação ainda requer solidez e não há margem para experimentações que possam desancorar expectativas.

O papel do BC e sua independência

Mandato claro: controlar a inflação

Desde a promulgação da lei de autonomia do Banco Central, em 2021, a instituição ganhou independência formal em sua atuação. Isso significa que a diretoria do BC, hoje comandada por Galípolo, tem como mandato prioritário garantir a estabilidade de preços. Embora também acompanhe indicadores de emprego e crescimento, o foco na inflação permanece soberano.

“O BC fará o que for necessário para cumprir seu mandato de levar a inflação à meta”, reiterou Galípolo.

Direção da política monetária é a desejada

Galípolo também afirmou que o curso atual da política monetária é aquele que melhor cumpre o mandato da autarquia. Apesar da pressão de setores do governo e da sociedade por uma flexibilização mais rápida, o BC sinaliza que prefere errar pelo excesso de cautela do que comprometer sua credibilidade.

Essa postura é interpretada pelos agentes de mercado como uma garantia de que o Banco Central não cederá a pressões políticas, mantendo sua autoridade técnica no centro das decisões econômicas.

Estabilidade financeira em foco

Falibilidade dos bancos e aprendizados do passado

Ao tratar de outro tema sensível — a estabilidade do sistema financeiro — Galípolo afirmou que os bancos são instituições “falíveis” e que o BC precisa estar em constante aprendizado para evitar repetição de erros do passado. A fala ocorre poucos dias após a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, medida adotada pela própria autoridade monetária.

Sem citar o caso diretamente, o presidente do BC disse que a instituição “seguiu o gabarito” ao agir na defesa do sistema e que todas as decisões foram embasadas em critérios técnicos e legais.

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“É importante que o BC aprenda com cada evento e evite repetir erros históricos”, disse, ao se referir à atuação preventiva da autoridade diante de desequilíbrios bancários.

Papel do BC na supervisão

O Banco Central também atua como supervisor do sistema financeiro, acompanhando a saúde das instituições, solvência, liquidez e cumprimento de regras prudenciais. Em casos extremos, como o do Banco Master, pode intervir diretamente para evitar riscos sistêmicos.

A sinalização de que o BC agirá de forma firme, quando necessário, busca reforçar a confiança dos investidores e dos depositantes no sistema bancário nacional.

Perspectivas para 2026 e além

Selic pode cair, mas com condições

A redução da taxa Selic segue como tema de amplo debate entre economistas. Para que ocorra, será necessário um conjunto de fatores favoráveis, entre eles:

  • Inflação em trajetória clara de queda
  • Expectativas ancoradas nos relatórios Focus
  • Responsabilidade fiscal por parte do governo
  • Estabilidade cambial
  • Crescimento econômico sem pressão sobre a demanda

Caso esses pilares se mantenham firmes, o BC poderá iniciar um ciclo de cortes mais consistente ao longo de 2026. Contudo, Galípolo deixou claro que não há pressa e que a autoridade monetária manterá vigilância permanente.

Comunicação transparente com o mercado

Uma das marcas da gestão de Galípolo tem sido o esforço de comunicação com os agentes econômicos. Ao participar de eventos como o da Febraban, o BC tenta reforçar o discurso técnico, explicar suas decisões e, ao mesmo tempo, preparar o mercado para o que está por vir.

Essa transparência é vital para evitar choques nos preços dos ativos, fuga de capitais e volatilidade na curva de juros. Ao garantir previsibilidade, o Banco Central sustenta a estabilidade necessária para que empresas e consumidores possam planejar suas decisões financeiras.

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Imagem: Fábio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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