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Preço da gasolina dobra e deve ter novo ajuste em 2026

Os preços da gasolina no Brasil seguem em alta e continuam pesando no bolso dos consumidores. Na primeira semana de setembro de 2025, o valor médio nacional do

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
gasolina

Os preços da gasolina no Brasil seguem em alta e continuam pesando no bolso dos consumidores. Na primeira semana de setembro de 2025, o valor médio nacional do litro do combustível foi de R$ 6,17, de acordo com levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Esse valor representa praticamente o dobro do preço registrado em 2015, quando o litro custava em média R$ 3,27. Para agravar a situação, o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) aprovou um aumento do ICMS, que passará a valer a partir de janeiro de 2026.

A medida deve pressionar ainda mais os preços nos postos, em um cenário de custo elevado de vida e constantes debates sobre a política de preços dos combustíveis no país.

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ICMS mais caro em 2026

Sefaz São Paulo
Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com

Aumento definido pelo Confaz

Na última segunda-feira (8), o Confaz publicou no Diário Oficial da União o reajuste das alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para combustíveis.

  • Gasolina: sobe de R$ 1,47 para R$ 1,57 por litro a partir de janeiro de 2026 (+ R$ 0,10).
  • Diesel: sobe de R$ 1,12 para R$ 1,17 por litro (+ R$ 0,05).

Impacto esperado nos preços

Embora o acréscimo pareça pequeno, especialistas apontam que a alta do ICMS deve ser repassada integralmente aos consumidores, elevando o preço final nos postos. O impacto poderá variar conforme a região, já que logística e margens de revenda também influenciam.


Evolução histórica: gasolina quase dobrou em 10 anos

Comparação com 2015

Em setembro de 2015, o litro da gasolina custava em média R$ 3,27. Dez anos depois, o valor é R$ 2,90 mais caro, o que representa praticamente um dobro de preço.

Relação com o salário mínimo

No entanto, quando comparado ao salário mínimo, o peso relativo da gasolina se manteve relativamente estável:

  • Em 2015, o litro correspondia a 0,41% do salário mínimo de R$ 788.
  • Em 2025, o litro representa 0,40% do salário mínimo, atualmente em R$ 1.518.

Isso indica que, embora o preço tenha subido em valores nominais, a valorização do salário mínimo ajudou a amortecer parte do impacto sobre o poder de compra.


Como é formado o preço da gasolina no Brasil

Estrutura de custos segundo a Petrobras

O preço final da gasolina é composto por diferentes parcelas, que incluem custos de produção, impostos e margens de distribuição. Segundo dados da Petrobras, em 2025 o preço médio de R$ 6,17 por litro está dividido da seguinte forma:

  • Parcela Petrobras: R$ 2,00 (32,4%)
  • ICMS (Imposto Estadual): R$ 1,47 (23,8%)
  • Distribuição e Revenda: R$ 1,06 (17,2%)
  • Custo do Etanol Anidro: R$ 0,96 (15,6%)
  • Impostos Federais (Cide, PIS/Cofins): R$ 0,68 (11%)

O peso dos impostos

Somando os tributos estaduais e federais, a carga tributária responde por aproximadamente 35% do preço da gasolina, um dos fatores que mais influenciam o valor final ao consumidor.


ICMS: o imposto que mais pesa na bomba

Participação no preço

Com a alíquota atual de R$ 1,47, o ICMS representa quase um quarto do preço final. A partir de 2026, com o reajuste para R$ 1,57, essa participação deve crescer ainda mais, reforçando as críticas de que o imposto é um dos principais responsáveis pelo encarecimento do combustível.

Disputa entre estados e governo federal

Historicamente, o ICMS sobre combustíveis gera conflitos entre estados e União, já que o tributo é fonte relevante de arrecadação estadual, mas também pesa diretamente no bolso da população. O reajuste aprovado pelo Confaz reflete essa busca por equilíbrio fiscal, mesmo em um momento de alta sensibilidade inflacionária.


Impactos econômicos e sociais

Custo de vida

O aumento da gasolina tem efeito cascata sobre toda a economia, já que impacta o transporte de mercadorias e o custo do frete, pressionando preços de alimentos, bens de consumo e serviços.

Inflação

Com a gasolina mais cara, analistas preveem um impacto direto no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador da inflação no Brasil. O risco é de que o combustível volte a ser um dos vilões da alta inflacionária em 2026.

Transporte público e frete

A alta do diesel, embora menor, também preocupa. O reajuste de R$ 0,05 por litro deve afetar custos do transporte público, rodoviário e de cargas, ampliando pressões inflacionárias.


Políticas de preços e críticas

COMBUSTÍVEL gasolina
Imagem: Freepik

O papel da Petrobras

A Petrobras continua sendo a principal formadora de preços no mercado de combustíveis no Brasil. Sua política, baseada na paridade internacional (PPI), leva em consideração o preço do barril de petróleo no mercado externo e a variação do câmbio.

Debate sobre subsídios e intervenção

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O tema gera divisões:

  • Defensores do PPI argumentam que a paridade garante previsibilidade e evita prejuízos à estatal.
  • Críticos defendem maior intervenção do governo ou subsídios temporários para aliviar o custo ao consumidor final.

Comparação internacional

Gasolina no Brasil x outros países

Apesar do preço alto, a gasolina no Brasil ainda não está entre as mais caras do mundo. Em países europeus, como França e Alemanha, o litro pode ultrapassar o equivalente a R$ 10.

No entanto, considerando o poder de compra do brasileiro, o custo relativo é elevado, já que a renda média no Brasil é significativamente inferior à de países desenvolvidos.


Alternativas buscadas pelo consumidor

Migração para o etanol

Com a gasolina mais cara, muitos motoristas têm avaliado a viabilidade do etanol, que em alguns estados chega a custar até 30% menos. A escolha depende da relação de preços, já que o etanol rende menos por quilômetro rodado.

Crescimento dos carros híbridos e elétricos

Outro reflexo é o aumento da procura por veículos híbridos e elétricos, que reduzem a dependência de combustíveis fósseis. O setor automotivo aposta no avanço dessa tendência, embora o custo elevado dos modelos ainda seja uma barreira.


O que esperar para 2026

VR dia livre de impostos gasolina governo
Imagem: Billion Photos/Shutterstock.com

Pressão contínua nos preços

Com o reajuste do ICMS confirmado e a volatilidade do petróleo no mercado internacional, a expectativa é de que a gasolina continue em patamares altos em 2026.

Perspectivas inflacionárias

Economistas já projetam que os combustíveis terão peso relevante nos índices inflacionários do próximo ano, exigindo atenção do governo federal e do Banco Central para calibrar medidas de contenção.


Considerações finais

O preço da gasolina no Brasil é resultado de uma combinação complexa de fatores: custo de produção, carga tributária, logística e política de preços da Petrobras.

Em setembro de 2025, o litro alcançou a média de R$ 6,17, quase o dobro do valor de 2015, e a tendência é de novos aumentos com a chegada do reajuste do ICMS em 2026.

O cenário reforça a necessidade de um debate nacional sobre a tributação dos combustíveis, alternativas energéticas e medidas de mitigação do impacto social e econômico da alta de preços.

Enquanto isso, os consumidores seguem buscando alternativas para reduzir despesas em um país onde abastecer continua sendo um desafio pesado para o orçamento familiar.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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