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Gasolina e diesel mais baratos que no exterior: entenda o que está por trás

Combustíveis no Brasil, como a gasolina e o diesel, estão mais baratos que no exterior; entenda os fatores por trás dessa defasagem.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
Pessoa abastecendo com cupom de desconto na gasolina tanque gasolina

A diferença de preços entre os combustíveis vendidos no Brasil e os valores praticados no mercado internacional tem chamado atenção. Segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o diesel e a gasolina comercializados nas refinarias brasileiras estão sendo negociados por valores abaixo da paridade de importação, ou seja, estão mais baratos do que os preços que seriam aplicados se o país dependesse unicamente da compra internacional.

Essa situação, que em outros momentos poderia gerar preocupações sobre desabastecimento ou distorções no mercado, hoje reflete uma combinação de fatores econômicos e estratégicos, entre eles a valorização do real, a estabilidade nas cotações internacionais do petróleo e decisões das refinarias em manter os preços sem reajustes.

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Diferença nos preços é reflexo da valorização do real

Gasolina
Imagem: CHARAN RATTANASUPPHASIRI / shutterstock

Uma das principais razões para a atual defasagem nos preços da gasolina e do diesel em relação ao mercado internacional está na cotação do dólar frente ao real. Com a moeda brasileira mais valorizada, a necessidade de repassar aumentos de preços ao consumidor diminui, pois os custos de importação são reduzidos.

De acordo com a Abicom, essa valorização cambial, aliada à estabilidade do barril de petróleo tipo Brent — negociado a US$ 65,41 na sexta-feira (16) e a US$ 65,16 nesta segunda (com queda de 0,10%) — contribui diretamente para o fato de os preços internos se manterem abaixo dos valores de referência no mercado internacional.

Diesel e gasolina com preços defasados

A diferença entre os preços internos e os valores internacionais é significativa: o diesel está cerca de 3% mais barato, enquanto a gasolina apresenta uma defasagem de 1%, segundo a Abicom. Essa diferença é ainda maior quando se analisa casos específicos como a Refinaria de Mataripe, na Bahia, operada pela Acelen. Lá, os combustíveis estão sendo vendidos com preços 4% inferiores aos do mercado externo.

Mesmo com essas diferenças, a Acelen decidiu não alterar os preços no último ajuste semanal, em 14 de maio. Isso indica uma estratégia de manter certa estabilidade no mercado interno, mesmo diante das oscilações do cenário global.

Petrobras mantém gasolina estável há mais de 300 dias

A Petrobras, principal fornecedora de combustíveis no Brasil, tem adotado uma política de preços que prioriza a estabilidade e evita repasses imediatos das variações do mercado internacional. Atualmente, a estatal não promove reajustes no preço da gasolina há 314 dias — uma decisão que contribui diretamente para a manutenção dos preços mais baixos no país.

No caso do diesel, houve uma única alteração recente: no dia 6 de maio, a Petrobras reduziu o valor do combustível nas refinarias. Essa postura, embora tenha efeitos positivos para o consumidor, levanta questionamentos sobre a sustentabilidade da política de preços a longo prazo, especialmente em cenários de maior volatilidade.

Janela de importação está fechada

Outro fator importante é o fechamento das janelas de importação, o que significa que, no momento, não há viabilidade econômica para trazer combustíveis do exterior. Com os preços internos mais baixos, os importadores não conseguem competir, o que limita as entradas externas de gasolina e diesel no país.

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Esse cenário pode afetar a dinâmica do mercado nos próximos dias. Se os preços internacionais subirem e os internos continuarem estáveis, a diferença pode crescer ainda mais, o que poderá pressionar tanto os importadores quanto a própria Petrobras a rever sua política de preços.

Política de preços da Petrobras: foco em equilíbrio

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Reprodução: Seu Crédito Digital/Freepik

A atual gestão da Petrobras tem reforçado que não adota mais a política de paridade internacional de preços como única referência para reajustes. O novo modelo considera variáveis como o custo de produção, a concorrência e as condições do mercado interno. Com isso, há maior flexibilidade para decidir quando e como aplicar ajustes, sem a obrigatoriedade de acompanhar imediatamente as variações externas.

Essa abordagem visa equilibrar o impacto econômico para os consumidores com a sustentabilidade financeira da estatal. Embora seja positiva para os motoristas brasileiros no curto prazo, a manutenção de preços abaixo da paridade por longos períodos pode pressionar os importadores e criar distorções no mercado de combustíveis.

Previsões para o mercado de combustíveis

A expectativa para os próximos meses dependerá da combinação entre três fatores principais: comportamento do dólar, cotação internacional do petróleo e decisões estratégicas das refinarias no Brasil. Caso o barril do Brent se valorize novamente ou o real se desvalorize, a defasagem atual pode se inverter, exigindo novos reajustes.

Por outro lado, se a estabilidade continuar e a Petrobras mantiver sua política atual, os consumidores brasileiros poderão seguir desfrutando de preços mais acessíveis nas bombas, pelo menos enquanto o equilíbrio econômico permitir.

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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