O serviço de pay-per-view Premiere, pertencente à Globo, registrou um feito inédito no último trimestre: 2,7 milhões de assinantes ativos, o maior número desde sua criação, em 1997. O crescimento expressivo reflete uma mudança estratégica da emissora, que apostou na redução de preços e na integração com o Globoplay para tornar o acesso aos jogos mais democrático e competitivo frente ao avanço do streaming esportivo.
Oferta explosiva: Globo baixa valor e bate recorde de assinaturas do Premiere
Globo corta preço do Premiere e alcança 2,7 milhões de assinantes, o maior número desde 1997, mesmo com perdas causadas pela pirataria.
O Premiere transmite nove jogos por rodada do Campeonato Brasileiro, além da Copa do Brasil e torneios estaduais. O pacote, que antes era considerado um dos mais caros do mercado, hoje se tornou um produto mais acessível, impulsionando uma recuperação inédita de público e receita.
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Estratégia de preços derruba barreiras e atrai público

A Globo, tradicionalmente dependente das operadoras de TV por assinatura para distribuir o Premiere, iniciou nos últimos anos uma mudança significativa no modelo de negócio. A venda direta ao consumidor, por meio do Globoplay, permitiu à empresa reduzir o custo final ao assinante e ampliar sua margem de controle sobre o serviço.
Preço mais baixo, resultado imediato
O pacote mensal do Premiere no Globoplay custa atualmente R$ 59,90, enquanto a assinatura anual reduz o valor para R$ 29,90 por mês. Em 2018, o preço máximo cobrado via TV paga chegava a R$ 110, uma queda de 45% no valor.
Com isso, torcedores que antes não viam vantagem em assinar o pay-per-view passaram a aderir ao serviço, especialmente durante o Campeonato Brasileiro. “A facilidade de contratar e cancelar, junto ao preço mais competitivo, fez diferença”, comenta um analista do setor de mídia.
Segundo dados divulgados pelo portal F5, da Folha de S.Paulo, o Premiere superou a marca histórica de assinantes mesmo com o aumento da concorrência de plataformas como Amazon Prime Video, HBO Max e Star+, que também investem em transmissões esportivas.
Pirataria: o calcanhar de Aquiles da emissora
Apesar do sucesso, a pirataria continua sendo o principal desafio da Globo no segmento esportivo. De acordo com Manuel Belmar, diretor de produtos digitais, finanças, jurídico e infraestrutura da empresa, “quatro em cada cinco pessoas que assistem ao Premiere por rodada não pagam pelo serviço.”
Perdas bilionárias e desafio estrutural
A estimativa é alarmante: a emissora perde cerca de R$ 500 milhões por ano com transmissões ilegais de partidas. Se todo o público fosse composto apenas por assinantes pagantes, a arrecadação anual poderia chegar a R$ 1 bilhão.
“O país vive uma situação endêmica em relação à pirataria. Nossa capacidade de oferecer preços mais baixos tem um limite. Com o custo dos direitos esportivos, é impossível oferecer o conteúdo sem cobrança”, afirmou Belmar em entrevista recente.
O combate à pirataria, segundo o executivo, não depende apenas de ações da empresa, mas também de reforço regulatório e conscientização do público. A Globo tem investido em tecnologia de rastreamento e em parcerias com autoridades para derrubar sites e canais ilegais que reproduzem jogos em tempo real.
Modelo sustentável: clubes e fãs saem ganhando

Embora o Premiere ainda não gere lucro direto para a Globo, a operação cobre os custos de direitos de transmissão do Brasileirão, estimados em centenas de milhões de reais por temporada.
O modelo atual de distribuição é baseado em participação proporcional dos clubes: quanto maior o número de torcedores assinantes de determinado time, maior o repasse financeiro que ele recebe.
Novo ciclo de valorização do futebol brasileiro
Esse formato criou um elo mais direto entre torcedor e clube, incentivando campanhas de engajamento das próprias equipes para atrair assinantes. Clubes de massa como Flamengo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo lideram as listas de base pagante, mas equipes médias também se beneficiam do aumento geral do público.
Para especialistas em mídia esportiva, a estratégia da Globo pode representar o início de um novo ciclo de valorização do conteúdo nacional. “O Premiere voltou a ser relevante no digital. A assinatura pelo Globoplay se encaixa no comportamento de consumo atual e fortalece o ecossistema da emissora”, afirma o consultor em marketing esportivo João Pedro Vieira.
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Integração com o Globoplay amplia alcance
A integração com o Globoplay foi um dos pontos mais decisivos para o salto no número de assinantes. Antes restrito a quem possuía TV por assinatura, o Premiere passou a estar disponível para qualquer pessoa com acesso à internet, independentemente de operadora.
O streaming como motor do crescimento
A fusão de conteúdo linear (televisão tradicional) com streaming permite que o espectador assista aos jogos em múltiplos dispositivos — TVs inteligentes, celulares, tablets e computadores. Isso aumenta a flexibilidade e atrai um público mais jovem, acostumado ao consumo digital.
Além disso, a Globo passou a investir em pacotes combinados que incluem o Globoplay e o Premiere, tornando o custo-benefício ainda mais atrativo para quem busca variedade de conteúdo.
O modelo segue uma tendência global, observada em plataformas como ESPN+, DAZN e Peacock Sports, que também apostam na sinergia entre streaming e esporte ao vivo para fidelizar assinantes.
O futuro do Premiere: desafios e oportunidades
O crescimento do Premiere é um sinal positivo para a Globo, que há anos busca equilibrar o investimento pesado em direitos de transmissão com a queda da receita publicitária da TV aberta.
A emissora deve continuar explorando modelos híbridos, com foco no acesso direto ao consumidor e em novas formas de monetização, como publicidade segmentada e parcerias com operadoras de telecomunicações.
Por outro lado, a pirataria e a fragmentação do mercado de streaming esportivo permanecem desafios relevantes. O sucesso futuro dependerá da capacidade da Globo em manter preços acessíveis, ampliar a oferta digital e reeducar o público sobre o valor do conteúdo licenciado.
Imagem: Try_my_best/ Shutterstock.com

