A 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirmou que bancos devem ser responsabilizados por falhas que facilitam golpes financeiros.
Golpe bancário? Justiça manda bancos pagarem indenização milionária!
Descubra como o STJ responsabiliza bancos em caso de golpe bancário e saiba como se proteger. Leia agora!
Nesta terça-feira (7/10), a corte deu provimento a três recursos especiais, restabelecendo condenações de instituições financeiras e de pagamento que não coibiram operações suspeitas. Leia mais para entender os detalhes dessa decisão e como se proteger de golpes.
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O que caracteriza um golpe bancário?

O golpe bancário ocorre quando criminosos manipulam vítimas para obter informações sigilosas e acessar contas ou sistemas de instituições financeiras. No caso analisado pelo STJ, os golpes envolveram engenharia social, ou seja, técnicas que convencem a vítima a fornecer dados confidenciais, acreditando que está interagindo com profissionais do banco.
Responsabilidade das instituições financeiras
Segundo a jurisprudência do STJ, os bancos podem ser responsabilizados se:
- Facilitaram o acesso a informações sigilosas;
- Não identificaram operações suspeitas ou atípicas;
- Não adotaram mecanismos de prevenção e monitoramento adequados.
A responsabilização não se aplica quando o ilícito envolve terceiros que se passam por atendentes, sem participação da instituição financeira.
Como os golpes são aplicados
Golpe da falsa central de atendimento
No REsp 2.222.059, a vítima recebeu ligações de pessoas que se passavam por funcionários do banco. Seguindo instruções, realizou 14 transações em um único dia, totalizando R$ 143 mil.
- Antes do golpe, o cliente nunca movimentou mais que R$ 4 mil por mês;
- O Tribunal de Justiça de São Paulo havia isentado o banco, alegando culpa exclusiva da vítima;
- O STJ restabeleceu a condenação, destacando a movimentação atípica que não foi identificada pela instituição financeira.
Golpe via aplicativo de mensagens
No REsp 2.229.519, golpistas instruíram o cliente a desbloquear seu cartão e enviar mensagens específicas via aplicativo, resultando em transações superiores a R$ 90 mil em três dias.
- O TJDF havia considerado inexistente vazamento de dados e culpou apenas a vítima;
- O STJ novamente restabeleceu a condenação, considerando a falha do banco em detectar operações suspeitas.
Golpe via instalação de aplicativo malicioso
No REsp 2.220.333, a vítima instalou um aplicativo sob orientação de golpistas que se passavam por funcionários do banco. Isso resultou na contratação de um empréstimo de R$ 45 mil e diversas transações fraudulentas.
O relator do caso ressaltou:
“Não é razoável entender que a vítima de um golpe, ao instalar programa de captação dissimulada de dados pessoais, assumiu risco consciente de sofrer danos.”
Critérios para identificar operações suspeitas
O STJ reforça que bancos devem analisar diversos fatores para validar transações financeiras e prevenir golpes:
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- Perfil de consumo: operações fora do padrão habitual do cliente;
- Horário e local: transações em horários incomuns ou locais atípicos;
- Intervalos entre transações: movimentações rápidas ou simultâneas podem indicar fraude;
- Meios de transação: canais utilizados, como PIX, boletos ou aplicativos, devem ser monitorados.
Segundo o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, a ausência de medidas preventivas caracteriza defeito no serviço financeiro, gerando responsabilidade do banco.
Impactos da decisão do STJ
A decisão do STJ fortalece a proteção do consumidor e obriga instituições financeiras a adotarem medidas proativas contra fraudes. Entre os impactos, destacam-se:
- Maior segurança para clientes;
- Incentivo à adoção de sistemas de monitoramento de operações suspeitas;
- Precedente para futuros casos de golpes bancários envolvendo engenharia social;
- Reforço da responsabilidade civil das instituições financeiras.
Como se proteger de golpes bancários

Mesmo com maior responsabilidade dos bancos, os clientes devem adotar medidas preventivas:
- Nunca compartilhe senhas ou códigos de verificação;
- Desconfie de ligações e mensagens solicitando informações pessoais;
- Monitore extratos e alertas de movimentações;
- Utilize canais oficiais de comunicação do banco;
- Instale e mantenha atualizado software de segurança em dispositivos.
Ficar atento aos sinais de golpe é essencial para proteger seus recursos.
O STJ estabeleceu que bancos podem ser responsabilizados por golpes quando não detectam operações suspeitas ou facilitam acesso a dados sigilosos. As decisões analisadas reforçam que a segurança das transações é obrigação das instituições financeiras, e que vítimas não devem arcar sozinhas com prejuízos causados por golpes sofisticados. A jurisprudência cria um precedente importante, estimulando a melhoria contínua da proteção digital no setor bancário.
Com informações de: Conjur
