Mesmo com a tecnologia cada vez mais presente no cotidiano, cresce o número de golpes com reconhecimento facial no Brasil, causando prejuízos financeiros significativos às vítimas.
Golpes com reconhecimento facial: como ocorrem e como se proteger
Golpes com reconhecimento facial crescem no Brasil; veja como funcionam, casos recentes e formas de se proteger.
Criminosos exploram vulnerabilidades como baixo conhecimento tecnológico, necessidade de acessar serviços específicos e superexposição nas redes sociais. Fotos pessoais, selfies e documentos podem ser utilizados de forma maliciosa para aplicar fraudes.
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Como os golpes acontecem

As possibilidades de fraude são diversas. Uma simples selfie no Instagram, um documento perdido ou até fotos solicitadas por estranhos podem ser manipuladas para golpes.
Recentemente, um caso grave envolveu a perda da carteira de identidade. Com o documento, o criminoso criou um deepfake, alterou dados da conta do Gov.br, abriu uma empresa e contratou um empréstimo em nome da vítima, que só descobriu o golpe quando seu nome foi negativado.
Ilson Bressan, CEO da Valid, empresa de segurança digital, alerta sobre a importância da tecnologia:
“Nesse sentido, o reconhecimento facial ou o conjunto das biometrias aplicadas podem ajudar muito a garantir a segurança de uma transação.”
Em muitos casos, golpistas se passam por servidores públicos, como agentes de saúde ou assistentes sociais. Em Limeira, um aposentado perdeu R$ 35 mil após duas mulheres se passarem por assistentes sociais oferecendo uma cesta básica. A vítima forneceu uma foto, que foi usada para reconhecimento facial, permitindo que os criminosos realizassem empréstimos em seu nome.
Principais cuidados para evitar golpes
A prevenção é essencial. Alguns cuidados básicos incluem:
- Desconfiar de ofertas tentadoras: prêmios, empregos ou benefícios suspeitos.
- Evitar fornecer fotos ou vídeos com o rosto em movimento a desconhecidos.
- Não complementar dados pessoais indicados parcialmente por atendentes suspeitos.
- Usar autenticação de dois fatores sempre que disponível, incluindo fatores biométricos ou códigos temporários.
- Manter a privacidade nas redes sociais para proteger imagens pessoais.
Eduardo Nery, especialista em cibersegurança, reforça a necessidade de atenção:
“Se alguém pedir foto ou vídeo com o rosto em movimento, desconfie imediatamente. Golpistas usam essas imagens para aplicar fraudes financeiras.”
O reconhecimento facial é seguro?
Apesar de os golpes chamarem atenção, Ilson Bressan afirma que o problema não está na tecnologia, mas na disponibilidade e conectividade das bases biométricas no Brasil.
“As bases biométricas do Brasil vêm das polícias estaduais, responsáveis pelos documentos pessoais, e ficam restritas aos estados. É preciso conectar essas bases para que o dado biométrico fique disponível a consultas gerais.”
Outro ponto crítico é que poucos serviços exigem biometria atualmente. Segundo Bressan, se a demanda fosse maior, haveria pressão natural para o compartilhamento da base, aumentando a segurança.
“A exigência de reconhecimento facial poderia evitar problemas como o Pix de R$ 18 milhões na madrugada. Por um lado, falta conectividade da base; por outro, faltam serviços que consumam essa base.”
Casos que evidenciam os riscos
Além do exemplo do deepfake, o caso do aposentado de Limeira demonstra como fraudes presenciais podem ser combinadas com tecnologia digital. Os golpistas utilizaram uma justificativa legítima – a entrega de uma cesta básica – para capturar a imagem da vítima e obter acesso a empréstimos e contas bancárias.
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Esses exemplos mostram a necessidade de educação digital e conscientização sobre o uso de fotos e vídeos pessoais, especialmente em transações financeiras e processos que envolvem dados sensíveis.
Estratégias para proteção digital
Para reduzir o risco de golpes, especialistas recomendam:
- Autenticação multifatorial: além da senha, usar códigos enviados por SMS, aplicativos de autenticação ou reconhecimento biométrico.
- Privacidade nas redes sociais: restringir o acesso às fotos e limitar o compartilhamento de informações pessoais.
- Verificação de fontes: confirmar a identidade de qualquer pessoa ou serviço que solicite dados pessoais ou fotos.
- Atualização tecnológica: utilizar aplicativos e plataformas com alto padrão de segurança e recursos de reconhecimento facial confiáveis.
Segundo Ilson Bressan, a interconexão das bases biométricas seria uma medida eficaz para reduzir fraudes em grande escala, citando um evento no Maranhão:
“As pessoas que estavam na festa tinham automaticamente o seu reconhecimento facial, e as imagens estavam conectadas a uma base da Polícia Civil. Isso permitiu a localização de procurados pela Justiça entre os participantes do evento. Esse exemplo mostra o quanto é urgente uma estrutura de compartilhamento de dados.”
O futuro do reconhecimento facial no Brasil

Com o avanço da tecnologia, o reconhecimento facial deve se tornar mais presente em transações financeiras, controle de acesso e segurança pública. No entanto, a falta de integração das bases biométricas e a baixa exigência de uso da tecnologia ainda são obstáculos.
Bressan enfatiza que, quando corretamente implementado, o reconhecimento facial aumenta a segurança, reduz fraudes e pode proteger milhões de brasileiros de golpes sofisticados. Segundo ele, o problema hoje não é a tecnologia, mas a disponibilidade e a utilização das bases biométricas. Conectar essas informações aumentaria significativamente a proteção contra fraudes.
Com informações de: InfoMoney
