Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Novo notebook do Google aposta em IA para competir diretamente com MacBooks

Avatar de Kayky Santos Kayky Santos · · 11 min de leitura
Google

O Google acaba de transformar sua estratégia para computadores. A empresa abriu a pré-venda do Googlebook, uma nova categoria de notebooks premium construída em torno do Gemini e criada para trabalhar de forma muito mais integrada com celulares Android.

Os primeiros aparelhos custam a partir de US$ 899 e serão fabricados por Acer, Asus, Dell, HP e Lenovo. A estreia nas lojas está marcada para 4 de outubro nos Estados Unidos, enquanto outros mercados selecionados recebem os equipamentos a partir do dia seguinte. Até agora, não há data nem preço anunciados para o Brasil.

A aposta vai além de simplesmente instalar inteligência artificial em um notebook. O Google criou uma plataforma que combina tecnologias do Android com fundamentos de desktop desenvolvidos a partir do ChromeOS, aproximando celular e computador de uma maneira que lembra a estratégia adotada pela Apple entre iPhone e Mac.

Leia mais:

Greve dos Correios chega ao TST nesta segunda após impasse entre empresa e trabalhadores

O que é o Googlebook?

O Googlebook é uma nova família de notebooks criada pelo Google em parceria com fabricantes tradicionais de PCs. A primeira geração terá cinco modelos, produzidos por Acer, Asus, Dell, HP e Lenovo.

Apesar do nome, não se trata de um único computador fabricado pelo Google. A ideia é semelhante ao que acontece com outras plataformas: o Google define tecnologias, recursos e requisitos, enquanto diferentes empresas desenvolvem os aparelhos.

Segundo a companhia, a nova categoria foi construída sobre a tecnologia do Android, mas aproveita elementos desenvolvidos para computadores no ChromeOS. O objetivo é oferecer aplicativos móveis, navegador completo, ferramentas profissionais e recursos do Gemini dentro de uma mesma experiência.

A primeira geração também deixa claro o público que o Google pretende alcançar. Em vez dos notebooks básicos que ajudaram a popularizar o Chromebook, o Googlebook nasce mirando consumidores que procuram máquinas mais sofisticadas.

Googlebook não significa o fim do Chromebook

A chegada da nova marca pode causar alguma confusão, principalmente porque o Google já possui uma plataforma consolidada de notebooks.

Mas a própria empresa afirma que Googlebook e Chromebook continuarão coexistindo.

Os Chromebooks permanecem baseados no ChromeOS e continuam direcionados principalmente à simplicidade, rapidez e tarefas cotidianas. Já o Googlebook ocupa uma categoria superior, com materiais premium, hardware mais potente e integração muito mais profunda com smartphones Android.

Quem já possui um Chromebook também não precisa se preocupar com uma migração obrigatória. O Google informa que os compromissos existentes de atualização desses aparelhos continuam válidos.

Na prática, a empresa passa a trabalhar com duas propostas diferentes dentro do mercado de computadores pessoais.

Preço começa em US$ 899

Os Googlebooks chegam ao mercado com preço inicial de US$ 899.

A primeira geração inclui cinco aparelhos com propostas diferentes. O modelo da Acer é conversível e pode ser utilizado também como tablet. A Asus aposta em um computador extremamente leve, enquanto a Lenovo apresenta uma opção maior, com tela de aproximadamente 15 polegadas. Dell e HP completam a primeira linha.

A estratégia coloca o Googlebook diretamente no mercado de notebooks premium.

A Reuters observa que o lançamento ocorre justamente em um momento de maior disputa nesse segmento, no qual a Apple mantém forte presença com a família MacBook. A diferença é que o Google tenta conquistar principalmente os milhões de consumidores que já utilizam smartphones Android.

Hardware mostra que o Google quer fugir da imagem de notebook básico

Um dos desafios do Google será mostrar que Googlebook e Chromebook não são apenas nomes diferentes para produtos semelhantes.

As especificações ajudam nessa tarefa.

Segundo o Google, todos os modelos começam com pelo menos 16 GB de memória RAM, enquanto algumas versões podem chegar a 32 GB.

Os notebooks utilizam chips Intel Core Ultra Series 3 ou Qualcomm Snapdragon X Elite, acompanhados de unidades de processamento neural, conhecidas como NPUs, capazes de superar 45 TOPS de processamento dedicado a tarefas de inteligência artificial.

Também haverá telas sensíveis ao toque com resolução de até 2.8K OLED, trackpads hápticos de vidro e teclados retroiluminados.

A autonomia anunciada varia conforme o tipo de utilização. O Google fala em até 14 horas de reprodução de vídeo e até 16 horas de navegação na web em determinadas configurações e testes da companhia. A duração real dependerá do modelo, aplicativos e intensidade de uso.

Gemini passa a fazer parte do próprio computador

O diferencial que o Google mais enfatiza, porém, está no software.

O Googlebook foi desenvolvido para o que a empresa chama de Gemini Intelligence, uma integração mais profunda da inteligência artificial com aquilo que acontece na tela.

Uma das principais funções é o Magic Pointer. Ao movimentar rapidamente o cursor, o usuário pode chamar o Gemini sobre o conteúdo que está visualizando.

Isso permite, por exemplo, pedir ajuda para interpretar um texto, traduzir determinado conteúdo ou organizar informações sem precisar abrir manualmente outra janela e copiar o material para um chatbot. O Google afirma que o recurso somente executa ações após solicitação do usuário e poderá ser desativado.

Outra ferramenta se chama Rambler.

Ela transforma fala em texto estruturado. Em vez de simplesmente transcrever tudo literalmente, o sistema pode organizar as ideias em notas, tópicos, listas de tarefas e outros formatos.

Há ainda o Create My Widget, que permite descrever em linguagem natural o tipo de informação desejada para que a IA crie um pequeno widget personalizado para a área de trabalho.

A grande aposta está na conexão com celulares Android

Talvez a parte mais importante do Googlebook não seja uma função isolada de inteligência artificial, mas a tentativa de eliminar a distância entre celular e notebook.

Ao configurar o computador, informações como redes Wi-Fi, determinadas configurações, mensagens e senhas salvas no ecossistema poderão acompanhar o usuário.

O recurso Continue On permite começar uma atividade no smartphone e continuar o trabalho no notebook.

Já a integração com o aplicativo de arquivos permite procurar fotos e documentos armazenados no telefone diretamente pelo computador.

Existe ainda o Cast My Apps.

Com ele, aplicativos executados no celular podem aparecer em uma janela na tela do notebook. Isso pode ser útil para consultar mensagens, códigos de autenticação ou serviços que ainda tenham uma experiência melhor no smartphone.

Algumas dessas funções mais avançadas exigem um aparelho com Android 17 ou versão posterior, segundo as informações oficiais do Google.

Essa integração revela quem está no centro da estratégia: quem já utiliza Android diariamente.

É justamente nesse ponto que a comparação com o MacBook ganha força. A Apple construiu durante anos uma experiência na qual iPhone, Mac, iPad e outros dispositivos trabalham em conjunto. O Google tenta estabelecer uma integração semelhante em torno do Android.

Aplicativos Android funcionarão diretamente no notebook

Outro diferencial está na disponibilidade de aplicativos.

Os Googlebooks poderão instalar aplicativos Android diretamente pela Google Play Store, além de utilizar o Chrome completo com extensões.

O Google também promete suporte a ferramentas tradicionalmente associadas a trabalhos mais pesados, incluindo Adobe Photoshop, Lightroom e CapCut, além de um ambiente Linux com acesso ao terminal para desenvolvedores.

Isso é importante porque a disponibilidade de programas profissionais sempre esteve entre os pontos observados por usuários que consideravam trocar Windows ou macOS por uma plataforma do Google.

Mesmo assim, a existência de aplicativos Android não significa automaticamente que todos terão a mesma experiência oferecida por programas desenvolvidos especificamente para Windows ou macOS. A adaptação de softwares à interface de desktop será uma das áreas a observar após a chegada dos aparelhos ao mercado.

Até jogos entram na estratégia

O Google também decidiu ampliar o discurso sobre entretenimento.

Além dos milhares de jogos disponíveis pelo Android, os compradores receberão um ano de acesso ao GeForce NOW, serviço de jogos pela nuvem da Nvidia.

Isso permite executar títulos de computador mais pesados sem necessariamente depender apenas da capacidade gráfica local do notebook.

É uma forma de compensar uma das limitações historicamente associadas a computadores baseados em plataformas do Google: a menor biblioteca de jogos tradicionais instalados localmente.

Glowbar volta como elemento visual dos notebooks

Os novos computadores ainda terão um detalhe curioso chamado Glowbar.

Trata-se de uma faixa luminosa posicionada na parte externa do aparelho. Ela pode mostrar visualmente o nível de bateria, apresentar animações durante a inicialização e reagir quando o usuário conversa com o Gemini.

O Google também pretende permitir que desenvolvedores criem animações próprias para o componente.

Não é uma função essencial para produtividade, mas ajuda a estabelecer uma identidade visual reconhecível para a nova família.

Googlebook terá até 10 anos de atualizações

Para quem costuma permanecer muitos anos com o mesmo notebook, o período de suporte será outro ponto relevante.

O Google afirma que o Googlebook OS terá atualizações e novos recursos por até dez anos.

A plataforma também utiliza tecnologias de segurança herdadas do ChromeOS, incluindo hardware Titan e camadas de isolamento destinadas a impedir que códigos maliciosos comprometam áreas sensíveis do sistema.

Para desenvolvedores, a empresa criou ainda um ambiente Linux isolado para utilização de terminal, repositórios de código e ferramentas de programação.

Compradores recebem Google AI Pro

Outro incentivo está incluído no pacote inicial.

Quem comprar um Googlebook recebe 12 meses do Google AI Pro, com acesso aos recursos avançados do Gemini e 5 TB de armazenamento em nuvem, de acordo com o anúncio da empresa.

O Google também anunciou benefícios temporários em serviços como YouTube Premium, Adobe Photoshop e outras ferramentas, embora a disponibilidade possa variar conforme país e oferta.

A estratégia reforça que o computador não está sendo vendido apenas como hardware. O Google pretende transformar serviços de inteligência artificial em parte central da experiência.

Quando o Googlebook será lançado?

A pré-venda começou em 21 de setembro de 2026.

Os primeiros modelos chegam às lojas dos Estados Unidos em 4 de outubro de 2026. No dia 5 de outubro, a comercialização começa em Canadá, Reino Unido, Irlanda, França, Alemanha e Austrália.

Até o momento do anúncio, o Brasil não aparece entre os mercados confirmados.

Isso significa que ainda não existe preço oficial em reais nem previsão divulgada pelo Google para venda nacional.

O que muda para quem usa Android

O Googlebook representa uma mudança importante na maneira como o Google encara os computadores.

Durante anos, o Chromebook foi associado principalmente a máquinas simples, rápidas e bastante dependentes da web. A nova categoria tenta ocupar um espaço diferente: notebooks de alto desempenho capazes de competir pela atenção de quem hoje considera um MacBook ou um computador premium com Windows.

Mas o elemento central da aposta não é simplesmente potência.

O Google quer transformar o notebook em uma extensão do celular Android e, ao mesmo tempo, colocar o Gemini dentro das ações cotidianas do sistema.

A pergunta que ficará para depois do lançamento é se aplicativos, integração entre dispositivos e recursos de IA serão suficientes para convencer consumidores a adotar uma terceira proposta relevante de plataforma premium além de Windows e macOS.

Para quem está no Brasil, por enquanto, a principal informação é outra: vale acompanhar os próximos anúncios do Google antes de considerar importação, já que preço, garantia, teclado, compatibilidade de determinados serviços e eventual lançamento oficial no país ainda podem fazer grande diferença.

Perguntas frequentes

O que é o Googlebook?

É uma nova categoria de notebooks premium criada pelo Google e fabricada inicialmente por Acer, Asus, Dell, HP e Lenovo. A plataforma combina tecnologias do Android e fundamentos de desktop do ChromeOS, com integração nativa ao Gemini.

Quanto custa o Googlebook?

Os modelos começam em US$ 899 nos Estados Unidos. O preço varia conforme fabricante e configuração.

O Googlebook será vendido no Brasil?

O Google ainda não anunciou oficialmente preço ou data de lançamento do Googlebook no Brasil.

O Googlebook vai substituir o Chromebook?

Não. O Google afirma que os dois produtos continuarão coexistindo. O Googlebook ocupa uma categoria premium, enquanto os Chromebooks permanecem focados em simplicidade, velocidade e tarefas cotidianas.

Quais empresas fabricarão o Googlebook?

A primeira geração terá modelos produzidos por Acer, Asus, Dell, HP e Lenovo.

O Googlebook roda aplicativos Android?

Sim. Os aplicativos poderão ser instalados diretamente pela Google Play Store. O computador também permite acessar aplicativos que estão rodando no celular por meio do Cast My Apps.

É necessário ter um celular Android?

O notebook funciona independentemente, mas algumas das principais funções de integração entre celular e computador foram desenvolvidas especificamente para Android. Certos recursos exigem Android 17 ou versão posterior.

Qual é a diferença entre Googlebook e MacBook?

O MacBook utiliza o macOS e integra-se ao ecossistema da Apple, especialmente ao iPhone. Já o Googlebook utiliza uma plataforma construída a partir de tecnologias do Android e do ChromeOS, com foco em Gemini e integração com smartphones Android.

Compartilhar