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Governo planeja nova maneira de financiar casas

A medida permite o uso dos depósitos futuros do FGTS para aumentar o potencial de pagamento no financiamento da casa própria

Djamilla Ribeiro MartinsPor Djamilla Ribeiro Martins3 min de leitura
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O Ministério de Desenvolvimento Regional (MDR), com o intuito de ampliar a capacidade de financiamento do trabalhador, propôs a medida que permite o uso dos depósitos futuros do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para aumentar o potencial de pagamento no financiamento da casa própria.

De acordo com a avaliação de especialistas, a medida funciona como um “consignado” das parcelas do FGTS e pode colocar em risco a estabilidade financeira do trabalhador assalariado.

Risco para o trabalhador

Segundo o MDR, se a medida for aprovada e entrar em vigor, será possível que o trabalhador utilize o saldo futuro do FGTS como uma espécie de “caução” para o financiamento da casa própria através do programa habitacional Casa Verde e Amarela.

“Caso o beneficiário opte pela utilização dos depósitos futuros de FGTS, não haverá mudança na taxa de juros do financiamento habitacional, uma vez que os juros do programa são fixos”, explicou a pasta por meio de nota ao E-Investidor. Assim, a proposta será encaminhada ao Conselho Curador do FGTS, responsável por analisar e aprovar a medida.

Embora amplie as condições de financiamento, a nova modalidade pode comprometer o planejamento financeiro do trabalhador de baixa renda, que geralmente tem somente os recursos do FGTS como reserva de emergência. “A pessoa já ganha pouco e vai comprometer algo que ainda não recebeu. Então, deve ser analisado com bastante prudência”, avaliou Eduardo Filho, especialista em educação financeira e de investimentos da Ágora.

Ademais, o risco será ainda maior em casos de demissão, pois o trabalhador terá que arcar com as dívidas do financiamento. Além disso, não terá os recursos do FGTS para se manter enquanto não consegue se recolocar no mercado de trabalho. 

“Só vale a pena caso a pessoa faça um planejamento financeiro que garanta que ela terá o valor das parcelas em caso de demissão inesperada”, destacou Fábio Louzada, economista, analista CNPI e fundador da ‘Eu me banco’.

Baixo rendimento do FGTS

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Embora o FGTS funcione como uma poupança do trabalhador, sua rentabilidade é bem inferior à de outros tipos de investimentos, pois o FGTS rende somente 3% ao ano. Já ativos de renda fixa, como o Tesouro Selic, disponibilizam uma rentabilidade na casa dos dois dígitos.

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Imagem: Nopparat Khokthong / Shutterstock.com

Djamilla Ribeiro Martins

Autor

Djamilla Ribeiro Martins

Djamila Martins é formada em Tecnologia em Gestão Empresarial (Processos Gerenciais) pela FATEC de Santos, Licenciada em Letras pelo Instituto Federal de São Paulo e também graduada em Pedagogia pela Universidade de Marília. Com uma base sólida em educação e gestão, alia conhecimento técnico e sensibilidade didática para contribuir com conteúdos informativos, acessíveis e confiáveis no portal Seu Crédito Digital, com foco em cidadania, economia e serviços públicos.

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