O governo federal publicou em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) o Decreto 12.957, trazendo mudanças importantes nas regras do crédito consignado para servidores públicos federais. A principal alteração é a ampliação do prazo máximo de pagamento dos empréstimos, que passa de 96 meses para 120 meses.
Governo amplia prazo do consignado para servidores; veja o que muda
Novo decreto amplia prazo do consignado para servidores públicos para 120 meses e reduz limite de consignação para 40%.
Na prática, isso significa que os servidores poderão parcelar suas dívidas em até 10 anos. A medida faz parte do pacote de ações do Novo Desenrola Brasil, programa criado para estimular a renegociação de dívidas e ampliar o acesso ao crédito no país.
Além da extensão do prazo, o governo também reduziu o limite de comprometimento da renda com consignações. O teto caiu de 45% para 40% da remuneração do servidor.
As mudanças afetam diretamente milhões de servidores públicos federais e também influenciam o mercado financeiro, já que o consignado é uma das modalidades de crédito mais utilizadas no Brasil devido aos juros mais baixos.
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O que é o crédito consignado?
O crédito consignado é um tipo de empréstimo em que as parcelas são descontadas automaticamente da folha de pagamento ou do benefício recebido pelo contratante.
Como o risco de inadimplência é menor para os bancos, as taxas de juros costumam ser mais baixas em comparação com empréstimos pessoais tradicionais, cheque especial e cartão de crédito.
No caso dos servidores públicos, aposentados e pensionistas do INSS, essa modalidade se tornou uma das principais alternativas para reorganização financeira.
O que muda com o Decreto 12.957
O novo decreto trouxe duas alterações principais:
Prazo maior para pagamento
O prazo máximo passou de 96 meses para 120 meses.
Isso permite:
- parcelas menores;
- maior capacidade de renegociação;
- redução do valor mensal pago;
- possibilidade de substituir dívidas mais caras.
Por exemplo, um servidor que possuía uma dívida parcelada em 8 anos poderá renegociar o contrato para até 10 anos, reduzindo o impacto no orçamento mensal.
Redução do limite de consignação
O percentual máximo da renda comprometida caiu de 45% para 40%.
Antes, o servidor podia comprometer quase metade do salário com descontos automáticos. Agora, o objetivo do governo é reduzir o superendividamento e preservar parte maior da renda mensal.
Como fica a divisão da margem consignável
Com as novas regras, a margem consignável dos servidores públicos federais passa a funcionar assim:
35% para empréstimos consignados
Essa parte é destinada aos contratos tradicionais de crédito consignado.
5% para cartão consignado
O percentual continua reservado para operações ligadas ao cartão de crédito consignado.
Essa divisão busca limitar o excesso de endividamento automático, especialmente em modalidades consideradas mais arriscadas financeiramente.
Qual é o objetivo do governo com as mudanças
As alterações fazem parte da estratégia do governo federal para:
- estimular a renegociação de dívidas;
- reduzir a inadimplência;
- facilitar o acesso ao crédito;
- evitar o superendividamento;
- aumentar o poder de consumo da população.
O Novo Desenrola Brasil vem sendo usado como uma das principais ferramentas econômicas para reorganização financeira das famílias brasileiras.
Segundo especialistas do setor financeiro, ampliar o prazo pode ajudar quem enfrenta dificuldades momentâneas, mas também exige atenção para que a dívida não se prolongue por muitos anos.
Parcelas menores podem significar mais juros
Embora o aumento do prazo reduza o valor das parcelas, o custo total da dívida pode aumentar.
Isso acontece porque os juros continuam incidindo durante mais tempo.
Veja um exemplo prático:
- Em um empréstimo de R$ 30 mil parcelado em 96 meses, o servidor pagaria parcelas mais altas, mas terminaria a dívida antes.
- No prazo de 120 meses, a parcela diminui, porém o total pago ao final do contrato tende a ser maior.
Por isso, especialistas recomendam comparar o CET (Custo Efetivo Total) antes de contratar ou renegociar um consignado.
Mudanças também atingem aposentados do INSS
O pacote anunciado pelo governo também trouxe alterações para aposentados e pensionistas do INSS.
Entre os pontos debatidos estão:
- novas condições de renegociação;
- ajustes na margem consignável;
- medidas de proteção contra superendividamento;
- ampliação do acesso ao crédito com juros menores.
Nos últimos anos, o consignado do INSS passou por diversas mudanças devido ao crescimento acelerado da demanda e do número de beneficiários endividados.
Servidores devem avaliar o orçamento antes de contratar
Apesar das condições mais flexíveis, especialistas alertam que o crédito consignado exige planejamento.
Como o desconto é automático na folha de pagamento, o comprometimento excessivo da renda pode gerar dificuldades para despesas essenciais, como:
- alimentação;
- aluguel;
- contas básicas;
- saúde;
- educação.
O ideal é que o servidor utilize o consignado para:
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- quitar dívidas com juros maiores;
- reorganizar a vida financeira;
- enfrentar emergências;
- evitar atrasos em contas essenciais.
Já o uso do crédito para consumo impulsivo pode aumentar ainda mais o endividamento.
Bancos devem ampliar oferta de crédito
Com o novo prazo de 120 meses, instituições financeiras tendem a ampliar as ofertas de consignado para servidores públicos.
Isso porque contratos mais longos aumentam a previsibilidade de pagamento e reduzem o risco para os bancos.
A expectativa do mercado é de crescimento nas operações de:
- refinanciamento;
- portabilidade de crédito;
- renegociação de contratos antigos;
- consolidação de dívidas.
O que o servidor deve observar antes de fechar contrato
Antes de contratar ou renegociar um consignado, é importante analisar:
Taxa de juros
Mesmo no consignado, as taxas podem variar entre instituições financeiras.
Custo efetivo total
O CET inclui juros, tarifas, seguros e demais encargos.
Prazo do contrato
Parcelas menores podem parecer vantajosas, mas aumentam o custo final.
Impacto no orçamento
É importante manter margem financeira para despesas inesperadas.
Possibilidade de portabilidade
Em alguns casos, transferir a dívida para outro banco pode reduzir os juros.
Novo decreto reforça combate ao superendividamento
Ao mesmo tempo em que amplia o prazo de pagamento, o governo reduziu o percentual máximo de comprometimento da renda.
A combinação dessas duas medidas mostra uma tentativa de equilibrar acesso ao crédito com proteção financeira dos servidores públicos.
O tema do superendividamento ganhou força nos últimos anos no Brasil, especialmente após o aumento do custo de vida, inflação elevada e crescimento do uso de crédito pelas famílias.
Com o novo decreto, o governo busca aliviar o peso das parcelas mensais sem permitir que uma parte excessiva do salário fique comprometida automaticamente.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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