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Governo amplia prazo do consignado para servidores; veja o que muda

Novo decreto amplia prazo do consignado para servidores públicos para 120 meses e reduz limite de consignação para 40%.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Governo amplia prazo do consignado para servidores; veja o que muda

O governo federal publicou em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) o Decreto 12.957, trazendo mudanças importantes nas regras do crédito consignado para servidores públicos federais. A principal alteração é a ampliação do prazo máximo de pagamento dos empréstimos, que passa de 96 meses para 120 meses.

Na prática, isso significa que os servidores poderão parcelar suas dívidas em até 10 anos. A medida faz parte do pacote de ações do Novo Desenrola Brasil, programa criado para estimular a renegociação de dívidas e ampliar o acesso ao crédito no país.

Além da extensão do prazo, o governo também reduziu o limite de comprometimento da renda com consignações. O teto caiu de 45% para 40% da remuneração do servidor.

As mudanças afetam diretamente milhões de servidores públicos federais e também influenciam o mercado financeiro, já que o consignado é uma das modalidades de crédito mais utilizadas no Brasil devido aos juros mais baixos.

Leia mais:

Entenda os Riscos do Empréstimo Consignado CLT

O que é o crédito consignado?

O crédito consignado é um tipo de empréstimo em que as parcelas são descontadas automaticamente da folha de pagamento ou do benefício recebido pelo contratante.

Como o risco de inadimplência é menor para os bancos, as taxas de juros costumam ser mais baixas em comparação com empréstimos pessoais tradicionais, cheque especial e cartão de crédito.

No caso dos servidores públicos, aposentados e pensionistas do INSS, essa modalidade se tornou uma das principais alternativas para reorganização financeira.

O que muda com o Decreto 12.957

O novo decreto trouxe duas alterações principais:

Prazo maior para pagamento

O prazo máximo passou de 96 meses para 120 meses.

Isso permite:

  • parcelas menores;
  • maior capacidade de renegociação;
  • redução do valor mensal pago;
  • possibilidade de substituir dívidas mais caras.

Por exemplo, um servidor que possuía uma dívida parcelada em 8 anos poderá renegociar o contrato para até 10 anos, reduzindo o impacto no orçamento mensal.

Redução do limite de consignação

O percentual máximo da renda comprometida caiu de 45% para 40%.

Antes, o servidor podia comprometer quase metade do salário com descontos automáticos. Agora, o objetivo do governo é reduzir o superendividamento e preservar parte maior da renda mensal.

Como fica a divisão da margem consignável

Com as novas regras, a margem consignável dos servidores públicos federais passa a funcionar assim:

35% para empréstimos consignados

Essa parte é destinada aos contratos tradicionais de crédito consignado.

5% para cartão consignado

O percentual continua reservado para operações ligadas ao cartão de crédito consignado.

Essa divisão busca limitar o excesso de endividamento automático, especialmente em modalidades consideradas mais arriscadas financeiramente.

Qual é o objetivo do governo com as mudanças

As alterações fazem parte da estratégia do governo federal para:

  • estimular a renegociação de dívidas;
  • reduzir a inadimplência;
  • facilitar o acesso ao crédito;
  • evitar o superendividamento;
  • aumentar o poder de consumo da população.

O Novo Desenrola Brasil vem sendo usado como uma das principais ferramentas econômicas para reorganização financeira das famílias brasileiras.

Segundo especialistas do setor financeiro, ampliar o prazo pode ajudar quem enfrenta dificuldades momentâneas, mas também exige atenção para que a dívida não se prolongue por muitos anos.

Parcelas menores podem significar mais juros

Embora o aumento do prazo reduza o valor das parcelas, o custo total da dívida pode aumentar.

Isso acontece porque os juros continuam incidindo durante mais tempo.

Veja um exemplo prático:

  • Em um empréstimo de R$ 30 mil parcelado em 96 meses, o servidor pagaria parcelas mais altas, mas terminaria a dívida antes.
  • No prazo de 120 meses, a parcela diminui, porém o total pago ao final do contrato tende a ser maior.

Por isso, especialistas recomendam comparar o CET (Custo Efetivo Total) antes de contratar ou renegociar um consignado.

Mudanças também atingem aposentados do INSS

O pacote anunciado pelo governo também trouxe alterações para aposentados e pensionistas do INSS.

Entre os pontos debatidos estão:

  • novas condições de renegociação;
  • ajustes na margem consignável;
  • medidas de proteção contra superendividamento;
  • ampliação do acesso ao crédito com juros menores.

Nos últimos anos, o consignado do INSS passou por diversas mudanças devido ao crescimento acelerado da demanda e do número de beneficiários endividados.

Servidores devem avaliar o orçamento antes de contratar

Apesar das condições mais flexíveis, especialistas alertam que o crédito consignado exige planejamento.

Como o desconto é automático na folha de pagamento, o comprometimento excessivo da renda pode gerar dificuldades para despesas essenciais, como:

  • alimentação;
  • aluguel;
  • contas básicas;
  • saúde;
  • educação.

O ideal é que o servidor utilize o consignado para:

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  • quitar dívidas com juros maiores;
  • reorganizar a vida financeira;
  • enfrentar emergências;
  • evitar atrasos em contas essenciais.

Já o uso do crédito para consumo impulsivo pode aumentar ainda mais o endividamento.

Bancos devem ampliar oferta de crédito

Com o novo prazo de 120 meses, instituições financeiras tendem a ampliar as ofertas de consignado para servidores públicos.

Isso porque contratos mais longos aumentam a previsibilidade de pagamento e reduzem o risco para os bancos.

A expectativa do mercado é de crescimento nas operações de:

  • refinanciamento;
  • portabilidade de crédito;
  • renegociação de contratos antigos;
  • consolidação de dívidas.

O que o servidor deve observar antes de fechar contrato

Antes de contratar ou renegociar um consignado, é importante analisar:

Taxa de juros

Mesmo no consignado, as taxas podem variar entre instituições financeiras.

Custo efetivo total

O CET inclui juros, tarifas, seguros e demais encargos.

Prazo do contrato

Parcelas menores podem parecer vantajosas, mas aumentam o custo final.

Impacto no orçamento

É importante manter margem financeira para despesas inesperadas.

Possibilidade de portabilidade

Em alguns casos, transferir a dívida para outro banco pode reduzir os juros.

Novo decreto reforça combate ao superendividamento

Ao mesmo tempo em que amplia o prazo de pagamento, o governo reduziu o percentual máximo de comprometimento da renda.

A combinação dessas duas medidas mostra uma tentativa de equilibrar acesso ao crédito com proteção financeira dos servidores públicos.

O tema do superendividamento ganhou força nos últimos anos no Brasil, especialmente após o aumento do custo de vida, inflação elevada e crescimento do uso de crédito pelas famílias.

Com o novo decreto, o governo busca aliviar o peso das parcelas mensais sem permitir que uma parte excessiva do salário fique comprometida automaticamente.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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