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INSS e BPC devem ter novos valores em 2027 com reajuste do salário mínimo

O salário mínimo pode subir dos atuais R$ 1.621 para R$ 1.741 em 2027. Se a estimativa apresentada pelo governo for confirmada, milhões de aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC terão um aumento de R$ 120 no pagamento mensal. O valor de R$ 1.741 aparece na proposta do Orçamento da União para 2027. Ainda não […]

Avatar de Bruna Cassana Machado Bruna Cassana Machado · · 14 min de leitura
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O salário mínimo pode subir dos atuais R$ 1.621 para R$ 1.741 em 2027. Se a estimativa apresentada pelo governo for confirmada, milhões de aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC terão um aumento de R$ 120 no pagamento mensal.

O valor de R$ 1.741 aparece na proposta do Orçamento da União para 2027. Ainda não se trata, porém, do salário mínimo definitivo. O piso nacional dependerá do resultado da inflação até novembro de 2026 e da aplicação da política de valorização.

Para quem recebe exatamente um salário mínimo do INSS ou o Benefício de Prestação Continuada, o impacto é direto. Já os segurados com benefício acima do piso terão uma correção diferente, baseada no Índice Nacional de Preços ao Consumidor, o INPC.

Essa distinção é importante porque nem todos os beneficiários do INSS recebem o mesmo percentual de aumento.

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Qual é a previsão do salário mínimo para 2027?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O Projeto de Lei Orçamentária Anual, o PLOA, enviado pelo Governo Federal ao Congresso, trabalha com um salário mínimo de R$ 1.741 para 2027.

Em comparação com o piso de R$ 1.621 vigente em 2026, a diferença projetada é de R$ 120. Isso corresponde a um aumento nominal de aproximadamente 7,4%.

A palavra “nominal” indica que o cálculo compara apenas os valores em reais, sem descontar a inflação. Parte desse aumento servirá para recompor a perda do poder de compra provocada pela alta dos preços.

ComparaçãoValor
Salário mínimo de 2026R$ 1.621
Previsão para 2027R$ 1.741
Aumento previstoR$ 120
Variação nominal aproximada7,4%

A estimativa consta da proposta orçamentária apresentada pelo governo, mas poderá mudar. O valor definitivo costuma ser confirmado no fim do ano, quando os dados necessários para o cálculo já estão disponíveis.

Por isso, aposentados e beneficiários do BPC podem usar R$ 1.741 para planejamento, mas não devem considerar o valor como definitivamente aprovado.

Como o salário mínimo é calculado?

A política de valorização considera a inflação medida pelo INPC e um ganho real relacionado ao crescimento da economia. O INPC é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, e acompanha a variação dos preços para famílias de menor renda.

A correção pela inflação procura preservar o poder de compra. Se alimentos, remédios, transporte e outros itens ficam mais caros, o salário mínimo precisa subir para compensar ao menos parte dessa perda.

O ganho real representa o aumento acima da inflação. Pela regra, ele considera o crescimento do Produto Interno Bruto, o PIB, de dois anos antes, respeitando os limites definidos para a expansão das despesas públicas.

A política foi retomada pela Lei nº 14.663. Posteriormente, as regras fiscais passaram a limitar o ganho real do salário mínimo ao intervalo aplicado ao crescimento das despesas, evitando um aumento superior ao permitido pelo arcabouço fiscal.

Como o INPC usado no cálculo ainda não está fechado, o resultado final poderá ficar acima ou abaixo dos R$ 1.741 previstos no Orçamento.

Como ficam as aposentadorias que recebem o piso?

Nenhuma aposentadoria paga pelo Regime Geral de Previdência Social pode ficar abaixo do salário mínimo, quando se trata de benefício que substitui a renda do trabalhador.

Isso significa que aposentados e pensionistas que recebem o piso do INSS acompanharão integralmente o novo mínimo.

Se a previsão for confirmada, o pagamento passará de R$ 1.621 para R$ 1.741. O aumento mensal será de R$ 120.

No acumulado de 12 pagamentos regulares, a diferença chegará a R$ 1.440. Para aposentados e pensionistas que também têm direito ao décimo terceiro, o efeito total poderá alcançar R$ 1.560 ao considerar as 13 parcelas.

Esse cálculo é apenas uma comparação entre os dois valores. O total efetivamente recebido poderá variar por causa de descontos, empréstimos consignados, Imposto de Renda, pensão alimentícia ou outras deduções autorizadas.

Quem recebe acima do mínimo terá o mesmo percentual?

Não. Os benefícios do INSS acima do piso não acompanham necessariamente o mesmo percentual aplicado ao salário mínimo.

Para esse grupo, o reajuste anual costuma seguir o INPC acumulado no ano anterior. Portanto, a correção de 2027 dependerá da inflação medida entre janeiro e dezembro de 2026.

O percentual definitivo somente será conhecido depois da divulgação do INPC de dezembro. Em seguida, o governo publicará a portaria com a nova tabela dos benefícios e o teto previdenciário.

Um aposentado que recebe R$ 3 mil, por exemplo, não deve aplicar automaticamente o aumento aproximado de 7,4% previsto para o salário mínimo. Se fizer isso, poderá chegar a um valor maior do que aquele efetivamente devido.

Exemplo de cálculo acima do piso

Considere, apenas como exemplo, que o INPC acumulado de 2026 termine em 4,5%. Um benefício de R$ 3 mil teria a seguinte correção:

  • valor atual: R$ 3.000;
  • reajuste hipotético: 4,5%;
  • aumento: R$ 135;
  • novo valor: R$ 3.135.

Esse é um exemplo hipotético, não uma previsão oficial. O percentual real dependerá do INPC fechado de 2026 e da portaria publicada pelo governo.

Quem começou a receber o benefício durante 2026 poderá ter um reajuste proporcional. Nesses casos, o percentual varia conforme o mês de início do pagamento.

Por que quem recebe o mínimo pode ter aumento maior?

O salário mínimo reúne dois componentes: reposição da inflação e ganho real, dentro das regras legais. Já os benefícios acima do piso são corrigidos, em geral, somente pelo INPC.

Por isso, o reajuste do salário mínimo pode superar o aplicado às aposentadorias de maior valor.

Essa diferença não reduz nominalmente o benefício de quem recebe acima do piso. O valor continuará aumentando, mas poderá crescer em um percentual menor.

Com o passar dos anos, aposentadorias que começaram acima do salário mínimo podem se aproximar do piso. Isso ocorre porque o mínimo pode acumular ganhos reais que não são estendidos aos demais benefícios.

Quanto o BPC poderá pagar em 2027?

O Benefício de Prestação Continuada corresponde exatamente a um salário mínimo mensal. Portanto, se o piso for confirmado em R$ 1.741, esse também deverá ser o valor do BPC em 2027.

O aumento previsto será automático para quem já recebe o benefício. Não será necessário fazer um novo pedido apenas para obter o reajuste anual.

O BPC é destinado a:

  • pessoas idosas com 65 anos ou mais;
  • pessoas com deficiência de qualquer idade;
  • requerentes que atendam aos critérios de baixa renda e aos demais requisitos.

Embora seja administrado pelo INSS, o BPC não é uma aposentadoria. Trata-se de um benefício assistencial previsto na Lei Orgânica da Assistência Social, a LOAS.

Por essa razão, não exige contribuições anteriores à Previdência Social.

Qual será o limite de renda do BPC?

A regra administrativa geral considera a renda familiar mensal por pessoa igual ou inferior a um quarto do salário mínimo.

Se o piso de R$ 1.741 for confirmado, um quarto corresponderá a R$ 435,25. Esse seria o limite básico de renda por pessoa usado como referência em 2027.

Referência prevista para 2027Valor
Salário mínimo estimadoR$ 1.741
Um quarto do salário mínimoR$ 435,25
Metade do salário mínimoR$ 870,50

Para calcular a renda por pessoa, é preciso somar os rendimentos dos integrantes que fazem parte do grupo familiar considerado pelo BPC e dividir o resultado pelo número dessas pessoas.

Em um exemplo hipotético, uma família de quatro integrantes com renda considerada de R$ 1.600 teria renda mensal por pessoa de R$ 400. Esse resultado ficaria abaixo de R$ 435,25.

No entanto, o cálculo não consiste simplesmente em somar todo dinheiro recebido por qualquer pessoa que resida no imóvel. A legislação define quem integra a família para fins do BPC e quais rendimentos podem ser desconsiderados.

Entre as exclusões previstas estão, em determinadas condições, outro BPC e benefício previdenciário de até um salário mínimo recebido por pessoa idosa com mais de 65 anos ou por pessoa com deficiência.

Além da renda, a análise da vulnerabilidade pode considerar fatores previstos em lei, como comprometimento do orçamento familiar com despesas de saúde, tratamentos, medicamentos, fraldas e alimentos especiais não fornecidos pelo poder público.

Portanto, ultrapassar ligeiramente o critério de um quarto do salário mínimo não deve ser interpretado isoladamente como impedimento absoluto. A avaliação depende das regras aplicáveis e dos documentos apresentados.

Quais são os requisitos atuais do BPC?

Para pedir e manter o benefício, a pessoa deve estar inscrita no CPF e no Cadastro Único. As informações do CadÚnico precisam ter sido atualizadas há, no máximo, 24 meses.

Também existe exigência de registro biométrico do requerente ou de seu responsável legal em uma das bases aceitas pelo Governo Federal, ressalvadas as exceções regulamentadas.

As regras foram detalhadas pelo Decreto nº 12.534, que atualizou o regulamento do BPC. O texto estabelece como requisitos:

  • inscrição regular no CPF;
  • inscrição no Cadastro Único;
  • CadÚnico atualizado;
  • registro biométrico, salvo exceções;
  • atendimento ao critério de renda;
  • idade mínima de 65 anos, no caso da pessoa idosa;
  • comprovação da deficiência, quando o pedido for feito nessa modalidade.

Para a pessoa com deficiência, o diagnóstico de uma doença não garante sozinho o benefício. A avaliação verifica se existe impedimento de longo prazo que, em interação com barreiras, dificulte a participação plena e efetiva na sociedade.

O processo pode envolver avaliação social e perícia médica federal.

O aumento muda a quantidade de pessoas que podem pedir o BPC?

O reajuste do salário mínimo também eleva o valor de referência utilizado no critério de renda. Se o piso subir para R$ 1.741, um quarto passará a corresponder a R$ 435,25.

Na prática, algumas famílias com renda um pouco maior poderão passar a se enquadrar no limite matemático. Isso não significa que o benefício será concedido automaticamente.

Todos os outros requisitos continuarão sendo verificados. No caso da pessoa com deficiência, ainda será necessária a avaliação correspondente.

Também pode acontecer de uma família permanecer dentro do limite mesmo após aumento de algum rendimento, pois o próprio parâmetro do salário mínimo será corrigido.

O BPC paga décimo terceiro?

O BPC não paga décimo terceiro salário. A pessoa recebe 12 parcelas durante o ano, uma em cada mês.

Essa é uma das diferenças em relação às aposentadorias e pensões previdenciárias, que normalmente dão direito ao abono anual.

Se o benefício passar para R$ 1.741, o valor bruto correspondente a 12 meses completos será de R$ 20.892. Esse cálculo não inclui empréstimos, descontos autorizados ou eventuais períodos sem pagamento.

Uma aposentadoria no piso, por sua vez, poderá atingir R$ 22.633 brutos ao considerar 12 pagamentos mensais e o décimo terceiro integral.

O BPC deixa pensão por morte?

Não. Como o BPC é assistencial e não depende de contribuição previdenciária, ele não gera pensão por morte para os dependentes.

Quando o beneficiário morre, o pagamento é encerrado. Os familiares não passam a receber o mesmo benefício.

Isso não impede que outra pessoa da família faça seu próprio pedido se também atender aos requisitos. O novo requerimento será analisado individualmente.

A aposentadoria segue outra lógica. Se o segurado falecer, seus dependentes poderão ter direito à pensão por morte, desde que atendam às condições previdenciárias.

Quando o novo valor começará a ser pago?

O salário mínimo entra em vigor em janeiro. No entanto, o calendário do INSS paga os benefícios depois do período de competência.

Na prática, aposentados, pensionistas e titulares do BPC costumam receber o valor referente a janeiro no fim do próprio mês ou no início de fevereiro, conforme o calendário e o número final do benefício.

Quem recebe um salário mínimo normalmente aparece no primeiro grupo do cronograma. Os benefícios acima do piso seguem datas próprias divulgadas pelo INSS.

O calendário oficial de 2027 indicará os dias exatos. Para saber quando receber, o segurado deverá observar o penúltimo algarismo do Número do Benefício, desconsiderando o dígito verificador que aparece depois do traço.

O teto do INSS também mudará?

Sim. O teto previdenciário, que representa o maior valor pago pelo Regime Geral, também é atualizado anualmente.

Entretanto, ele não acompanha o percentual de valorização do salário mínimo. Assim como os benefícios acima do piso, o teto é corrigido conforme o INPC.

O valor exato do teto de 2027 somente será conhecido depois da divulgação da inflação de 2026 e da publicação da portaria oficial.

O reajuste também afetará as faixas de contribuição dos trabalhadores empregados, domésticos e avulsos. Para contribuintes que recolhem sobre o salário mínimo, como parte dos segurados facultativos, autônomos e microempreendedores individuais, a contribuição mensal também poderá aumentar.

Quem recebe auxílio por incapacidade também terá reajuste?

Benefícios previdenciários no valor do piso também acompanham o salário mínimo. Isso pode alcançar benefícios por incapacidade temporária, pensões e outras prestações que substituem a renda do segurado.

Quando o valor é superior ao mínimo, aplica-se a regra de reajuste correspondente aos benefícios previdenciários acima do piso.

Nem todo pagamento feito pelo INSS, porém, está sujeito ao piso constitucional. Existem prestações específicas que podem ter valor inferior ao salário mínimo, conforme a natureza e a legislação aplicável.

Por isso, o segurado deve conferir a espécie e o valor do seu benefício no extrato de pagamento disponível pelo Meu INSS.

O que aposentados e beneficiários precisam fazer agora?

Não é necessário solicitar o reajuste anual. Depois que o novo salário mínimo e o INPC forem confirmados, o INSS atualizará os benefícios automaticamente.

Até lá, o valor de R$ 1.741 deve ser tratado como uma estimativa para planejamento. O aposentado não deve assumir uma nova dívida contando com esse aumento antes da confirmação oficial.

Quem recebe o BPC deve aproveitar o período para verificar se o CadÚnico está atualizado e se existe alguma convocação pendente. Também é importante conferir a situação do CPF e do registro biométrico.

As consultas podem ser feitas pelo aplicativo ou site Meu INSS. O telefone 135 é o canal oficial para orientações e agendamentos relacionados aos benefícios administrados pelo instituto.

O próximo passo será acompanhar a divulgação do INPC de 2026 e o ato que fixará o salário mínimo definitivo. Somente depois desses anúncios será possível saber exatamente quanto cada aposentado, pensionista ou beneficiário do BPC receberá.

Perguntas frequentes

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Qual será o salário mínimo em 2027?

O Projeto de Lei Orçamentária prevê R$ 1.741, mas esse valor ainda é uma estimativa. O piso definitivo dependerá do resultado do INPC e da aplicação da política de valorização.

Quanto será a aposentadoria mínima em 2027?

Se o salário mínimo de R$ 1.741 for confirmado, aposentadorias e pensões que recebem o piso passarão para esse valor.

Quem recebe acima do mínimo também terá aumento de 7,4%?

Não necessariamente. Benefícios acima do piso são reajustados de acordo com o INPC acumulado em 2026, sem o mesmo ganho real aplicado ao salário mínimo.

Qual poderá ser o valor do BPC em 2027?

O BPC corresponde a um salário mínimo. Se a estimativa oficial for confirmada, o benefício passará para R$ 1.741 mensais.

Qual será o limite de renda do BPC?

Considerando o salário mínimo projetado de R$ 1.741, um quarto será igual a R$ 435,25 por pessoa. O valor definitivo dependerá da confirmação do novo piso.

O BPC terá décimo terceiro em 2027?

Não. Pelas regras atuais, o BPC não dá direito ao décimo terceiro salário.

É necessário pedir o reajuste no Meu INSS?

Não. O aumento anual é aplicado automaticamente. O beneficiário não precisa fazer novo requerimento para receber o valor reajustado.

Quando o novo valor será recebido?

O reajuste valerá para a competência de janeiro. O pagamento deverá ocorrer no fim de janeiro ou início de fevereiro, conforme o calendário do INSS.

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