O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomou uma decisão crucial para enfrentar a crise climática e ambiental no Brasil. Em um movimento que destaca a gravidade da situação das queimadas no País, Dino autorizou a abertura de crédito extraordinário fora da meta fiscal estabelecida para o ano de 2024.
Governo recebe autorização para usar crédito fora da meta fiscal para combate a incêndios
O ministro Flávio Dino autoriza uso de crédito extraordinário fora da meta fiscal para combater incêndios no Brasil. Decisão inclui medidas emergenciais
A medida, publicada no último domingo, 15 de setembro, permitirá ao governo federal utilizar recursos adicionais exclusivamente para o combate a incêndios que devastam importantes biomas brasileiros, como a Amazônia e o Cerrado.
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Contexto e Justificativa da Decisão
A autorização concedida por Dino é uma resposta direta à crise ambiental agravada pelas queimadas, que já afetaram cerca de 60% do território nacional. O ministro comparou a situação atual com as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul meses atrás, argumentando que a gravidade das queimadas exige medidas excepcionais semelhantes às adotadas na ocasião das enchentes.
“A semelhança jurídica é nítida em relação às recentes enchentes no Rio Grande do Sul, que redundaram em intensas medidas de socorro e reparação,” afirmou Dino em sua decisão. “Sob a perspectiva de conflito entre valores constitucionais (Responsabilidade Fiscal e Responsabilidade Ambiental), deve-se fazer preponderar aquele que possui o maior risco de extinguir-se irremediavelmente, qual seja, o Meio Ambiente e a Vida das populações afetadas,” acrescentou.

Medidas Emergenciais e Utilização de Recursos
A autorização de gasto fora do arcabouço fiscal será válida até o final de 2024. Os recursos extraordinários serão destinados exclusivamente ao combate ao fogo e à gestão dos incêndios.
A decisão também inclui a suspensão do intervalo de três meses para a contratação de brigadistas temporários pelos órgãos ambientais, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Além disso, o ministro autorizou o uso dos recursos do Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-fim da Polícia Federal (Funapol) para apoiar investigações sobre crimes ambientais, como queimadas ilegais na Amazônia e no Pantanal. Esta medida visa fortalecer a capacidade de fiscalização e controle das atividades criminosas que agravam a crise ambiental.
Impactos das Queimadas e Situação Atual
Os dados são alarmantes. Em agosto de 2024, o Brasil viu a destruição de aproximadamente 5,65 milhões de hectares de vegetação, uma área equivalente ao estado da Paraíba.
No total, desde o início do ano, foram devastados quase 11,4 milhões de hectares, o que representa um aumento de 116% em relação ao ano anterior. Esses números, coletados pelo Monitor do Fogo, do MapBiomas, são os mais altos desde o início da série histórica em 2019.
“A escalada de focos de fogo em todo o País é a pior desde o início da série histórica do MapBiomas,” informou a organização. “Em várias regiões, a fumaça de incêndios tem deixado o ar poluído e causado fenômenos como a ‘chuva preta’, registrada no Rio Grande do Sul.”
Resposta do Governo e Críticas
Apesar das medidas emergenciais agora autorizadas por Dino, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia sido alertado sobre a seca e os riscos de incêndios florestais desde o início do ano. Documentos oficiais, incluindo ofícios, notas técnicas e atas de reuniões, indicam que o governo estava ciente da gravidade da situação.
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Após a publicação de uma reportagem que destacou a falta de ação preventiva, o Ministério do Meio Ambiente respondeu afirmando que o governo tomou medidas antecipadas, mas não conseguiu prever a magnitude dos eventos atuais. A pasta também ressaltou que a situação não pode ser controlada se a população continuar provocando incêndios.
“Ninguém esperava eventos nas proporções atuais e não é possível controlar a situação se o ‘povo’ continuar provocando incêndios,” declarou o Ministério.

Considerações Finais
A decisão do ministro Flávio Dino marca um momento crítico na luta do Brasil contra os incêndios florestais e a crise climática. A abertura de crédito extraordinário e a suspensão das restrições para a contratação de brigadistas representam esforços significativos para enfrentar uma das maiores emergências ambientais do País.
No entanto, a eficácia dessas medidas dependerá não apenas da alocação adequada dos recursos, mas também da implementação eficaz de estratégias para combater as causas das queimadas e proteger os biomas ameaçados.
A coordenação entre diferentes níveis de governo, o engajamento da sociedade civil e a fiscalização rigorosa serão essenciais para mitigar os danos ambientais e promover a recuperação das áreas afetadas. A crise atual serve como um lembrete urgente da necessidade de uma abordagem integrada e proativa para a proteção do meio ambiente e a promoção da sustentabilidade no Brasil.
Imagem: Jader Souza / AL Roraima
