O governo federal pretende aumentar o uso dos recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) em 2026, direcionando R$ 160,5 bilhões para habitação, saneamento, mobilidade urbana e infraestrutura. O pedido foi feito pelo Ministério das Cidades ao Conselho Curador do FGTS, com o objetivo de impulsionar programas sociais e obras de impacto direto na economia.
Governo solicita R$ 160 bi do FGTS para ampliar investimentos em 2026
Governo solicita R$ 160 bilhões do FGTS para habitação, saneamento e infraestrutura em 2026. Aposta é reforçar o Minha Casa, Minha Vida e novas obras.
O valor solicitado representa um aumento de cerca de 5% em relação aos R$ 152 bilhões aprovados para 2025, consolidando a expansão das políticas habitacionais no governo Lula. Segundo o ministro Jader Filho, o incremento reflete a prioridade do Executivo em ampliar o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e modernizar as cidades.
“Não é só o Minha Casa, Minha Vida. Parte disso é para saneamento, mobilidade e obras de infraestrutura nas cidades”, afirmou Jader Filho.
Em 2023, o orçamento do FGTS para esses fins era de apenas R$ 66 bilhões. Ou seja, o crescimento em três anos ultrapassa 140%, um avanço expressivo no uso do fundo para investimentos estruturais e sociais.
Leia mais:
Dia 28 é feriado? Entenda se vai folgar
FGTS: motor financeiro do desenvolvimento urbano

O FGTS, criado em 1966, é uma das principais fontes de financiamento de políticas públicas no Brasil. Formado por depósitos mensais feitos pelos empregadores em nome dos trabalhadores, o fundo é gerido pelo governo e tem como objetivo apoiar moradia popular, saneamento básico e infraestrutura urbana.
O uso intensivo desses recursos é uma estratégia do governo para movimentar a economia sem aumentar diretamente o gasto público. Na prática, o FGTS atua como um instrumento de crédito de longo prazo que estimula setores produtivos, gera empregos e melhora a qualidade de vida.
Em 2026, o Executivo quer fortalecer esse papel, com R$ 144,5 bilhões voltados apenas para o setor habitacional — o que inclui a ampliação das faixas do Minha Casa, Minha Vida e o lançamento de novos programas, como o Reforma Casa Brasil.
Habitação continua como prioridade de Lula
O foco habitacional é uma das marcas do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Desde o relançamento do Minha Casa, Minha Vida em 2023, o governo busca retomar obras paradas, subsidiar imóveis para famílias de baixa renda e fomentar a construção civil.
O pedido de R$ 160,5 bilhões ao FGTS reflete essa diretriz. Desse total, R$ 144,5 bilhões deverão ser aplicados exclusivamente em financiamentos habitacionais, um aumento de 1,8% em relação a 2025.
Em 2024, a alta demanda levou o governo a remanejar R$ 10 bilhões adicionais para o MCMV, após o esgotamento do orçamento previsto. O crescimento do crédito imobiliário e o reaquecimento do setor foram apontados como sinais de recuperação econômica.
“O programa tem um efeito duplo: movimenta a construção civil e garante moradia digna para milhões de famílias”, destacou Jader Filho.
Reforma Casa Brasil e a nova Faixa 4
Entre as novidades de 2025 está o Programa Reforma Casa Brasil, que amplia o alcance das políticas habitacionais. Com investimento de R$ 40 bilhões, sendo R$ 30 bilhões do Fundo Social e R$ 10 bilhões do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), o projeto oferece empréstimos de até R$ 30 mil para famílias com renda de até R$ 9.600 mensais.
O objetivo é permitir que 1,5 milhão de famílias possam reformar suas moradias até 2026, com juros reduzidos e suporte técnico gratuito. As operações devem começar em novembro de 2025.
Outra mudança estrutural foi a criação da Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida, destinada a famílias com renda entre R$ 8.600 e R$ 12 mil. Essa ampliação busca atender a classe média emergente, que frequentemente ficava fora das condições de financiamento com juros subsidiados.
O novo impulso do crédito imobiliário
Além dos recursos do FGTS, o governo aposta no crédito imobiliário privado como motor de expansão. Um novo modelo de financiamento com recursos do SBPE deve injetar R$ 50 bilhões adicionais no mercado imobiliário ao longo de 2026.
Com essa medida, 80% dos contratos financiados pelo SBPE deverão se enquadrar no Sistema Financeiro de Habitação (SFH), que possui juros limitados a 12% ao ano. O teto dos imóveis financiados também foi atualizado, abrindo espaço para novas faixas de financiamento.
Especialistas avaliam que essa combinação de políticas públicas e crédito privado cria um ambiente favorável ao investimento no setor da construção civil, que representa um dos pilares da geração de emprego e renda no país.
FGTS e o impacto macroeconômico

Do ponto de vista macroeconômico, o uso estratégico do FGTS reforça a política anticíclica adotada pelo governo Lula. Ao direcionar mais recursos para habitação e infraestrutura, o Executivo consegue:
- Estimular a economia sem aumentar o déficit fiscal;
- Criar empregos diretos e indiretos no setor da construção;
- Expandir o acesso ao crédito para famílias de baixa e média renda;
- Reduzir o déficit habitacional e melhorar indicadores sociais.
Analistas apontam que o setor imobiliário tem potencial de gerar até 1 milhão de empregos com a execução plena dos programas previstos para 2026.
Além disso, os investimentos em saneamento básico e mobilidade urbana trazem retornos de longo prazo, reduzindo gastos com saúde e melhorando a produtividade das cidades.
Desafios e limitações no uso do FGTS
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Apesar da importância estratégica, o uso crescente do FGTS desperta debates sobre sustentabilidade financeira. Como o fundo é formado pelos depósitos trabalhistas, seu equilíbrio depende do nível de emprego e da rentabilidade das aplicações.
Especialistas alertam que uma expansão acelerada dos financiamentos pode pressionar a liquidez do FGTS. Por isso, o Conselho Curador analisa com cautela os pedidos anuais de orçamento.
O governo, por sua vez, afirma que há folga suficiente nos recursos, e que o retorno dos empréstimos habitacionais garante a saúde do fundo. Em 2025, o FGTS apresentou lucro líquido superior a R$ 13 bilhões, permitindo inclusive a distribuição de parte dos ganhos aos trabalhadores.
Habitação, saneamento e infraestrutura como eixo do crescimento
O pedido de R$ 160 bilhões ao FGTS também reforça a estratégia do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC 3), que prioriza obras de infraestrutura, saneamento e urbanização.
Entre as metas estão:
- Universalização do saneamento até 2033, conforme o novo marco legal;
- Modernização da mobilidade urbana, com corredores de ônibus, ciclovias e expansão de metrôs;
- Ampliação de obras habitacionais populares, reduzindo o déficit de moradias estimado em 5,8 milhões de unidades.
O alinhamento entre FGTS, PAC e MCMV deve impulsionar investimentos totais acima de R$ 300 bilhões até o final de 2026, somando recursos públicos e privados.
Perspectivas para 2026
Caso o Conselho Curador do FGTS aprove integralmente o pedido, o governo pretende iniciar o ano de 2026 com o maior orçamento habitacional da história. A expectativa é que o volume de contratações no Minha Casa, Minha Vida cresça mais de 20% em relação a 2025.
O foco também estará na regularização fundiária e na modernização de moradias, ampliando o conceito de moradia digna e sustentável.
Jader Filho destacou ainda que o FGTS continuará como “o principal instrumento de financiamento social do país”, reforçando a sinergia entre políticas habitacionais, crédito e desenvolvimento urbano.
O pedido de R$ 160,5 bilhões do FGTS marca uma nova etapa na política de investimentos do governo Lula. Com o aumento de recursos para habitação, saneamento e infraestrutura, o Executivo aposta em um modelo de crescimento sustentável, que combina inclusão social e dinamismo econômico.
O FGTS, historicamente voltado para o bem-estar do trabalhador, assume novamente o papel de motor de desenvolvimento nacional, financiando obras, empregos e sonhos de moradia em todo o Brasil.
Pode ser do seu interesse:
