Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Governo fecha setembro com rombo de R$ 100 bi e acende alerta nas contas públicas

Governo registra rombo de R$ 100 bi até setembro e dispara sinal de alerta nas contas públicas. Saiba o que isso significa para 2025! Leia já!!

Erivelto LopesPor Erivelto Lopes8 min de leitura
Caixa Tem

O Governo Federal encerrou os primeiros nove meses de 2025 com um déficit primário de R$ 100,4 bilhões, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional. O número reacendeu o debate sobre a sustentabilidade das contas públicas e a capacidade do país de cumprir suas metas fiscais no curto prazo.

Em setembro, o rombo mensal chegou a R$ 14,5 bilhões, representando um aumento expressivo frente ao mesmo mês do ano anterior, quando o déficit havia sido de R$ 5,4 bilhões. A combinação de uma arrecadação em crescimento modesto e despesas aceleradas ligou o sinal de alerta sobre a trajetória das finanças públicas brasileiras.

Sede do Governo Federal em Brasília
Imagem: Alejandro Zambrana/ shutterstock.com

LEIA MAIS:

Governo Federal: Cenário geral das contas públicas

O que é o resultado primário

O resultado primário é o saldo entre receitas e despesas do governo, sem incluir o pagamento de juros da dívida pública. Quando o resultado é negativo, ocorre um déficit primário, indicando que o governo gastou mais do que arrecadou. Quando é positivo, trata-se de um superavit, ou seja, sobra de recursos antes dos juros.

Entre janeiro e setembro de 2025, o déficit primário acumulado chegou a R$ 100,4 bilhões, ligeiramente menor do que o registrado no mesmo período de 2024, quando o rombo havia sido de R$ 103,6 bilhões. Ainda assim, o valor preocupa, pois mostra que o equilíbrio das contas públicas segue distante da meta de déficit zero proposta para o ano.

Desempenho em setembro

Somente no mês de setembro, o saldo negativo foi de R$ 14,5 bilhões. Isso representa uma piora significativa frente a setembro de 2024. A receita líquida apresentou um aumento real de apenas 0,6% (R$ 1,1 bilhão), enquanto a despesa total subiu 5,7% (R$ 10,2 bilhões) no mesmo período.

Esse descompasso entre receitas e gastos mostra que, embora a arrecadação tenha crescido em termos nominais, as despesas continuam avançando de forma mais acelerada, pressionando o orçamento público e elevando o endividamento do país.

Fatores por trás do déficit

Receita: crescimento modesto e pontual

O aumento nas receitas administradas pela Receita Federal foi limitado. Houve queda de 1% no total dessas receitas, com destaque para recuos em alguns tributos importantes. Mesmo assim, houve alta na arrecadação de certos impostos, como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que cresceu R$ 2,3 bilhões, e o Imposto de Renda, com acréscimo de R$ 4,6 bilhões.

Em contrapartida, registraram-se quedas expressivas no Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas (IRPJ), que reduziu R$ 5 bilhões, e no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com retração de R$ 3,3 bilhões. Esses dados revelam que parte das receitas vem se concentrando em impostos mais voláteis, o que aumenta a vulnerabilidade fiscal.

Despesas: aumento significativo em áreas-chave

O aumento das despesas discricionárias, aquelas que não são obrigatórias e dependem de decisão orçamentária, foi um dos principais fatores que ampliaram o déficit. Em setembro, essas despesas cresceram R$ 10,6 bilhões, com destaque para a área de Saúde, que teve alta de R$ 4,1 bilhões.

Outros setores também registraram expansão, refletindo o esforço do governo em manter programas e investimentos, mesmo diante do desafio fiscal. Entretanto, essa expansão de gastos não foi acompanhada por um aumento equivalente de receita, o que agravou o desequilíbrio.

Previdência Social e Tesouro Nacional

O resultado conjunto do Tesouro Nacional e do Banco Central foi superavitário em R$ 6,4 bilhões. No entanto, a Previdência Social (RGPS) apresentou um déficit expressivo de R$ 20,9 bilhões, puxando o resultado geral para baixo.

A Previdência continua sendo um dos principais gargalos das contas públicas brasileiras, já que o envelhecimento populacional e o aumento de benefícios pressionam os gastos de forma contínua. Sem reformas estruturais, essa tendência tende a se agravar nos próximos anos.

Implicações para a política fiscal e macroeconomia

Meta fiscal ameaçada

O governo havia estabelecido como meta fiscal para 2025 o equilíbrio primário (déficit zero), com margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB. O resultado de R$ 100,4 bilhões negativos, portanto, indica que o objetivo dificilmente será alcançado sem cortes significativos ou aumento de arrecadação nos últimos meses do ano.

Essa dificuldade reforça a importância do novo arcabouço fiscal, que busca controlar o crescimento das despesas e criar previsibilidade nas contas públicas. Entretanto, os números mostram que o desafio é maior do que o esperado.

Aumento da dívida pública e impacto nos juros

Déficits primários persistentes elevam a dívida pública, pois o governo precisa se financiar no mercado para cobrir o rombo orçamentário. Isso, por sua vez, pode levar à alta dos juros e comprometer recursos que poderiam ser destinados a investimentos ou políticas sociais.

Além disso, a percepção de fragilidade fiscal tende a afetar a confiança dos investidores e pressionar o câmbio, elevando custos de financiamento e aumentando a volatilidade econômica.

Repercussões políticas e sociais

Do ponto de vista político, o aumento do déficit cria tensões dentro do próprio governo, que precisa equilibrar o discurso de responsabilidade fiscal com as demandas por ampliação de programas sociais e investimentos públicos.

Já do ponto de vista social, há o risco de que cortes necessários para conter o gasto impactem diretamente áreas sensíveis, como Saúde e Educação. A escolha de onde ajustar o orçamento será determinante para a credibilidade e a estabilidade do país nos próximos meses.

Caminhos possíveis para a correção

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Aumentar a eficiência arrecadatória

Elevar a arrecadação sem aumentar impostos é um desafio constante. Uma das alternativas é melhorar a eficiência da cobrança tributária, reduzindo a evasão e modernizando os sistemas da Receita Federal. Investimentos em tecnologia e cruzamento de dados podem ampliar a base de contribuintes sem onerar excessivamente o setor produtivo.

Outra frente importante é a reforma tributária, que busca simplificar o sistema, reduzir distorções e aumentar a previsibilidade para empresas e consumidores. Essas medidas, combinadas, poderiam gerar um ganho estrutural de arrecadação no médio prazo.

Controle de gastos e revisão de prioridades

Do lado das despesas, a revisão de gastos públicos é essencial. O governo precisa identificar programas que geram pouco retorno social ou econômico e redirecionar recursos para áreas prioritárias. Isso exige planejamento, avaliação constante e, principalmente, vontade política.

Também é fundamental controlar o crescimento automático das despesas obrigatórias, especialmente na Previdência, e garantir que novos gastos estejam acompanhados de fontes de receita permanentes.

Planejamento de médio e longo prazo

A adoção de um plano fiscal de médio prazo, com metas claras e realistas, pode ajudar o país a retomar a confiança dos investidores. O objetivo deve ser alcançar superávit primário nos próximos anos, criando espaço para reduzir a dívida e aumentar a capacidade de investimento público.

Para isso, é necessário combinar responsabilidade fiscal com políticas que estimulem o crescimento econômico. Sem crescimento, o esforço de ajuste tende a ser mais doloroso e politicamente difícil.

Perspectivas para o fim de 2025

Com apenas três meses restantes para o encerramento do ano, as perspectivas não são otimistas. Mesmo com eventuais ganhos de arrecadação no último trimestre, o resultado fiscal dificilmente será revertido. A tendência é que o governo encerre 2025 com déficit primário acima de R$ 120 bilhões, caso não haja medidas drásticas de contenção de despesas.

Especialistas apontam que, para 2026, será necessário um esforço ainda maior para reequilibrar as contas, com possíveis ajustes em benefícios, subsídios e despesas administrativas. O desafio é grande, mas inevitável para garantir a sustentabilidade das finanças públicas.

Febraban
Imagem: Edição Seu Crédito Digital

O rombo de R$ 100,4 bilhões nas contas do Governo Federal até setembro de 2025 é um retrato fiel dos desafios fiscais do país. Apesar de uma leve melhora em relação ao ano anterior, o resultado está muito distante da meta estabelecida e reforça a urgência de um plano consistente de ajuste.

O aumento de despesas em ritmo superior ao da arrecadação e o impacto da Previdência Social evidenciam que o equilíbrio fiscal exige medidas estruturais e disciplina política. O Brasil está diante de uma encruzilhada: ou promove um ajuste responsável agora, ou enfrentará, em breve, um cenário de endividamento crescente e menor capacidade de investimento público.

Com planejamento, transparência e prioridade no uso dos recursos, o país ainda pode reverter essa trajetória e retomar o caminho da estabilidade econômica. O tempo, porém, é curto — e a credibilidade fiscal depende das decisões tomadas nos próximos meses.

Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.

Erivelto Lopes

Autor

Erivelto Lopes

Erivelto Lopes é redator no portal Seu Crédito Digital, com forte compromisso com a verdade, responsabilidade e qualidade da informação. Atua diariamente na produção de conteúdos claros e confiáveis sobre benefícios sociais, economia e atualidades que impactam a vida do cidadão. É apaixonado por informar com agilidade, sempre buscando traduzir temas complexos de forma acessível.

Topicos relacionados