O Governo Federal anunciou uma nova medida para lidar com as recentes barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros: a compra de alimentos que seriam exportados para destiná-los à rede de assistência social no país. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (7/8) pelo ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, durante o programa Bom Dia, Ministro, transmitido pelo Canal Gov, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
A iniciativa tem como principal objetivo proteger os pequenos produtores brasileiros, especialmente aqueles envolvidos com alimentos perecíveis como frutas, peixes e o açaí, que perderam mercado com a entrada em vigor, nesta semana, de tarifas de 50% sobre parte das exportações nacionais aos EUA.
“Frutas, alimentos perecíveis, peixes, por exemplo, o açaí, ou seja, aquilo que a gente exporta, nós estamos criando, agora, uma proteção. […] Nós vamos comprar o alimento que ia pra exportação e vamos utilizar na rede, por exemplo, de alimentação escolar”, afirmou Wellington Dias.
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Rede de acolhimento será um dos principais destinos

Segundo o ministro, os alimentos adquiridos serão distribuídos em equipamentos públicos de assistência social como escolas públicas, creches, asilos, instituições de apoio a pessoas com deficiência, como as APAEs, e centros de acolhimento institucional. Atualmente, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) coordena cerca de 34 mil unidades de acolhimento em todo o Brasil, que atendem a públicos em situação de vulnerabilidade social.
“Ali a gente vai trabalhar a nossa rede. A ordem do presidente (Lula) é proteger nossos produtores, especialmente os pequenos, especialmente nessa área de alimento”, completou Dias.
Medida é resposta a tarifas dos EUA
A ação do governo ocorre após a entrada em vigor, na quarta-feira (6/8), de tarifas de 50% sobre aproximadamente 35% dos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. A medida impacta diretamente o escoamento de alimentos perecíveis, que têm pouca margem de armazenamento e grande dependência de logística ágil.
Apesar de não ter detalhado como o apoio será operacionalizado, Wellington Dias afirmou que haverá uma articulação interministerial envolvendo, além do MDS, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Governo também busca novos mercados
Em paralelo à compra interna de alimentos, o governo brasileiro pretende buscar alternativas de mercado para evitar prejuízos ainda maiores aos produtores. O ministro citou o exemplo do estado do Piauí, que já começou a buscar novos destinos para o mel, um dos produtos afetados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.
“Vamos seguir adiante, buscar outros mercados também. O meu estado já está buscando outros mercados para o mel, o mel do Piauí. E com certeza são produtos que temos, sim, demanda por outros países”, afirmou.
Diplomacia como caminho prioritário

Wellington Dias também destacou que o governo brasileiro está conduzindo a questão com diálogo e diplomacia. Segundo ele, o presidente Lula designou o vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, para liderar as negociações com o apoio do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
“O Brasil sempre foi um país, ainda mais com o presidente Lula, de paz, diálogo, e é isso que a gente quer prosseguir. Mas, é claro, defender a soberania, defendendo aqui a pátria, defendendo o interesse do povo brasileiro”, pontuou.
A expectativa é de que o plano de apoio aos produtores, bem como a estratégia de redirecionamento de exportações, seja detalhado em breve. A medida não apenas atende aos agricultores afetados pelas novas tarifas, mas também fortalece a política de segurança alimentar do governo federal.
Com informações de: Agência Gov
