O Governo Federal intensificou uma movimentação política no Congresso Nacional para aprovar, ainda em 2025, o Projeto de Lei nº 5.582/2025, que altera o Código Penal e o Código de Processo Penal para permitir que criptomoedas apreendidas em operações contra o crime organizado sejam convertidas imediatamente em moeda nacional.
Lula envia projeto para converter criptomoedas apreendidas em Reais
Governo pede urgência para projeto que autoriza a venda de criptomoedas apreendidas e altera o Código Penal. Entenda como a medida pode impactar a Justiça.
A proposta foi assinada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, e enviada ao Congresso em regime de urgência. Se o texto não for votado até 18 de dezembro de 2025, outras pautas legislativas serão suspensas a partir de 19 de dezembro.
Segundo o governo, o objetivo é enfraquecer as finanças de facções criminosas, impedir a desvalorização das criptomoedas apreendidas e acelerar a entrada desses recursos nos cofres públicos.
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Alteração no Código de Processo Penal
O projeto modifica o artigo 144-E do Código de Processo Penal (Decreto-Lei nº 3.689/1941) e amplia o escopo de bens que podem ser liquidados logo após a apreensão, incluindo:
- Moedas estrangeiras
- Títulos e valores mobiliários
- Cheques
- Ativos digitais (como bitcoin e outras criptomoedas)
Conversão imediata em reais
Assim que forem apreendidas em operações policiais ou investigações criminais, as criptomoedas poderão ser enviadas para instituições financeiras autorizadas pelo governo, que irão convertê-las em reais. Caso a venda não seja possível de imediato, os ativos ficarão custodiados até decisão final da Justiça.
Objetivo oficial
O governo argumenta que a conversão imediata evita:
- Perda de valor das criptomoedas (devido à volatilidade)
- Que facções criminosas usem os criptoativos como cofre paralelo
- Custos de armazenamento e segurança desses ativos no longo prazo
Segundo Lewandowski, a proposta é essencial para “asfixiar financeiramente organizações criminosas”. Para Messias, a medida moderniza o sistema judicial e acompanha a evolução das tecnologias financeiras.
Por que o governo quer vender as criptomoedas apreendidas?
Contexto estratégico
O Ministério da Justiça afirma que o uso de criptomoedas por facções criminosas e grupos envolvidos em lavagem de dinheiro cresceu de forma exponencial nos últimos anos. A AGU também destaca que o texto segue recomendações internacionais, como as do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI).
Efeitos esperados
- Agilidade no bloqueio do capital ilícito
- Reforço nas finanças públicas
- Redução de riscos operacionais na gestão dos criptoativos apreendidos
O governo considera que esperar decisão judicial final pode levar anos, enquanto o valor das criptomoedas pode cair drasticamente no período.
Polêmica: e se o investigado for considerado inocente?
O projeto não define como será feita a restituição dos valores caso o acusado seja absolvido após a liquidação dos ativos.
Possíveis conflitos jurídicos apontados por especialistas
| Risco apontado por juristas | Motivação da crítica |
|---|---|
| Violação da presunção de inocência | O bem é vendido antes da sentença final. |
| Insegurança jurídica | Dificuldade para ressarcir valores liquidados. |
| Questionamento constitucional | Possível violação do direito de propriedade. |
Mesmo com as críticas, o governo defende que a proposta traz eficiência, transparência e garante agilidade no processo penal.
Regime de urgência: o que significa na prática
Prazos e consequências
- Votação na Câmara: até 18/12/2025
- Se não for votado: travamento da pauta legislativa
- Próximas etapas: Senado → sanção presidencial
Disputa no Congresso: liquidação imediata x criação de reserva nacional de bitcoins
Além do PL 5.582/2025, tramita outro projeto que propõe criar uma reserva nacional de bitcoins com criptomoedas apreendidas — uma espécie de patrimônio digital estatal.
Comparativo entre os modelos
| Modelo defendido pelo governo | Modelo alternativo (reserva) |
|---|---|
| Venda imediata | Manutenção dos bitcoins como patrimônio público |
| Rápido reforço ao caixa da União | Potencial valorização futura |
| Simplificação operacional | Exige custódia e gestão contínua |
Motivações políticas e econômicas
O Governo Federal busca aumentar a arrecadação sem elevar impostos. A liquidação de ativos digitais apreendidos pode:
- Gerar receita extra
- Demonstrar eficiência no combate ao crime organizado
- Reduzir gastos com custódia de bens
Como funciona hoje e como ficará se o PL for aprovado
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Situação atual
- Criptomoedas apreendidas ficam bloqueadas e custodiadas.
- Só podem ser liquidadas após decisão final.
Situação com o PL aprovado
- Juiz poderá autorizar venda imediata após apreensão.
- Dinheiro vai para conta judicial ou Tesouro Nacional.
Impacto no Judiciário
Especialistas afirmam que a mudança poderá desafogar processos, já que casos com criptoativos exigem perícias demoradas.
Mercado de criptomoedas acompanha com cautela
Analistas do setor reconhecem a necessidade de combater crimes financeiros, mas alertam para riscos:
- Excesso de poder estatal sobre o patrimônio
- Possível desvalorização do mercado ao vender grandes volumes
- Insegurança jurídica em caso de absolvição
Exchanges pedem que, se aprovado, o governo estabeleça critérios técnicos de venda, evitando impacto no mercado.
Conclusão
O Projeto de Lei 5.582/2025 marca um divisor de águas entre:
- controle estatal sobre criptomoedas
- garantia de direitos individuais
Enquanto o governo defende urgência para bloquear finanças criminosas, especialistas alertam para riscos jurídicos e possíveis abusos.
Com o prazo de votação se aproximando, Brasília se prepara para um dos debates mais intensos envolvendo política, economia e tecnologia.
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