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INSS: Médicos realizam protesto para explicar demora em perícias

Médicos peritos do INSS em Campo Grande denunciam descumprimento de acordos de greve e bloqueio de salários. Entenda mais!

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
INSS

Em Campo Grande, médicos peritos da Agência Anhanduí do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) realizaram uma manifestação na quarta-feira (12) para alertar a população sobre os impactos da demora no agendamento de perícias médicas. A greve, que já dura 174 dias, é resultado do descumprimento de acordos conquistados pelos profissionais em 2022. De acordo com os manifestantes, a situação está afetando diretamente a qualidade dos atendimentos e resultando em bloqueios de salários.

Liderados pelo médico perito Renato Lúcio Martins, os profissionais expuseram as dificuldades enfrentadas, explicando que a gestão da agência tem criado diferenciações entre servidores grevistas e não grevistas, além de forçar os médicos a aumentar a produtividade sem garantir as condições acordadas. O objetivo da greve é, principalmente, garantir que os direitos conquistados anteriormente sejam respeitados, especialmente no que diz respeito ao agendamento de perícias e à remuneração justa por suas atividades.

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O motivo da greve: descumprimento de acordos de 2022

Em 2022, após uma greve prolongada, médicos peritos do INSS conseguiram conquistar uma série de direitos, entre eles o agendamento máximo de 12 perícias diárias e a implementação de pontuação para faltosos. Essas medidas, segundo os profissionais, tornaram o trabalho mais eficiente e justo para ambas as partes, considerando a grande demanda por atendimentos no INSS.

No entanto, o descumprimento desses acordos pelo Ministério da Previdência Social foi o principal fator que levou à nova paralisação. Renato Lúcio Martins, que lidera a greve em Campo Grande, afirmou que, antes da paralisação atual, a gestão da agência começou a forçar um aumento na produtividade, exigindo que os médicos peritos realizassem 15 perícias por dia. Para isso, foi criada uma nova metodologia de cálculo, que dificultava o alcance das maiores bonificações que os médicos poderiam receber por atendimentos, o que gerou descontentamento na categoria.

“Os acordos conquistados em 2022 deixaram de ser cumpridos, e agora estamos sendo pressionados a trabalhar mais, sem que as condições anteriores sejam mantidas”, afirmou o médico perito.

O corte de salários: bloqueio nas agendas e descontos salariais

Uma das principais consequências da greve foi o bloqueio das agendas de perícias para os médicos grevistas. De acordo com a gestão do INSS, esse bloqueio é respaldado por uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que determinou que as agendas dos peritos em greve fossem canceladas até que a situação fosse resolvida. Com isso, muitas pessoas que precisavam passar por perícias médicas estão enfrentando o reagendamento de seus atendimentos para outro perito.

Além disso, os descontos salariais começaram a ser aplicados em março, com base na participação dos médicos na greve. Isso se deu após o INSS bloquear os atendimentos para os servidores que não estavam cumprindo a carga mínima de atendimentos exigida pelo ministério, o que resultou no corte total de salários dos profissionais grevistas.

Os médicos peritos alegam que esse corte de salários é uma retaliação ao movimento grevista, uma vez que a paralisação está amparada pela legislação grevista, que permite a ausência de até dois dias por semana para os grevistas. Contudo, os bloqueios completos de agendas e os descontos salariais não são apenas vistos como medidas de gestão, mas como uma tentativa de boicote ao direito de greve.

O posicionamento do INSS e o impacto na população

O INSS, por meio de nota oficial, justificou o bloqueio das agendas e os descontos salariais com base na decisão do STJ, que entendeu que a paralisação não poderia afetar gravemente os atendimentos à população. O STJ afirmou que, apesar da greve, o atendimento médico não está sendo interrompido de forma total, mas apenas gerido de maneira seletiva, com a alocação de peritos que não estão em greve para garantir a continuidade do serviço.

“A medida de bloqueio das agendas e os descontos salariais são uma tentativa de contornar os impactos da greve. Porém, isso tem gerado frustração entre os profissionais e atrasos nos atendimentos aos segurados”, comentou Renato Lúcio Martins.

De acordo com o INSS, as perícias que estavam agendadas com médicos em greve estão sendo reagendadas automaticamente pela Dataprev para outros profissionais que estão atendendo normalmente. Os beneficiários da perícia médica devem ser informados sobre o novo agendamento através da Central 135 ou por meio do aplicativo Meu INSS.

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A situação jurídica: decisão do STJ e o impacto nos acordos de greve

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Imagem: Freepik e Canva

Em relação ao acordo de greve de 2022, o STJ homologou o acordo na época, mas o descumprimento das condições levou a novas paralisações. A justiça negou, em 29 de janeiro de 2025, o pedido de liminar da Associação Nacional dos Peritos Médicos Federais, que buscava suspender os descontos salariais e o bloqueio das agendas dos grevistas.

A decisão do STJ considerou que a paralisação não afetava a continuidade do serviço de forma completa, mas apenas limitava a disponibilidade de alguns profissionais, sem inviabilizar por completo o atendimento ao público. O tribunal também apontou que o Tribunal de Contas da União (TCU) declarou a ilegalidade dos dispositivos do acordo de greve de 2022, alegando que a redução da produtividade dos peritos em 40% impactaria negativamente a eficiência do INSS.

O futuro da greve e as negociações

O movimento grevista continua, com os médicos peritos buscando garantir o cumprimento dos acordos de 2022 e protestando contra o bloqueio de salários. A categoria segue pressionando por uma nova rodada de negociações com o Ministério da Previdência Social, com o objetivo de restabelecer as condições acordadas e assegurar os direitos dos servidores grevistas.

A greve, embora tenha sido considerada legal, gerou uma tensão entre os servidores, a gestão do INSS e o Ministério da Previdência Social, colocando em xeque a eficiência do sistema de atendimentos periciais e os direitos dos médicos peritos.

“Queremos trabalhar dentro das condições acordadas, mas o governo tem se mostrado inflexível. Não é por aumento de salário, é por respeito aos acordos de 2022”, disse o médico perito Renato Lúcio Martins.

Imagem: pressfoto/ Freepik

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Vitória Monckes

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Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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