A greve dos motoristas de ônibus que operavam linhas da antiga Transwolff, na zona sul de São Paulo, terminou na tarde de segunda-feira (19), após a SPTrans afirmar que os pagamentos e as obrigações trabalhistas sob sua responsabilidade estão regularizados. A paralisação começou pela manhã e afetou o deslocamento de cerca de 267 mil passageiros, segundo a Prefeitura.
De acordo com a administração municipal, a circulação dos ônibus foi totalmente normalizada às 13h50. Durante a interrupção, o município acionou um esquema emergencial para reduzir os impactos sobre os usuários do transporte público.
A mobilização teve como principal motivo a cobrança por esclarecimentos sobre depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), contribuições ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e benefícios oferecidos aos funcionários. O episódio também trouxe à tona as dificuldades relacionadas à transição da operação da Transwolff para a gestão municipal.
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Os trabalhadores reivindicavam informações e garantias sobre o cumprimento de direitos trabalhistas, incluindo os depósitos do FGTS e do INSS. As cobranças também envolviam o plano de saúde e outros benefícios previstos para a categoria.
Desde que a Prefeitura de São Paulo assumiu a administração das operações, os funcionários passaram a cobrar esclarecimentos sobre a continuidade dessas obrigações após o encerramento dos contratos com a antiga concessionária.
A SPTrans, por sua vez, afirmou que os salários e benefícios estão em dia. Sobre o FGTS e o INSS, a empresa pública informou que os valores são depositados integralmente em juízo, enquanto aguarda uma deliberação judicial sobre o caso.
O depósito judicial consiste no direcionamento dos valores à Justiça, em vez do repasse convencional, enquanto a situação permanece pendente de decisão. Por isso, a discussão envolve não apenas a existência dos recursos, mas também a forma de regularização e comprovação dos recolhimentos.
Quantas linhas de ônibus foram afetadas pela paralisação?
A greve atingiu o lote D10, que atende passageiros da zona sul da capital paulista. Conforme as informações divulgadas sobre o encerramento do movimento, 34 linhas foram diretamente impactadas, prejudicando aproximadamente 267 mil pessoas.
Para reduzir os transtornos, a Prefeitura acionou o Plano de Atendimento entre Empresas em Situação de Emergência (Paese), mecanismo utilizado para reforçar o transporte coletivo quando há interrupções inesperadas.
O atendimento emergencial foi mantido até a retomada da operação nas garagens. Com o fim da paralisação, a administração municipal informou que o serviço havia voltado à normalidade no início da tarde.
Para os passageiros, o principal efeito foi a necessidade de buscar alternativas durante a manhã, período em que a interrupção comprometeu os deslocamentos para o trabalho, consultas médicas, compromissos e outras atividades cotidianas.
SPTrans diz que greve ocorreu sem aviso prévio
Além de informar que os pagamentos estão regularizados, a SPTrans classificou a paralisação como irregular por não ter recebido o aviso prévio de 72 horas exigido, segundo a administração municipal, para greves no transporte coletivo.
A empresa pública também informou que registrou um boletim de ocorrência relacionado ao movimento. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo foi procurada para fornecer informações adicionais sobre o registro.
A SPTrans comunicou ainda que os funcionários que deixaram de trabalhar durante a paralisação terão o dia descontado dos pagamentos.
A discussão sobre a legalidade do movimento, entretanto, deve ser diferenciada das reivindicações trabalhistas apresentadas pelos empregados. A alegação de irregularidade feita pela administração municipal não elimina, por si só, a necessidade de esclarecer eventuais dúvidas sobre depósitos e benefícios.
Plano de saúde dos funcionários continua em processo de contratação
Outra reivindicação dos trabalhadores envolve a assistência médica. Segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, o processo para contratar uma empresa responsável pelo plano de saúde foi iniciado em 3 de julho de 2026 e permanecia em fase de análise das propostas.
Enquanto a contratação não é concluída, os funcionários recebem uma verba compensatória, conforme informado pela administração municipal. O objetivo é manter uma compensação financeira durante o período de transição.
A pendência, porém, mostra que a regularização dos pagamentos salariais não encerra necessariamente todas as questões levantadas pelos empregados. A contratação do serviço de saúde depende da conclusão das etapas administrativas previstas no processo.
A secretaria também informou que está prestando esclarecimentos aos trabalhadores sobre os pagamentos e as obrigações trabalhistas.
Por que a Prefeitura assumiu as operações da Transwolff?
A Prefeitura de São Paulo assumiu oficialmente a gestão das operações da Transwolff em dezembro de 2025, depois de decretar a caducidade dos contratos com a concessionária.
A caducidade é uma medida administrativa que extingue uma concessão pública em razão do descumprimento de obrigações contratuais, observadas as exigências legais aplicáveis. No caso da Transwolff, a decisão ocorreu após questionamentos sobre o cumprimento de obrigações e investigações envolvendo suspeitas de infiltração do crime organizado no sistema de transporte municipal.
A empresa havia sido alvo de apurações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Civil, relacionadas a possíveis vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
As investigações também envolveram nomes ligados à política paulistana. O ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite foi citado nas apurações relacionadas à empresa. Eventuais responsabilidades individuais, contudo, dependem da análise das provas e das decisões das autoridades competentes.
A mudança de gestão teve como objetivo manter a prestação do serviço de transporte público e preservar os empregos dos trabalhadores, segundo a Prefeitura.
O que acontece agora com os trabalhadores e os passageiros?

Com o encerramento da greve, a prioridade imediata é manter a circulação dos ônibus e esclarecer as dúvidas dos funcionários sobre seus direitos.
Para os trabalhadores, os próximos pontos de atenção são a situação dos depósitos do FGTS e do INSS, a conclusão da contratação do plano de saúde e a comprovação das obrigações trabalhistas assumidas pela gestão municipal.
Para os passageiros, a expectativa é de continuidade do atendimento das linhas que passaram à administração da SPTrans. A normalização anunciada após a paralisação, entretanto, não significa que todas as questões trabalhistas tenham sido definitivamente resolvidas.
A reportagem da CNN Brasil informou que procurou o Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo e aguardava retorno.
Até que os esclarecimentos sejam concluídos, o acompanhamento das informações divulgadas pela SPTrans e pela Prefeitura é a principal forma de verificar eventuais mudanças no serviço.
Conclusão
A greve dos motoristas da antiga Transwolff chegou ao fim, mas as cobranças por garantias trabalhistas ainda exigem esclarecimentos durante a transição da operação para a SPTrans. Embora a Prefeitura tenha informado que o serviço foi normalizado e que os pagamentos estão em dia, a situação dos depósitos do FGTS e do INSS e a contratação do plano de saúde permanecem entre os pontos de atenção.
Para os passageiros, o principal desafio é garantir a continuidade do transporte público sem novas interrupções. Já para os trabalhadores, a expectativa é de que as pendências sejam esclarecidas e seus direitos preservados. A resolução dessas questões será fundamental para dar mais segurança aos funcionários e estabilidade à operação das linhas de ônibus na zona sul de São Paulo.
