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Greve nas universidades estaduais de SP continua em Unesp e Unicamp após fim da paralisação na USP

Greve estudantil continua na Unesp e Unicamp. Entenda as reivindicações, o impasse com as reitorias e os desafios financeiros das universidades.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Greve nas universidades estaduais de SP continua em Unesp e Unicamp após fim da paralisação na USP

A greve estudantil que mobiliza as principais universidades públicas paulistas segue ativa na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mesmo após o encerramento da paralisação na Universidade de São Paulo (USP).

O movimento reúne reivindicações relacionadas à permanência estudantil, ampliação da moradia universitária, reajuste de bolsas acadêmicas, contratação de docentes e servidores, além da criação de políticas de inclusão voltadas para estudantes transgênero.

A continuidade da greve evidencia desafios enfrentados pelas universidades estaduais paulistas em um contexto de pressão orçamentária, expansão das demandas estudantis e incertezas sobre o financiamento futuro das instituições.

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Quais são as principais reivindicações dos estudantes?

Divulgação/Governo de SP

Embora cada universidade tenha pautas específicas, os movimentos estudantis compartilham demandas consideradas estruturais para o funcionamento das instituições.

Entre os principais pontos estão:

  • Ampliação das políticas de permanência estudantil;
  • Construção e expansão de moradias universitárias;
  • Reajuste de bolsas acadêmicas e auxílios;
  • Contratação de professores e servidores técnicos;
  • Melhoria das condições de ensino e pesquisa;
  • Criação de cotas para pessoas transgênero;
  • Garantia de financiamento público para as universidades.

Segundo os estudantes, essas medidas são fundamentais para assegurar o acesso e a permanência de alunos de diferentes perfis socioeconômicos no ensino superior público.

Impasse entre estudantes e reitoria aumenta tensão na Unicamp

Na Unicamp, a paralisação teve início em 18 de maio e ganhou novos capítulos após um confronto institucional entre o movimento estudantil e a administração universitária.

Ocupação de prédio administrativo

Durante assembleia realizada no início da semana, estudantes decidiram ocupar o prédio da Diretoria Geral da Administração (DGA), setor responsável por importantes decisões administrativas da universidade.

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) alegou que a administração da instituição estaria pressionando pelo encerramento da greve sem formalizar propostas discutidas durante as negociações.

A ocupação foi encerrada ainda na mesma noite.

Reitoria condiciona negociações ao fim da greve

Após o episódio, a reitoria da Unicamp divulgou comunicado lamentando a ocupação e informou que a continuidade das negociações dependeria do encerramento da paralisação e da preservação dos espaços públicos da universidade.

O posicionamento aumentou o impasse entre as partes, dificultando avanços imediatos nas tratativas.

Moradia estudantil está entre os principais pontos de discussão

Um dos temas centrais da mobilização na Unicamp é a ampliação da oferta de moradia estudantil.

Recentemente, a universidade anunciou a compra de uma área de aproximadamente 44 mil metros quadrados no distrito de Barão Geraldo, em Campinas, com investimento de R$ 20 milhões destinado à expansão da infraestrutura habitacional para estudantes.

Estudantes cobram medidas imediatas

Apesar do anúncio, representantes do movimento estudantil afirmam que a iniciativa não resolve as necessidades atuais dos alunos que enfrentam dificuldades para custear moradia.

Outro ponto levantado pelos manifestantes envolve uma carta-compromisso assinada em 2023 para criação de um grupo de trabalho voltado à moradia estudantil no campus de Limeira.

Segundo os estudantes, esse grupo ainda não foi efetivamente instalado, o que alimenta a insatisfação com o andamento das propostas.

Suspensão de concursos amplia mobilização na Unesp

Na Unesp, a paralisação ganhou força após uma decisão administrativa relacionada às contratações previstas para este ano.

Concursos públicos foram temporariamente suspensos

No fim de maio, a reitoria anunciou a suspensão temporária da homologação de concursos para docentes, pesquisadores e servidores técnico-administrativos.

A medida permanecerá em vigor, ao menos, até o período pós-eleitoral, previsto para terminar em outubro.

Na prática, a decisão afeta a contratação de:

  • 150 docentes;
  • 100 servidores técnico-administrativos.

As vagas já estavam previstas no orçamento aprovado pela universidade para 2026.

Justificativa envolve queda na arrecadação

A administração da universidade informou que a medida busca preservar o equilíbrio financeiro diante da redução na arrecadação do ICMS, principal fonte de financiamento das universidades estaduais paulistas.

Segundo a reitoria, a cautela orçamentária tornou-se necessária para evitar impactos futuros na sustentabilidade financeira da instituição.

Docentes criticam decisão da administração

A suspensão das contratações também recebeu críticas da comunidade acadêmica.

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A associação que representa os docentes da Unesp argumenta que o orçamento aprovado pelo Conselho Universitário já contempla os recursos necessários para efetivar as admissões pendentes.

Segundo a entidade, a reposição de professores e servidores é essencial para enfrentar problemas relacionados à sobrecarga de trabalho, expansão dos cursos e manutenção da qualidade do ensino.

Para os estudantes, a suspensão reforça preocupações sobre o processo de precarização das estruturas acadêmicas.

Financiamento das universidades preocupa especialistas

O debate sobre a greve também trouxe à tona uma discussão mais ampla: o modelo de financiamento das universidades estaduais de São Paulo.

Dependência do ICMS

USP, Unesp e Unicamp recebem parte significativa de seus recursos por meio de uma parcela fixa da arrecadação do ICMS.

Entretanto, representantes das instituições apontam que o percentual destinado às universidades permanece sem alterações desde 1995, apesar do crescimento da estrutura universitária nas últimas décadas.

Nesse período, houve:

  • Ampliação de campi;
  • Criação de novos cursos;
  • Aumento do número de estudantes;
  • Expansão das atividades de pesquisa e extensão.

Reforma tributária gera novas dúvidas

Outro fator que preocupa gestores universitários é a transição prevista pela reforma tributária.

O ICMS será gradualmente substituído pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) até 2033.

Embora o processo tenha regras de transição definidas, dirigentes das universidades acompanham com atenção os possíveis impactos sobre o financiamento das instituições no longo prazo.

Governo de São Paulo destaca aumento nos repasses

Cecília Bastos/USP Imagens

O governo estadual afirma que os repasses para as universidades vêm sendo realizados conforme determina a legislação.

Segundo dados divulgados pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, as universidades estaduais receberam R$ 64,3 bilhões desde 2023.

De acordo com a pasta, esse valor representa crescimento de 28,9% em comparação com os quatro anos anteriores.

O governo sustenta que os investimentos demonstram o compromisso com o fortalecimento do ensino superior público e da pesquisa científica em São Paulo.

Crédito: Adusp

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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