A greve estudantil que mobiliza as principais universidades públicas paulistas segue ativa na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mesmo após o encerramento da paralisação na Universidade de São Paulo (USP).
Greve nas universidades estaduais de SP continua em Unesp e Unicamp após fim da paralisação na USP
Greve estudantil continua na Unesp e Unicamp. Entenda as reivindicações, o impasse com as reitorias e os desafios financeiros das universidades.
O movimento reúne reivindicações relacionadas à permanência estudantil, ampliação da moradia universitária, reajuste de bolsas acadêmicas, contratação de docentes e servidores, além da criação de políticas de inclusão voltadas para estudantes transgênero.
A continuidade da greve evidencia desafios enfrentados pelas universidades estaduais paulistas em um contexto de pressão orçamentária, expansão das demandas estudantis e incertezas sobre o financiamento futuro das instituições.
Leia mais:
Anvisa recua e confirma suspensão de produtos da Ypê
Quais são as principais reivindicações dos estudantes?

Embora cada universidade tenha pautas específicas, os movimentos estudantis compartilham demandas consideradas estruturais para o funcionamento das instituições.
Entre os principais pontos estão:
- Ampliação das políticas de permanência estudantil;
- Construção e expansão de moradias universitárias;
- Reajuste de bolsas acadêmicas e auxílios;
- Contratação de professores e servidores técnicos;
- Melhoria das condições de ensino e pesquisa;
- Criação de cotas para pessoas transgênero;
- Garantia de financiamento público para as universidades.
Segundo os estudantes, essas medidas são fundamentais para assegurar o acesso e a permanência de alunos de diferentes perfis socioeconômicos no ensino superior público.
Impasse entre estudantes e reitoria aumenta tensão na Unicamp
Na Unicamp, a paralisação teve início em 18 de maio e ganhou novos capítulos após um confronto institucional entre o movimento estudantil e a administração universitária.
Ocupação de prédio administrativo
Durante assembleia realizada no início da semana, estudantes decidiram ocupar o prédio da Diretoria Geral da Administração (DGA), setor responsável por importantes decisões administrativas da universidade.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) alegou que a administração da instituição estaria pressionando pelo encerramento da greve sem formalizar propostas discutidas durante as negociações.
A ocupação foi encerrada ainda na mesma noite.
Reitoria condiciona negociações ao fim da greve
Após o episódio, a reitoria da Unicamp divulgou comunicado lamentando a ocupação e informou que a continuidade das negociações dependeria do encerramento da paralisação e da preservação dos espaços públicos da universidade.
O posicionamento aumentou o impasse entre as partes, dificultando avanços imediatos nas tratativas.
Moradia estudantil está entre os principais pontos de discussão
Um dos temas centrais da mobilização na Unicamp é a ampliação da oferta de moradia estudantil.
Recentemente, a universidade anunciou a compra de uma área de aproximadamente 44 mil metros quadrados no distrito de Barão Geraldo, em Campinas, com investimento de R$ 20 milhões destinado à expansão da infraestrutura habitacional para estudantes.
Estudantes cobram medidas imediatas
Apesar do anúncio, representantes do movimento estudantil afirmam que a iniciativa não resolve as necessidades atuais dos alunos que enfrentam dificuldades para custear moradia.
Outro ponto levantado pelos manifestantes envolve uma carta-compromisso assinada em 2023 para criação de um grupo de trabalho voltado à moradia estudantil no campus de Limeira.
Segundo os estudantes, esse grupo ainda não foi efetivamente instalado, o que alimenta a insatisfação com o andamento das propostas.
Suspensão de concursos amplia mobilização na Unesp
Na Unesp, a paralisação ganhou força após uma decisão administrativa relacionada às contratações previstas para este ano.
Concursos públicos foram temporariamente suspensos
No fim de maio, a reitoria anunciou a suspensão temporária da homologação de concursos para docentes, pesquisadores e servidores técnico-administrativos.
A medida permanecerá em vigor, ao menos, até o período pós-eleitoral, previsto para terminar em outubro.
Na prática, a decisão afeta a contratação de:
- 150 docentes;
- 100 servidores técnico-administrativos.
As vagas já estavam previstas no orçamento aprovado pela universidade para 2026.
Justificativa envolve queda na arrecadação
A administração da universidade informou que a medida busca preservar o equilíbrio financeiro diante da redução na arrecadação do ICMS, principal fonte de financiamento das universidades estaduais paulistas.
Segundo a reitoria, a cautela orçamentária tornou-se necessária para evitar impactos futuros na sustentabilidade financeira da instituição.
Docentes criticam decisão da administração
A suspensão das contratações também recebeu críticas da comunidade acadêmica.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
A associação que representa os docentes da Unesp argumenta que o orçamento aprovado pelo Conselho Universitário já contempla os recursos necessários para efetivar as admissões pendentes.
Segundo a entidade, a reposição de professores e servidores é essencial para enfrentar problemas relacionados à sobrecarga de trabalho, expansão dos cursos e manutenção da qualidade do ensino.
Para os estudantes, a suspensão reforça preocupações sobre o processo de precarização das estruturas acadêmicas.
Financiamento das universidades preocupa especialistas
O debate sobre a greve também trouxe à tona uma discussão mais ampla: o modelo de financiamento das universidades estaduais de São Paulo.
Dependência do ICMS
USP, Unesp e Unicamp recebem parte significativa de seus recursos por meio de uma parcela fixa da arrecadação do ICMS.
Entretanto, representantes das instituições apontam que o percentual destinado às universidades permanece sem alterações desde 1995, apesar do crescimento da estrutura universitária nas últimas décadas.
Nesse período, houve:
- Ampliação de campi;
- Criação de novos cursos;
- Aumento do número de estudantes;
- Expansão das atividades de pesquisa e extensão.
Reforma tributária gera novas dúvidas
Outro fator que preocupa gestores universitários é a transição prevista pela reforma tributária.
O ICMS será gradualmente substituído pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) até 2033.
Embora o processo tenha regras de transição definidas, dirigentes das universidades acompanham com atenção os possíveis impactos sobre o financiamento das instituições no longo prazo.
Governo de São Paulo destaca aumento nos repasses

O governo estadual afirma que os repasses para as universidades vêm sendo realizados conforme determina a legislação.
Segundo dados divulgados pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, as universidades estaduais receberam R$ 64,3 bilhões desde 2023.
De acordo com a pasta, esse valor representa crescimento de 28,9% em comparação com os quatro anos anteriores.
O governo sustenta que os investimentos demonstram o compromisso com o fortalecimento do ensino superior público e da pesquisa científica em São Paulo.
Crédito: Adusp
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
