A confirmação de um foco de gripe aviária em uma granja comercial do município de Montenegro, no Mato Grosso do Sul, na última semana, levou à reativação de protocolos sanitários nacionais e internacionais e à suspensão de exportações de produtos avícolas para diversos países.
Gripe aviária: Anvisa segue vigilante, mas mantém liberação para viagens e cargas
Detecção de gripe aviária em granja de MS acende alerta sanitário e leva dez países a suspenderem exportações de produtos avícolas do Brasil.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em nota divulgada na sexta-feira (16), informou que acompanha o caso em articulação com o Ministério da Saúde, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e organismos internacionais.
Apesar do alerta, a Anvisa afirmou que ainda não há definição de medidas sanitárias temporárias voltadas a viajantes, transportes, cargas ou remessas postais. No entanto, operadores de terminais portuários, aeroportuários e de fronteiras foram orientados a manter planos de contingência atualizados.
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Detecção da doença em granja aciona alerta nacional

A detecção da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) em uma unidade comercial acende um sinal vermelho na cadeia produtiva de aves do país. Até então, os casos registrados em território brasileiro vinham sendo confinados a aves silvestres, sem impacto direto sobre a produção em larga escala ou exportações.
Com a confirmação em uma granja de produção intensiva, o Brasil entra em uma nova fase de enfrentamento da doença, que demanda protocolos rigorosos, como o abatimento sanitário, a desinfecção da área afetada e o monitoramento de granjas próximas.
O que diz a Anvisa sobre os riscos aos humanos
Em sua nota, a Anvisa afirmou que não há evidências de transmissão da gripe aviária por meio do consumo de carne de frango, ovos ou derivados devidamente cozidos.
A agência, no entanto, reforçou a importância da vigilância ativa em locais de trânsito internacional e recomendou que trabalhadores e viajantes que apresentem síndrome gripal e tenham tido contato com aves sejam avaliados segundo protocolos estabelecidos.
A agência também orienta o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) por profissionais de saúde e do setor avícola em zonas afetadas, além da adoção de barreiras sanitárias nos estabelecimentos comerciais e logísticos.
Exportações suspensas: países reagem com embargos regionais e estaduais

A repercussão internacional foi imediata. Até a publicação deste artigo, dez países haviam suspendido temporariamente as importações de produtos avícolas do Brasil. A lista inclui:
- Malásia
- China
- União Europeia
- Canadá
- África do Sul
- Chile
- Argentina
- Uruguai
- México
- Coreia do Sul
As suspensões seguem os acordos sanitários bilaterais, que preveem a paralisação imediata da certificação de exportações em caso de detecção da doença, seja por decisão do Brasil ou dos países compradores.
Japão formaliza embargo ao Rio Grande do Sul e a Montenegro
Nesta segunda-feira (20), o Japão também notificou oficialmente a suspensão da importação de aves vivas do Rio Grande do Sul e de produtos avícolas oriundos do município de Montenegro. A decisão, em consonância com os protocolos bilaterais sanitários, entra em vigor a partir de 16 de maio de 2025.
O Japão é um dos parceiros estratégicos do agronegócio brasileiro e tradicionalmente adota postura criteriosa em relação a surtos sanitários, o que amplia a pressão sobre o governo brasileiro para conter o foco e isolar completamente a área afetada.
Situação indefinida com outros parceiros comerciais
Alguns países ainda não anunciaram oficialmente mudanças no fluxo comercial com o Brasil, embora monitorem a situação de perto. É o caso dos Emirados Árabes Unidos, da Arábia Saudita e das Filipinas.
Com os Emirados Árabes e com as Filipinas, o Brasil mantém acordos de regionalização dos embargos, ou seja, a suspensão se aplica apenas à área geográfica diretamente afetada.
Já no caso da Arábia Saudita, o acordo vigente prevê a interrupção de exportações de todo o Estado onde o foco foi confirmado, o que pode resultar na suspensão integral de produtos avícolas do Rio Grande do Sul.
Risco econômico: impacto no setor de frango e ovos
O Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango, e o setor avícola representa uma das principais fontes de divisas da balança comercial agropecuária. Em 2024, as exportações brasileiras de carne de frango ultrapassaram 5 milhões de toneladas, com destaque para China, Japão, Emirados Árabes e União Europeia.
Com a suspensão de exportações, o setor já projeta perdas bilionárias caso o embargo se prolongue por semanas ou se expanda para outras regiões. Granjas de postura (produção de ovos) e incubatórios também sentem os efeitos indiretos da interrupção nos fluxos logísticos e comerciais.
Medidas do Ministério da Agricultura
O Ministério da Agricultura e Pecuária afirmou que está adotando todas as medidas recomendadas pelos protocolos internacionais, incluindo:
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- Abate sanitário das aves no foco identificado;
- Interdição da propriedade afetada;
- Rastreio de estabelecimentos vizinhos;
- Reforço na fiscalização nas rotas de transporte de animais;
- Comunicação contínua com organismos internacionais, como OIE e FAO.
O Mapa também destaca que o Brasil mantém o status de “livre de influenza aviária em produção comercial”, conforme classificação da Organização Mundial de Saúde Animal, e que a atuação rápida das autoridades é parte fundamental para preservar essa condição.
Ações preventivas e recomendações ao consumidor
Para os consumidores brasileiros, o Ministério da Saúde e a Anvisa reforçam que não há motivo para pânico, desde que os alimentos sejam cozidos adequadamente, atingindo temperaturas que eliminam a presença do vírus.
Recomendações para o público:
- Evitar contato com aves doentes ou mortas;
- Lavar bem as mãos após o manuseio de carnes cruas;
- Adquirir produtos avícolas de origem conhecida e fiscalizada;
- Manter aves domésticas em locais fechados e longe de animais silvestres.
Vigilância ativa e monitoramento contínuo

O Brasil conta com um sistema robusto de vigilância sanitária, que inclui laboratórios de referência, barreiras zoossanitárias e programas de inspeção permanentes.
A detecção precoce e a rápida resposta à gripe aviária são elementos decisivos para o controle da doença e para o restabelecimento da confiança internacional nos produtos avícolas nacionais.
A Anvisa, por sua vez, continuará monitorando as áreas de fronteira e reforçando a capacitação de profissionais de saúde para identificação de possíveis casos em humanos, embora até o momento não haja confirmação de infecção humana ligada ao foco de Montenegro.
Considerações finais
A detecção da gripe aviária em uma granja comercial no Mato Grosso do Sul, com impacto direto nas exportações brasileiras, evidencia a importância de vigilância constante, respostas rápidas e cooperação internacional frente a ameaças sanitárias.
Apesar do potencial impacto econômico, o Brasil demonstrou agilidade ao acionar os protocolos necessários e comunicar os parceiros comerciais de forma transparente. A atuação coordenada entre Anvisa, Mapa e Ministério da Saúde será crucial nos próximos dias para conter a propagação e minimizar os efeitos negativos sobre a cadeia produtiva.
Se controlado de forma eficaz, o episódio pode reafirmar a solidez do sistema sanitário brasileiro. Caso contrário, o país corre o risco de enfrentar uma crise de confiança em um de seus setores mais estratégicos da agroindústria global.
