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Haddad diz que Selic a 15% é “muito restritiva” e gera preocupação

Fernando Haddad critica Selic a 15% e afirma que juros estão muito acima da inflação. Ministro defende ajustes para alinhar política monetária.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
Selic

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (24) estar “preocupado” com o atual patamar da taxa Selic, fixada em 15% ao ano. O comentário veio após a decisão do Banco Central (BC), tomada na semana anterior (18), de elevar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual.

Embora Haddad tenha evitado confrontar diretamente a decisão, sua fala se somou ao coro de críticas sobre o nível dos juros no Brasil, que têm sido apontados como um entrave ao crescimento e à redução sustentável da inflação.

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Selic: a taxa que influencia toda a economia

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Imagem: Freepik e Canva

O que é a Selic e por que ela importa?

A Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) é a taxa básica de juros da economia brasileira. Definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, ela serve como referência para as demais taxas de juros praticadas no país, como as de empréstimos, financiamentos e investimentos.

Quando a Selic está alta, o crédito fica mais caro, o consumo tende a cair e, em tese, a inflação é contida. No entanto, a manutenção da taxa em patamares elevados por longos períodos pode prejudicar a retomada econômica, o emprego e o investimento produtivo.

Juros reais: acima da inflação

Um dos pontos centrais da crítica feita por Fernando Haddad é o descompasso entre os juros e a inflação projetada. A Selic está atualmente em 15% ao ano, enquanto as projeções de inflação para 2025 giram em torno de 4%. Isso implica um juro real (descontada a inflação) superior a 10%, um dos mais altos do mundo.

“É muito restritiva”, afirmou Haddad, referindo-se à taxa atual. “Está muito acima da inflação esperada, o que torna o ambiente econômico mais difícil.”

Banco Central sob nova liderança, mas com decisão conservadora

Gabriel Galípolo: continuidade ou renovação?

O presidente do Banco Central desde o início de junho é Gabriel Galípolo, ex-número dois do Ministério da Fazenda e indicado por Luiz Inácio Lula da Silva. A nomeação gerou expectativas de que a autoridade monetária pudesse adotar uma política mais alinhada com os objetivos do governo, especialmente no que diz respeito à redução dos juros.

Contudo, a elevação da Selic sob sua gestão frustrou parte dessas expectativas, sinalizando que o Banco Central continuará a agir com cautela em relação à inflação, ainda que sob nova liderança.

“O BC é autônomo, e isso precisa ser respeitado”, comentou Haddad, mas reforçou: “temos que observar os efeitos dessa política sobre a atividade econômica”.

Sinais de desaceleração preocupam o governo

Crescimento lento e crédito mais caro

Enquanto o governo Lula tenta emplacar uma agenda de crescimento com inclusão social, programas como o Minha Casa, Minha Vida, o PAC e o Desenrola Brasil enfrentam limitações no crédito e no consumo popular. Com juros altos, famílias e empresas evitam tomar empréstimos e parcelamentos.

O setor de varejo, por exemplo, registrou queda nas vendas em maio e junho, segundo o IBGE, enquanto a indústria apresenta sinais de estagnação. Para o governo, a política monetária contracionista pode estar limitando os efeitos positivos das políticas públicas.

Pressão interna por cortes na taxa

A fala de Haddad reflete uma pressão crescente dentro do governo para que o Banco Central inicie um ciclo de afrouxamento monetário ainda no segundo semestre de 2025. Alguns economistas ligados ao Planalto defendem uma Selic mais próxima de 10% ao ano como “mais compatível” com o atual quadro inflacionário.

No entanto, a ata da última reunião do Copom destaca a incerteza fiscal e o cenário externo volátil como justificativas para manter uma política conservadora.

Debate entre responsabilidade fiscal e estímulo ao crescimento

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Imagem: Salty View/ shutterstock.com

Haddad entre dois mundos

Como ministro da Fazenda, Fernando Haddad tem tentado equilibrar o compromisso com a responsabilidade fiscal — reforçado com o novo arcabouço aprovado em 2024 — com a necessidade de impulsionar o crescimento. A crítica à Selic deve ser lida nesse contexto: não se trata de desprezar os riscos inflacionários, mas sim de chamar atenção para os efeitos negativos do juro real excessivo.

“Estamos fazendo o dever de casa fiscalmente. Precisamos que a política monetária dialogue com isso”, afirmou o ministro em outro trecho da entrevista.

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O papel da inflação e das expectativas do mercado

Inflação controlada, mas expectativas instáveis

Apesar da crítica de Haddad, o Banco Central se apoia em indicadores de expectativa de inflação que ainda mostram desconfiança dos agentes econômicos quanto à manutenção da trajetória fiscal. Além disso, o aumento da Selic pode ter sido uma resposta à alta do dólar e à deterioração do cenário internacional, agravado por tensões geopolíticas e oscilação no preço do petróleo.

Juros e inflação: um dilema persistente

O Brasil vive, mais uma vez, o dilema entre controlar a inflação e estimular a atividade econômica. A crítica de Haddad reforça a tensão entre os dois principais eixos da política macroeconômica: fiscal (comando do governo) e monetária (autonomia do BC).

O que esperar nos próximos meses

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Imagem: Freepik e Canva

Próxima reunião do Copom

A próxima reunião do Copom está marcada para agosto. Até lá, os dados de inflação, atividade econômica e arrecadação federal serão fundamentais para definir os rumos da taxa Selic.

Caso a inflação siga controlada e haja sinais de desaceleração mais forte da economia, a pressão para corte de juros tende a aumentar, tanto dentro do governo quanto por parte do setor produtivo.

Possível mudança de discurso?

Embora Gabriel Galípolo tenha defendido a elevação da Selic por ora, há expectativa de que, com o avanço de sua gestão, ele possa rever o discurso e adotar uma postura mais flexível, caso os indicadores justifiquem.

Conclusão

A crítica de Fernando Haddad à Selic de 15% marca mais um capítulo do embate entre o Executivo e o Banco Central. Apesar de reconhecer a autonomia da autoridade monetária, o ministro sinaliza que o juro atual está desalinhado com os fundamentos da economia brasileira e representa um obstáculo ao crescimento sustentável.

Com a inflação sob controle e os desafios fiscais sendo enfrentados por meio de reformas, cresce a expectativa por uma virada de ciclo na política monetária, o que poderia dar novo fôlego ao consumo, ao crédito e ao investimento no país.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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