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Tecnologia substitui pessoas: veja como a IA está afetando a classe média americana

Descubra como a tecnologia já está eliminando empregos e afetando a classe média americana. Leia e entenda o futuro do trabalho!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Meta

A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma força transformadora que já impacta diretamente o mercado de trabalho dos Estados Unidos.

A tecnologia que antes parecia restrita a fábricas e linhas de montagem agora afeta profundamente os escritórios, as profissões de colarinho branco e, principalmente, a classe média americana.

Segundo dados do site Layoffs.fyi, somente em 2023 mais de 260 mil trabalhadores foram dispensados pelas grandes empresas de tecnologia.

E, pela primeira vez na história, a IA foi registrada como motivo oficial de demissão: 3.900 cortes atribuídos à automação, de acordo com a consultoria Challenger, Gray & Christmas.

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Classe média na linha de frente das demissões

demissões
Imagem: Reprodução / Freepik

Microsoft e Meta: cortes estratégicos com base em IA

Em maio de 2025, a Microsoft anunciou a demissão de cerca de 6 mil funcionários, representando 3% de sua força de trabalho global.

Relatórios do Departamento de Segurança do Emprego do estado de Washington revelam que os cortes atingiram principalmente cargos outrora considerados estáveis: engenheiros de software (22% das demissões), gerentes de produto, gerentes de programa técnico e conselheiros jurídicos.

Ao mesmo tempo, a Microsoft já produz 30% de seu código com IA e estima atingir 95% até 2030. A Meta, por sua vez, cortou 3.600 vagas em fevereiro de 2025, acompanhando uma tendência que também atinge Google e Amazon.

Bancos também automatizam o conhecimento

O setor financeiro não ficou atrás. Instituições como Morgan Stanley e Goldman Sachs adotaram sistemas de IA para atendimento ao cliente, substituindo analistas juniores — cargos tradicionalmente ocupados por recém-formados da classe média que buscavam ascensão profissional.

Uma mudança estrutural no mercado de trabalho

Automação acelerada pela IA generativa

A consultoria McKinsey estima que entre 15% e 30% das horas trabalhadas em ocupações de colarinho branco poderão ser automatizadas até 2030. Antes da ascensão da tecnologia de IA generativa, a previsão era de 21,5%; agora, esse número já chega a 29,5%.

O Fórum Econômico Mundial corrobora essa tendência, projetando a eliminação de 83 milhões de empregos no mundo entre 2023 e 2027, com a criação de apenas 69 milhões — saldo negativo de 14 milhões de postos.

Impactos sociais e econômicos desiguais

Concentração de renda e erosão da classe média

Enquanto a IA aumenta a eficiência das empresas, os benefícios não são distribuídos igualmente. Dados do Federal Reserve mostram que os 10% mais ricos dos EUA concentram 70% da riqueza. Em 1980, a classe média detinha 62% dos ativos nacionais; em 2023, essa participação caiu para 43%.

O Economic Policy Institute reforça esse desequilíbrio: entre 1979 e 2022, a produtividade aumentou 64,6%, enquanto os salários cresceram apenas 17,3%.

Profissões em risco com a automação

Engenharia de software e contabilidade

Áreas como engenharia de software, antes vistas como altamente seguras, já sofrem impactos diretos. Com ferramentas como GitHub Copilot e ChatGPT, tarefas repetitivas de programação estão sendo automatizadas.

Contadores, auditores e consultores financeiros também enfrentam desafios, com softwares que analisam balanços, simulam cenários e entregam relatórios com mínima intervenção humana.

Jornalismo e direito

O jornalismo passa por transformação com o uso de tecnologia de IA para geração de conteúdo automatizado. A plataforma educacional Chegg, por exemplo, demitiu 248 funcionários — 22% de seu quadro — citando queda na demanda após a popularização do ChatGPT.

Na área jurídica, softwares substituem paralegais na redação de contratos e pesquisa de jurisprudência. Escritórios de advocacia adotam soluções de IA para análise de documentos e consultoria preliminar.

Consultorias e escritórios corporativos

Empresas de consultoria também estão se adaptando. A McKinsey implantou o agente virtual Lilli para automatizar relatórios. A Bain, por sua vez, utiliza a IA Sage, desenvolvida pela OpenAI, enquanto a PwC incorporou o Microsoft Copilot em suas operações internas.

Produtividade em alta, empregos em queda?

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Benefícios da IA para empresas e trabalhadores

Embora o saldo de empregos seja negativo em muitos setores, a tecnologia de inteligência artificial também oferece oportunidades. Estudos indicam que o uso da IA generativa pode aumentar em até 33% a produtividade por hora.

Uma pesquisa conduzida entre agosto e novembro de 2024 revelou que 33,5% dos trabalhadores que usaram IA diariamente conseguiram economizar mais de quatro horas de trabalho por semana.

Um paradoxo: mais produtividade, menos renda?

Contudo, o aumento da produtividade não se traduz automaticamente em melhores salários ou segurança no emprego. A desconexão entre crescimento econômico e bem-estar do trabalhador é um dos principais desafios do atual modelo tecnológico.

O que dizem os especialistas?

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Imagem: Freepik

Oportunidade para requalificação ou ameaça definitiva?

Economistas como David Autor, do MIT, apontam que a IA também pode ser uma aliada da classe média, ao democratizar o acesso a ferramentas e conhecimento técnico.

No entanto, essa visão depende da implementação de políticas públicas voltadas à requalificação profissional, proteção social e adaptação da educação às novas realidades do mercado.

Urgência de políticas públicas

Sem um plano nacional para reconversão da força de trabalho, os EUA correm o risco de acentuar desigualdades já existentes. Incentivos à educação técnica, programas de treinamento em IA e regulação para garantir o uso responsável da tecnologia são algumas das saídas possíveis.

Conclusão

A inteligência artificial já não é apenas uma ferramenta de produtividade: ela está moldando o futuro do trabalho, ameaçando empregos da classe média e transformando a estrutura econômica dos Estados Unidos.

A urgência por medidas de adaptação, tanto no setor público quanto privado, é clara. O futuro do trabalho pode ser mais eficiente — mas também mais desigual, se não for cuidadosamente planejado.

Imagem: Canva

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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