O mercado financeiro começou a semana com forte aversão ao risco. O Ibovespa encerrou a segunda-feira (17) aos 166.783,57 pontos, queda de 0,09%, ampliando para dez sessões consecutivas de baixa.
Apesar da perda relativamente pequena no dia, o desempenho acumulado chama atenção. Desde o recorde de 198.657,33 pontos registrado em abril, o principal índice da Bolsa brasileira já recuou cerca de 16%.
O pregão foi marcado por fatores domésticos e internacionais. No Brasil, investidores acompanharam as repercussões do pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia e seus possíveis impactos sobre instituições financeiras. No exterior, a tensão envolvendo Estados Unidos e Irã voltou a pressionar os mercados, principalmente por causa do petróleo.
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O desempenho do Ibovespa foi limitado pela queda de importantes ações do setor financeiro. O Banco do Brasil (BBAS3) recuou 2,34%, fechando a R$ 17,95.
A instituição está entre os credores do Grupo Casas Bahia, o que aumentou a preocupação dos investidores com possíveis efeitos sobre sua carteira de crédito. O banco também enfrenta um ambiente desafiador relacionado ao crédito para o agronegócio.
O movimento mostra como problemas específicos de grandes empresas podem repercutir sobre ações de instituições financeiras. Como os bancos possuem exposição relevante a operações de crédito, eventos de recuperação judicial podem aumentar as preocupações com inadimplência e provisões.
Ao mesmo tempo, ações ligadas ao petróleo ajudaram a limitar a queda do índice, acompanhando a valorização da commodity no mercado internacional.
Casas Bahia chama atenção na Bolsa
Fora da carteira teórica do Ibovespa, o Grupo Casas Bahia (BHIA3) foi um dos principais destaques negativos do pregão.
As ações chegaram a registrar forte desvalorização após a companhia avançar com o pedido de recuperação judicial. O episódio reacendeu preocupações sobre a situação financeira da varejista e sobre a capacidade de reorganizar suas dívidas.
Para o acionista, a recuperação judicial representa um período de elevada incerteza. O processo pode envolver renegociação de dívidas, mudanças na estrutura financeira e medidas para preservar as operações da empresa.
A reação da Bolsa também evidencia que o mercado costuma antecipar riscos. Quando uma companhia enfrenta dificuldades financeiras graves, o preço das ações pode sofrer forte pressão antes mesmo de existir uma definição sobre o futuro da empresa.
Dólar interrompe sequência de altas
No câmbio, o dólar comercial terminou o dia próximo de R$ 5,20, com baixa de aproximadamente 0,4%.
A queda interrompeu uma sequência de cinco pregões de valorização da moeda norte-americana diante do real. Entre os fatores observados pelo mercado esteve a atuação do Banco Central, que realizou operação de liquidez no mercado de câmbio.
O comportamento do dólar também continua diretamente relacionado ao cenário externo. Em momentos de maior incerteza, investidores internacionais tendem a buscar ativos considerados mais seguros, especialmente a moeda norte-americana.
No Brasil, por outro lado, juros elevados podem contribuir para atrair capital estrangeiro e oferecer suporte ao real. O resultado diário, portanto, depende do equilíbrio entre fatores domésticos e internacionais.
Petróleo sobe com tensão entre EUA e Irã
No mercado internacional, o petróleo voltou a ganhar força diante do aumento das preocupações geopolíticas.
O Brent avançou mais de 2,5% e superou a marca de US$ 90 por barril, em meio às incertezas envolvendo Estados Unidos e Irã e aos riscos relacionados ao Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
A alta da commodity beneficiou empresas do setor. No mercado norte-americano, a Chevron registrou valorização, acompanhando o movimento do petróleo.
O problema é que uma alta persistente da energia pode aumentar a pressão sobre a inflação global. Combustíveis mais caros elevam custos de transporte e produção e podem afetar preços de diversos produtos.
Bolsas de Nova York fecham no vermelho
Em Wall Street, os principais índices também terminaram o dia em baixa.
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O Dow Jones caiu 0,51%, aos 53.459,79 pontos, enquanto o S&P 500 recuou 0,52%, aos 7.745,06 pontos. O Nasdaq-100 teve baixa de 0,32%, aos 26.644,91 pontos.
Além das tensões geopolíticas, investidores aguardavam novos resultados corporativos para avaliar a força do consumo nos Estados Unidos.
O petróleo mais caro também contribuiu para a cautela, principalmente porque uma eventual aceleração da inflação pode dificultar a condução da política monetária norte-americana.
Quais ações mais subiram no Ibovespa?
Mesmo em um pregão negativo, algumas empresas tiveram forte valorização. O destaque ficou com Magazine Luiza (MGLU3), que avançou 8,18%, para R$ 4,23.
Também tiveram alta expressiva Minerva Foods (BEEF3), com 5,94%; Braskem (BRKM5), com 5,48%; e Prio (PRIO3), que subiu 5,03%.
Ultrapar (UGPA3) avançou 4,80%, enquanto CSN Mineração (CMIN3) ganhou 4,33%.
O desempenho mostra que a queda do índice não significa necessariamente que todas as ações estejam recuando. O Ibovespa é composto por diferentes empresas e setores, que reagem de maneiras distintas às condições econômicas.
Quais ações mais caíram?

Entre as maiores quedas do dia, Suzano (SUZB3) perdeu 3,45%, enquanto Cosan (CSAN3) recuou 2,72%.
Hypera Pharma (HYPE3) caiu 2,48%, seguida por Banco do Brasil, com baixa de 2,34%. Hapvida (HAPV3) perdeu 2,23%, enquanto C&A Modas (CEAB3) recuou 2%.
Os movimentos refletem uma combinação de fatores específicos de cada companhia e do cenário macroeconômico.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital



