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Banco do Brasil: Citi reduz projeções de lucro e vê riscos maiores para BBAS3

Citi reduz preço-alvo de BBAS3 para R$ 18 e alerta para riscos no crédito, guidance e qualidade dos ativos do Banco do Brasil.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa··10 min de leitura
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O Citi reduziu de R$ 21 para R$ 18 o preço-alvo das ações do Banco do Brasil (BBAS3) e manteve recomendação neutra para os papéis. A instituição também colocou a ação em observação diante da possibilidade de novos catalisadores negativos, em um momento de maior preocupação do mercado com a qualidade do crédito e a capacidade de o banco entregar suas projeções.

A revisão ocorreu após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026. O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões no período, mas apresentou deterioração em indicadores de inadimplência, especialmente no agronegócio e no crédito para pessoas físicas.

Com isso, o Citi também reduziu suas estimativas para o lucro do banco. A projeção para 2026 passou de R$ 17,55 bilhões para R$ 16,6 bilhões, enquanto a estimativa para 2027 caiu de R$ 26,3 bilhões para R$ 21,1 bilhões.

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O que o Citi mudou na avaliação de BBAS3?

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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

A principal alteração foi a redução do preço-alvo da ação do Banco do Brasil. O valor estimado passou de R$ 21 para R$ 18, uma queda de aproximadamente 14,3% na projeção.

Apesar do corte, o Citi não passou a recomendar a venda de BBAS3. A classificação permaneceu neutra, indicando que, na avaliação dos analistas, o potencial de valorização não é suficiente para compensar os riscos identificados neste momento.

O banco também colocou BBAS3 em observação para possíveis catalisadores negativos. Isso significa que novos acontecimentos relacionados ao desempenho operacional, à qualidade da carteira de crédito ou ao capital podem provocar uma nova revisão das estimativas.

Entre os principais pontos de preocupação estão a deterioração dos ativos, a dificuldade potencial de cumprir as projeções de resultados e questões relacionadas à qualidade do capital.

Por que a qualidade do crédito preocupa o mercado?

A qualidade da carteira de crédito é um dos principais indicadores acompanhados pelos investidores de bancos.

Quando a inadimplência aumenta, a instituição precisa reconhecer maiores provisões para possíveis perdas. Isso pode reduzir o lucro e pressionar a rentabilidade.

No segundo trimestre de 2026, a inadimplência acima de 90 dias do Banco do Brasil chegou a 5,61%.

O agronegócio é um dos segmentos que mais chamam atenção. A inadimplência nessa carteira alcançou aproximadamente 6,27%, em meio às dificuldades enfrentadas por produtores rurais e ao aumento das renegociações de dívidas.

A exposição do Banco do Brasil ao setor é relevante. Em junho, o saldo de crédito destinado ao agronegócio estava em aproximadamente R$ 421,6 bilhões.

O problema, porém, não está restrito ao campo. A inadimplência entre pessoas físicas também apresentou pressão e chegou a 8,41% no segundo trimestre, com o cartão de crédito entre os segmentos que contribuíram para o aumento.

Banco do Brasil teve lucro maior, mas mercado continua preocupado

O resultado trimestral mostra que a situação do banco não pode ser avaliada apenas pelo lucro.

O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões entre abril e junho de 2026. O resultado representou alta de 3,3% em relação ao mesmo período do ano anterior e avanço de 13,9% sobre o primeiro trimestre.

A margem financeira bruta chegou a R$ 27,5 bilhões, crescimento de 9,6% em 12 meses.

A carteira de crédito expandida também ultrapassou R$ 1,3 trilhão, mostrando a dimensão da operação do banco.

O ponto de atenção está no custo necessário para sustentar esse crescimento. Uma carteira maior não significa necessariamente maior rentabilidade se o nível de inadimplência também estiver avançando.

Quando mais clientes deixam de pagar seus empréstimos, o banco precisa aumentar as provisões para perdas. Dessa forma, parte do crescimento das receitas pode ser consumida pelo aumento do risco de crédito.

É essa combinação que está no centro das preocupações do Citi.

O que é o guidance do Banco do Brasil?

Guidance é o conjunto de projeções financeiras divulgado pela própria companhia para indicar ao mercado o que espera alcançar em determinado período.

Para 2026, o Banco do Brasil trabalha com uma expectativa de lucro líquido ajustado entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões.

O problema apontado pelo Citi aparece quando essa projeção é comparada com suas próprias estimativas.

O banco de investimento espera que o Banco do Brasil registre R$ 16,6 bilhões de lucro líquido ajustado em 2026. Ou seja, a projeção está abaixo do piso de R$ 18 bilhões estabelecido pelo próprio banco.

Para 2027, a estimativa do Citi também ficou mais conservadora. A projeção caiu de R$ 26,3 bilhões para R$ 21,1 bilhões.

Isso não significa que o Banco do Brasil necessariamente deixará de cumprir seu guidance. A diferença mostra apenas que o Citi passou a trabalhar com um cenário mais cauteloso diante dos indicadores recentes.

Quais são os principais riscos para BBAS3?

A análise do Citi concentra a preocupação em três grandes áreas: qualidade dos ativos, cumprimento das projeções e qualidade do capital.

Inadimplência e provisões

O primeiro risco está relacionado à continuidade do aumento dos atrasos.

Se a inadimplência continuar elevada, o Banco do Brasil poderá precisar manter provisões maiores para cobrir possíveis perdas.

Isso tende a pressionar o lucro e reduzir o retorno sobre o patrimônio.

Cumprimento das projeções

O segundo ponto é a capacidade de entregar o guidance estabelecido para 2026.

Para atingir o lucro previsto, o banco precisa equilibrar crescimento da carteira, receitas financeiras, controle de despesas e custo do crédito.

Uma deterioração adicional da inadimplência pode dificultar esse objetivo.

Qualidade do capital

O terceiro ponto é mais técnico.

O capital de um banco funciona como uma proteção contra perdas e ajuda a sustentar a operação em momentos de maior estresse financeiro.

Uma preocupação com a qualidade do capital não significa necessariamente que exista um problema imediato de solvência. A questão é avaliar se a estrutura atual oferece proteção suficiente diante de uma eventual deterioração adicional dos ativos.

O agronegócio é o principal problema do Banco do Brasil?

O agronegócio está entre os principais pontos de atenção, mas não é o único.

O Banco do Brasil possui forte exposição ao setor rural e, por isso, problemas financeiros enfrentados pelos produtores podem ter impacto relevante sobre seus resultados.

A inadimplência do agronegócio chegou a 6,27% no segundo trimestre.

Entre os fatores que pressionam o segmento estão problemas climáticos, dificuldades financeiras, queda da capacidade de pagamento de alguns produtores e aumento das renegociações.

Ao mesmo tempo, o crédito destinado às famílias também merece acompanhamento.

A inadimplência de pessoas físicas chegou a 8,41%, indicando que a pressão sobre o crédito está distribuída por diferentes segmentos da carteira.

O que pode melhorar a situação?

Uma recuperação dos indicadores de crédito seria um dos principais fatores capazes de melhorar a percepção do mercado sobre BBAS3.

No agronegócio, a renegociação de dívidas pode permitir que produtores reorganizem suas finanças e retomem os pagamentos.

Medidas governamentais também foram adotadas para facilitar a renegociação de determinadas dívidas rurais.

Segundo informações divulgadas após o balanço, o Banco do Brasil identificou até R$ 100 bilhões em créditos relacionados ao agronegócio que podem ser renegociados dentro das medidas recentes.

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A efetividade dessas iniciativas, porém, dependerá da capacidade financeira dos produtores e da recuperação das atividades no setor.

Além disso, fatores macroeconômicos continuam relevantes. Juros, emprego, renda das famílias e atividade econômica podem influenciar diretamente a capacidade de pagamento dos clientes.

O que a redução do preço-alvo significa para quem tem BBAS3?

A redução do preço-alvo não significa que o Citi esteja prevendo necessariamente uma queda da ação.

O preço-alvo é uma estimativa baseada em diferentes premissas sobre resultados futuros, riscos e valor da empresa. Quando essas premissas mudam, o valor calculado pelos analistas também pode mudar.

No caso do Banco do Brasil, a redução de R$ 21 para R$ 18 indica que o Citi passou a considerar um cenário menos favorável para a companhia.

Para quem já possui BBAS3, o mais importante é acompanhar se a deterioração da carteira de crédito será temporária ou se continuará pressionando os resultados nos próximos trimestres.

Também será necessário observar a evolução das provisões e a capacidade do banco de cumprir sua projeção de lucro para 2026.

BBAS3 ficou mais arriscada?

A resposta depende do perfil e do horizonte de cada investidor.

O Banco do Brasil continua sendo uma das maiores instituições financeiras do país, com uma carteira de crédito superior a R$ 1,3 trilhão e forte presença em diferentes segmentos da economia.

Por outro lado, os indicadores recentes mostram aumento do risco de crédito em áreas relevantes da operação.

Por isso, a recomendação neutra do Citi não deve ser interpretada como uma indicação direta de venda.

O sinal enviado pelo banco de investimento é de cautela: os riscos aumentaram e, na avaliação dos analistas, o potencial de retorno precisa ser analisado com mais cuidado.

Quando o mercado pode reavaliar BBAS3?

Uma melhora consistente dos indicadores de crédito poderia contribuir para uma mudança na percepção dos analistas.

Se a inadimplência começar a recuar, o custo do crédito diminuir e o Banco do Brasil conseguir entregar seu guidance, a pressão sobre a tese de investimento poderá diminuir.

Os próximos balanços serão fundamentais para verificar se os sinais de deterioração começam a se estabilizar.

O calendário de relações com investidores do Banco do Brasil prevê a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2026 em 11 de novembro, com apresentação pública no dia seguinte.

Até lá, o mercado deverá acompanhar principalmente a evolução das renegociações, das provisões e da qualidade da carteira.

O que o investidor deve acompanhar daqui para frente?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Quem acompanha BBAS3 deve observar uma série de indicadores, e não apenas a cotação diária da ação.

Entre os principais estão:

  • inadimplência acima de 90 dias;
  • inadimplência no agronegócio;
  • inadimplência entre pessoas físicas;
  • custo do crédito;
  • volume de provisões;
  • lucro líquido ajustado;
  • retorno sobre o patrimônio líquido;
  • evolução do capital;
  • crescimento da carteira de crédito;
  • cumprimento do guidance de 2026;
  • novas projeções de bancos e casas de análise.

A combinação desses dados oferece uma visão mais completa sobre a saúde financeira do Banco do Brasil.

Conclusão

A redução do preço-alvo de BBAS3 pelo Citi coloca novamente a qualidade do crédito no centro das preocupações dos investidores. A instituição manteve recomendação neutra, mas reduziu sua estimativa para a ação de R$ 21 para R$ 18 e também cortou as projeções de lucro para 2026 e 2027.

O principal desafio está no avanço da inadimplência, especialmente no agronegócio e entre pessoas físicas. Ao mesmo tempo, o Banco do Brasil continua apresentando capacidade relevante de geração de resultados, com lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre e carteira de crédito acima de R$ 1,3 trilhão.

Por isso, o cenário não pode ser resumido simplesmente à ideia de que BBAS3 vai cair ou que a ação está barata. A questão central para os próximos meses será entender se a deterioração da qualidade dos ativos é temporária ou se continuará afetando a rentabilidade da instituição.

Os próximos resultados, a evolução das provisões e o comportamento da inadimplência serão fundamentais para determinar se o mercado voltará a enxergar maior potencial nas ações do Banco do Brasil.

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