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Ibovespa sobe 2,8%, mesmo após alta da Selic, entenda!

O Ibovespa fechou com alta de 2,8%, mesmo após o aumento da Selic para 13,25%. Entenda os fatores que influenciaram essa alta.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Ibovespa

Na última quinta-feira (29), o Ibovespa demonstrou um desempenho surpreendente, alcançando uma alta de 2,82%, superando a marca de 126.900 pontos e renovando máximas desde meados de dezembro de 2024. Esse movimento positivo ocorreu mesmo com a recente decisão do Banco Central (BC) de aumentar a taxa Selic para 13,25%, o que, em teoria, poderia pressionar negativamente os mercados.

Mas como é possível que o mercado tenha reagido positivamente a esse cenário? Neste artigo, vamos analisar os principais fatores que influenciaram o desempenho do índice e como eles impactam os investidores.

A decisão do Banco Central e a reação do mercado

Banco Central Alerta
Imagem: Jo Galvao / shutterstock.com

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou na véspera a alta da Selic em 1 ponto percentual, elevando a taxa para 13,25%. Este movimento visa conter a inflação, mas também tem o efeito de tornar o custo do crédito mais alto, o que, em teoria, poderia desacelerar a atividade econômica e, por consequência, o mercado acionário.

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Entretanto, o mercado financeiro reagiu de forma otimista, com o Ibovespa subindo 2,82%, o que representa o maior ganho diário desde maio de 2023. Esse comportamento reflete uma interpretação de que o Banco Central está sinalizando que o ciclo de alta da taxa de juros pode estar próximo do fim, especialmente diante de sinais de desaceleração da atividade econômica doméstica.

Expectativa de fim do ciclo de alta da Selic

Embora o Copom tenha anunciado uma nova alta da Selic para março, muitos analistas acreditam que a decisão do Banco Central de não fechar o ciclo de aumentos de forma abrupta indica a possibilidade de um fim antecipado da política monetária restritiva.

Isso cria uma expectativa positiva no mercado, já que uma redução nos juros futuros pode favorecer setores mais sensíveis a crédito e aumentar o apetite por ações no mercado.

O impacto das expectativas no Ibovespa

O Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, avançou 2,82% ao fechar a 126.912,78 pontos. Este desempenho é significativo, considerando que, apesar da alta da Selic, o mercado ações se manteve otimista. A renovação das máximas de dezembro e a superação da marca de 127 mil pontos no melhor momento do dia refletem um otimismo entre os investidores.

O volume financeiro registrado foi de R$ 25,5 bilhões, um número que demonstra um crescente interesse do mercado, mesmo diante de uma política monetária mais restritiva.

Setores mais impactados pela alta da Selic

Embora o aumento da Selic tenha um impacto geral sobre a economia, alguns setores específicos reagiram de maneira mais favorável à expectativa de que o ciclo de alta possa estar chegando ao fim. Ações de varejo e imobiliárias, que são sensíveis a juros, se destacaram entre os maiores ganhos do dia.

Ações de varejo: Magazine Luiza se destaca

O Magazine Luiza (MGLU3) disparou 12,59%, sendo um dos destaques do dia. O aumento no valor das ações foi impulsionado pela expectativa de redução dos juros futuros, que beneficia o setor de consumo. O índice do setor de consumo na B3 avançou 3,01%, refletindo a confiança de que as políticas monetárias mais brandas ajudarão a melhorar o cenário econômico no Brasil.

Setor imobiliário: MRV também se beneficia

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Outro setor que se beneficiou da expectativa de queda da Selic foi o imobiliário. A MRV&CO (MRVE3) teve um ganho de 4,95%, acompanhando o movimento positivo do mercado. O índice do setor imobiliário subiu 3,94%, sinalizando um otimismo no mercado de construção civil, que tem grande sensibilidade às taxas de juros.

Mineração e petróleo: Vale e Petrobras

A Vale (VALE3) subiu 4,22%, mesmo sem a referência do minério de ferro, já que os contratos futuros de minério de ferro na China estavam em queda. Já a Petrobras (PETR4) avançou 1,33%, após divulgar boas estimativas de reservas de óleo e gás, o que impulsionou as ações da estatal.

A crise fiscal e suas implicações

Índice Ibovespa
Imagem: EDSON DE SOUZA NASCIMENTO / shutterstock.com

Outro fator que contribui para a avaliação positiva do mercado é o superávit primário de R$ 24 bilhões registrado pelo governo central em dezembro, apesar de o governo enfrentar um déficit fiscal acumulado de R$ 43 bilhões em 2024. A boa performance no fechamento de 2024 também reflete a expectativa de que o país possa cumprir a meta fiscal para 2024 de déficit primário zero.

Considerações finais

Apesar do aumento da Selic, o mercado parece otimista com a possibilidade de que o ciclo de altas esteja perto do fim, o que favorece os investimentos em ações e setores sensíveis a juros. A movimentação positiva no Ibovespa reflete não apenas a expectativa de uma política monetária mais branda, mas também um movimento de confiança no mercado financeiro, que aposta em um cenário econômico mais favorável no futuro próximo.

Com o fechamento de janeiro em alta de 5,51%, o Ibovespa demonstra força e pode continuar sendo uma boa opção para investidores de longo prazo, que devem se beneficiar de um possível alívio nas taxas de juros nos próximos meses.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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