Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Esquema revelado: Como idosos foram enganados em golpe de R$ 6 milhões com ajuda de cartórios

Golpe de R$ 6 milhões contra idosos usou cartórios como fachada. Saiba aqui como funcionava e denuncie se for vítima. Leia agora!!!

Erivelto LopesPor Erivelto Lopes6 min de leitura
Casal de idosos preocupado, ela olha para um celular e ele para um cartão de crédito

O Ministério Público de Santa Catarina revelou a existência de um esquema criminoso altamente organizado que enganou centenas de idosos em diversos estados brasileiros. A fraude, estimada em mais de R$ 6 milhões, usava o reconhecimento de firma em cartórios e a fachada de escritórios de advocacia para aplicar os golpes.

Os criminosos, que atuavam como se fossem advogados de confiança, ofereciam revisões de contratos bancários. Em vez de ajudar, induziam as vítimas a assinar documentos que transferiam seus direitos judiciais para empresas de fachada. Tudo com aparência legal, o que dificultava o reconhecimento do golpe.

vivo golpes e-mail
Imagem: Freepik

LEIA MAIS:

Uma fraude com aparência legal contra idosos 

O golpe era sofisticado, principalmente por parecer legítimo. Escritórios de advocacia com CNPJ regularizado, uso de termos jurídicos corretos e contratos com firma reconhecida em cartório tornavam as ações difíceis de serem contestadas pelas vítimas ou mesmo por instituições.

A atuação dos criminosos foi descoberta durante a Operação Entre Lobos, que desvendou como funcionava o sistema de enganação. Segundo os investigadores, a quadrilha tinha uma estrutura empresarial e jurídica aparentemente normal, mas que servia exclusivamente para fins criminosos.

Como o golpe funcionava

Captação das vítimas

O primeiro contato era feito por meio de agentes do grupo, que se aproximavam dos idosos oferecendo ajuda jurídica. Em muitos casos, os golpistas prometiam recuperar valores cobrados indevidamente por bancos ou operadoras de crédito.

Além da abordagem direta, o grupo utilizava o site IDAP (Instituto de Defesa do Aposentado e Pensionista), uma página com visual institucional e persuasivo que conquistava a confiança de aposentados em diferentes regiões do Brasil.

Assinaturas fraudulentas com firma reconhecida

Após convencer os idosos, os golpistas apresentavam contratos de cessão de crédito, supostamente para agilizar o recebimento do valor revisado. Os documentos eram levados a cartórios, onde a firma era reconhecida, conferindo aparência legítima às fraudes.

A investigação apontou que esses contratos autorizavam a transferência dos créditos judiciais para empresas como Ativa Precatórios e BrasilMais Precatórios, que existiam apenas para movimentar os valores desviados.

O prejuízo para os idosos

A fraude era cruel. Em um dos casos, um idoso tinha direito a R$ 146 mil, mas recebeu apenas R$ 2.500, o que representa 1,71% do valor total. Outro recebeu R$ 2.500 de um total de R$ 117 mil (2,12%). As vítimas, em geral, não compreendiam a dimensão do que estavam assinando.

Enquanto isso, os valores recebidos por meio de alvarás judiciais iam diretamente para o escritório do suposto líder do grupo. A quantia era, então, dividida entre os membros da organização, deixando as vítimas com uma fração ínfima do que lhes era devido.

Estrutura da organização criminosa

O grupo criminoso operava com alto nível de organização. A investigação do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) detalhou a existência de cinco núcleos com funções distintas:

Núcleo de liderança e estratégia

Era responsável pelo planejamento do esquema, controle da expansão e gerenciamento do fluxo financeiro. Seus integrantes estavam no topo da pirâmide da organização.

Núcleo operacional e financeiro

Ficava encarregado da movimentação dos valores, pagamentos simbólicos às vítimas e controle das empresas de fachada utilizadas nas fraudes.

Núcleo jurídico e administrativo

Este núcleo era o “rosto” do golpe. Advogados e assistentes jurídicos entravam com as ações em nome dos idosos, ofereciam consultorias e formalizavam contratos, sempre com aparência de legalidade.

Núcleo empresarial

Cuidava da gestão das empresas fantasmas — como a BrasilMais Precatórios — que recebiam os valores e faziam a intermediação fraudulenta entre os créditos judiciais e os golpistas.

Núcleo de captação

Responsáveis pela abordagem direta das vítimas, coleta de documentos e execução de pagamentos simbólicos. Também atuavam de forma digital, por meio de anúncios online e o site do IDAP.

O papel dos cartórios na fraude

A utilização dos cartórios foi um dos principais elementos para dar veracidade ao esquema. Os criminosos faziam com que os idosos assinassem documentos com reconhecimento de firma, o que passava confiança mesmo para aqueles que tinham alguma suspeita.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Apesar de não haver indícios de participação direta de funcionários de cartórios, o uso do serviço foi essencial para conferir aparência legal aos contratos fraudulentos.

A Operação Entre Lobos

Como foi deflagrada

A operação foi realizada em 22 de julho pelo GAECO, com apoio da Polícia Civil. Foram cumpridos:

  • 13 mandados de prisão (8 preventivas e 5 temporárias)
  • 35 mandados de busca e apreensão
  • Ações em 12 cidades de 5 estados: SC, CE, RS, BA e AL

Durante a operação, as autoridades apreenderam R$ 115 mil em espécie, 6.700 dólares e euros, sete veículos e duas armas com 60 munições.

Prisões e novas vítimas

Entre os presos com prisão preventiva, cinco eram advogados. Todos permanecem detidos. Após a divulgação da operação, outras 274 pessoas procuraram o Ministério Público, relatando suspeita de também terem sido vítimas do mesmo golpe.

Como denunciar o novo golpe contra idosos 

Pessoas que reconhecem semelhanças com o esquema ou que tenham sido lesadas por ações semelhantes devem registrar boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia mais próxima.

Também é possível denunciar por:

  • WhatsApp: (49) 99200-7462
  • E-mail: [email protected]
  • Telefone: (48) 3229-9306 ou 127 (das 9h30 às 19h)

O Ministério Público reforça que todas as denúncias serão mantidas em sigilo, e que qualquer informação pode ser decisiva para ampliar a responsabilização dos envolvidos.

INSS
Imagem: elderly/shutterstock.com

O golpe revelado pela Operação Entre Lobos é um alerta para os riscos enfrentados pelos idosos no Brasil, especialmente quando se trata de temas jurídicos complexos. A sofisticação do esquema, a presença de advogados e o uso de cartórios mostram o quanto esses crimes podem parecer legais à primeira vista.

A ação do Ministério Público e da Polícia Civil foi decisiva para desmontar a quadrilha, mas o número crescente de denúncias mostra que os prejuízos podem ser ainda maiores. Informar-se, desconfiar de ofertas tentadoras e sempre buscar orientação jurídica confiável são passos fundamentais para evitar cair em fraudes semelhantes.

Pode ser do seu interesse:

Erivelto Lopes

Autor

Erivelto Lopes

Erivelto Lopes é redator no portal Seu Crédito Digital, com forte compromisso com a verdade, responsabilidade e qualidade da informação. Atua diariamente na produção de conteúdos claros e confiáveis sobre benefícios sociais, economia e atualidades que impactam a vida do cidadão. É apaixonado por informar com agilidade, sempre buscando traduzir temas complexos de forma acessível.

Topicos relacionados