O uso de inteligência artificial para criar imagens de pratos no iFood tem despertado debates entre consumidores e especialistas em marketing. Embora a prática seja autorizada pela plataforma, ela não é totalmente incentivada, e pode, inclusive, afastar os clientes.
iFood recebe pratos criados por IA: entenda se isso é autorizado
Restaurantes no iFood já usam imagens feitas por IA, mas com limites para manter a fidelidade do cardápio.
Diante da popularização das ferramentas de IA generativa, restaurantes passaram a usar ilustrações sintéticas para compor seus cardápios no app, gerando desconfiança e curiosidade. Mas até que ponto essa prática é legal? E, mais importante: ela funciona?
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Restaurantes apostam na IA para compor cardápios

Nos últimos meses, consumidores do iFood têm se deparado com imagens de pratos visivelmente artificiais: pizzas, hambúrgueres, temakis, saladas e combos com aparência sintética começaram a surgir em diversas páginas de restaurantes. Em muitos casos, os donos de estabelecimentos recorreram a geradores de imagem com base na descrição dos pratos, utilizando as ilustrações para chamar atenção no cardápio.
As reações, no entanto, foram mistas. Nas redes sociais, algumas dessas imagens viraram piada entre os usuários — o realismo duvidoso ou a aparência genérica dos alimentos deixou consumidores desconfiados e, às vezes, com menos apetite.
O que diz o iFood sobre a prática?
Diante das polêmicas, o Tecnoblog buscou esclarecimentos junto ao iFood, que confirmou permitir o uso de imagens geradas por IA — desde que sigam critérios específicos. Em nota, a empresa afirmou:
“As imagens somente podem ser utilizadas quando representarem de forma coerente o produto que será entregue.”
Ou seja, o uso é permitido, mas precisa respeitar a fidelidade ao prato real. O iFood reforça que esse cuidado é essencial para manter a boa experiência do cliente, e que restaurantes que desrespeitam as diretrizes podem ser penalizados. Apesar disso, a plataforma não detalhou quais seriam as punições.
Fotos reais ainda são mais eficazes
Embora permitidas, as imagens criadas por IA parecem não ser bem-vistas nem mesmo pela própria plataforma. Em vídeos institucionais, representantes do iFood afirmam que uma foto verdadeira transmite emoções que uma imagem artificial não consegue. Isso influencia diretamente na taxa de cliques e conversões — ou seja, vender mais depende, em parte, da autenticidade visual.
O iFood inclusive oferece um curso gratuito com fotógrafa profissional, ensinando empreendedores a capturar boas imagens dos seus pratos com o próprio celular. Isso mostra que a plataforma reconhece a importância de fotos reais para o sucesso no app.
Profissionais do marketing também questionam a IA

Agências especializadas em marketing gastronômico relatam que a substituição de fotos reais por imagens artificiais tem gerado queda nas vendas. Fraviana Moraes, especialista na área, afirma que restaurantes que usaram IA perceberam uma rejeição do público.
Um caso citado por ela envolve uma hamburgueria que, após substituir imagens geradas por computador por fotos feitas por um fotógrafo, viu o faturamento crescer mais de 60%. Outro exemplo, de um restaurante de hot dogs, mostra que o retorno do investimento em fotos reais está em andamento, com resultados promissores.
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Para Fraviana, o chamado “real food” é um movimento em ascensão — e vai na contramão das imagens manipuladas. “Foto artificial não gera desejo”, declarou a proprietária de um restaurante atendido pela especialista.
Riscos de frustração e denúncias
Ao se deparar com imagens exageradamente artificiais ou que não condizem com o prato entregue, o consumidor pode acionar o próprio iFood para relatar a inconsistência. A plataforma conta com canais internos para receber esse tipo de denúncia, e avalia os casos de forma individual.
Isso se deve ao risco de frustração, que pode prejudicar a reputação do restaurante e da plataforma. Afinal, a expectativa gerada por uma imagem precisa ser compatível com o que o cliente vai receber em casa.
IA na gastronomia: avanço ou retrocesso?
O debate sobre o uso de IA em cardápios vai além da estética. Envolve confiança, autenticidade e a experiência do consumidor. Se por um lado a tecnologia facilita a criação de imagens para pequenos empreendedores que não têm estrutura para contratar fotógrafos, por outro, ela pode prejudicar a credibilidade do produto, principalmente se usada de forma irresponsável.
A IA pode até ter seu espaço no marketing gastronômico, mas o consumidor moderno valoriza a transparência. E quando se trata de comida, o visual precisa ser, antes de tudo, verdadeiro.
Com informações de: Tecnoblog
