Em um cenário urbano onde o trânsito intenso e os riscos constantes fazem parte da rotina de milhares de motociclistas, entregadores por aplicativo têm se tornado personagens centrais — tanto nas ruas quanto nas estatísticas de acidentes. Ciente dessa realidade, o Ministério da Saúde, em parceria com o iFood, promoveu na quarta-feira (29) uma capacitação voltada a 100 entregadores, com foco em primeiros socorros e prevenção de acidentes de trânsito.
Ministério da Saúde fecha parceria inédita com o iFood
Ministério da Saúde e iFood capacitam 100 entregadores em SP com foco em primeiros socorros e prevenção de acidentes.
A ação ocorreu na Universidade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, e contou com a presença de agentes da Força Nacional do SUS, responsáveis pela parte técnica do treinamento. A iniciativa faz parte do Programa Anjos de Capacete, criado pelo iFood para oferecer formação gratuita a seus entregadores desde 2020.
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Objetivo da capacitação: salvar vidas e prevenir acidentes
Simulações e treinamento prático
Durante a capacitação, os participantes — homens e mulheres que atuam como entregadores em São Paulo — participaram de simulações reais de acidentes com motocicletas, uma das principais ocorrências no trânsito das grandes cidades. Além das instruções sobre atendimento de emergência, também foram abordados temas como:
- Identificação de fraturas e hemorragias;
- Atuação em paradas cardiorrespiratórias;
- Manuseio seguro de vítimas em via pública;
- Medidas de proteção individual e coletiva no trânsito.
Ao final do treinamento, cada participante recebeu capacetes novos, jaquetas de segurança, kits de primeiros socorros e um certificado com validade de dois anos.
Declaração do Ministro da Saúde
O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a relevância da iniciativa:
“Este é um grande dia de capacitação e qualificação dos nossos trabalhadores e trabalhadoras por aplicativo, a partir dessa parceria do Ministério da Saúde com o iFood. Após essa capacitação com a Força Nacional do SUS, vocês estarão ainda mais preparados para agir em situações de emergências e prestar os primeiros socorros.”
Em nota oficial, a pasta ressaltou que o treinamento representa um avanço na promoção da segurança e no fortalecimento da resposta rápida a emergências urbanas.
Programa Anjos de Capacete: uma iniciativa que cresce
Histórico do projeto
O Anjos de Capacete foi lançado em 2020, no primeiro ano da pandemia de covid-19, como uma resposta à crescente exposição dos entregadores a acidentes, especialmente durante os momentos de maior restrição de mobilidade da população.
A proposta do programa é simples e efetiva: capacitar motociclistas em primeiros socorros e segurança no trânsito, ampliando a capacidade de resposta desses profissionais em caso de emergência.
Desde então, 670 entregadores foram treinados em várias regiões do Brasil, e o programa passou a integrar a estratégia social da plataforma de delivery.
Cooperação com o Ministério da Saúde
A cooperação com o Ministério da Saúde foi firmada em agosto de 2025, com a inclusão da Força Nacional do SUS como parceiro técnico. Segundo o CEO do iFood, Diego Barreto:
“Contar com a colaboração do Ministério da Saúde e da Universidade Zumbi dos Palmares nessa empreitada é um passo muito importante para promover a segurança viária em todo o Brasil.”
A expectativa da empresa é que o projeto se expanda para outras capitais e regiões metropolitanas nos próximos meses.
Acidentes com motociclistas: um problema crescente

Dados alarmantes em hospitais
Uma pesquisa realizada em 100 hospitais brasileiros pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), em parceria com o Instituto Informa, revelou dados preocupantes sobre a saúde dos motociclistas no Brasil.
Perfil das vítimas
- 43,2% das vítimas têm entre 20 e 29 anos;
- A maioria é do sexo masculino;
- Os acidentes com moto são a causa mais frequente de traumas ortopédicos nos centros urbanos.
Sequelas permanentes
Entre as consequências mais graves estão:
- Lesões na coluna vertebral;
- Déficit motor irreversível;
- Dor crônica;
- Deformidades físicas;
- Amputações.
Além disso, mais de 70% dos acidentados permanecem internados por mais de uma semana após a cirurgia. Em hospitais que monitoram reinternações, os índices variam entre 10% e 30%, evidenciando a gravidade e recorrência dos traumas.
Impacto socioeconômico
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A ocorrência de acidentes impacta não apenas a saúde dos trabalhadores, mas também suas condições financeiras e qualidade de vida. Muitos motociclistas acidentados não possuem seguro, não têm acesso contínuo a reabilitação, e enfrentam dificuldades para retornar ao trabalho, gerando um ciclo de vulnerabilidade.
Programas como o Anjos de Capacete, portanto, além de preparar os entregadores para evitar acidentes, também têm potencial de reduzir os custos para o sistema público de saúde.
A importância da educação no trânsito
Formar multiplicadores
Um dos objetivos do treinamento é transformar os entregadores em agentes multiplicadores de boas práticas no trânsito. Ao conscientizar esses profissionais — que passam horas diariamente nas ruas — sobre a importância do uso adequado de EPIs, respeito à sinalização e condução defensiva, espera-se reduzir o número de acidentes com envolvimento de motos.
Trânsito mais humano
Capacitar entregadores também é um passo rumo à humanização do trânsito brasileiro, que registra mais de 30 mil mortes por ano em decorrência de acidentes. A inclusão desses profissionais nas políticas públicas de segurança viária representa um avanço na integração entre políticas sociais, saúde e mobilidade urbana.
Expectativas para o futuro

Expansão nacional
O sucesso da capacitação realizada em São Paulo sinaliza que o programa pode se tornar nacional. O Ministério da Saúde já estuda replicar a ação em capitais como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife ainda em 2025.
Capacitação contínua
Outro plano é estabelecer centros regionais de capacitação permanente, com apoio das secretarias municipais de saúde e trânsito, além de envolver as próprias plataformas de entrega como corresponsáveis na promoção da segurança.
Integração com políticas públicas
A parceria também poderá servir como base para novos projetos de lei que tratem da profissionalização dos entregadores e sua inclusão em políticas públicas de saúde e segurança ocupacional.
Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil
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