Na última terça-feira (29), o iFood divulgou um pacote de alterações em sua política voltada aos entregadores parceiros. As mudanças foram anunciadas após a mobilização nacional promovida pelo movimento Breque dos Apps, que realizou uma paralisação em diversas cidades nos dias 31/03 e 01/04.
iFood reajusta taxa mínima após paralisação dos entregadores
Após protestos do Breque dos Apps, iFood anuncia aumento nas taxas mínimas de entrega, ampliação de seguro e novas regras.
Entre as alterações estão o aumento nas taxas mínimas por entrega, ampliação do seguro pessoal gratuito e padronização das rotas para entregadores de bicicleta.
As novas condições passam a valer a partir de 1º de junho de 2025 e foram divulgadas por meio de nota oficial da empresa. As medidas, no entanto, contemplam apenas parte das demandas feitas pelos entregadores.
Reajuste nas taxas mínimas: veja os novos valores

Aumento de até 15,4% para entregadores motorizados
O principal anúncio do iFood foi o reajuste das taxas mínimas por entrega. A plataforma, que anteriormente pagava o mínimo de R$ 6,50 por corrida, estabeleceu novos valores com base no modal utilizado:
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Entregadores de bicicleta:
- Antes: R$ 6,50
- Agora: R$ 7,00
- Reajuste: 7,7%
Entregadores de moto e carro:
- Antes: R$ 6,50
- Agora: R$ 7,50
- Reajuste: 15,4%
Segundo a empresa, o reajuste foi calculado considerando o aumento da inflação, os custos de deslocamento e o feedback recebido nas reuniões com representantes dos trabalhadores.
Rotas para bicicletas terão limite de 4 km
Padronização atende parcialmente às reivindicações
Outra mudança importante envolve a padronização das rotas de entregadores de bicicleta, que agora passam a ter um limite geral de até 4 quilômetros por entrega.
Contudo, em “casos pontuais”, a distância poderá ser superior, “devido a particularidades regionais”, como disponibilidade de restaurantes e alta demanda em regiões específicas.
O movimento dos entregadores pedia a limitação em até 3 km, mas o novo teto fixado pelo iFood ficou acima da solicitação.
Seguro pessoal gratuito também foi ampliado
Cobertura diária por incapacidade temporária aumenta para 30 dias
Desde 2019, o iFood oferece um seguro pessoal gratuito aos entregadores parceiros. Com as novas medidas, a plataforma ampliou a cobertura, um dos pontos mais elogiados nas mudanças recentes.
Veja o que mudou no seguro:
- Cobertura por Incapacidade Temporária:
- Antes: até 7 dias
- Agora: até 30 dias
- Indenização em caso de morte ou invalidez:
- Antes: R$ 100 mil
- Agora: R$ 120 mil
A empresa destacou que o objetivo do aprimoramento é garantir mais segurança financeira aos trabalhadores, sobretudo em casos de acidentes ou impossibilidade de trabalho.
Reivindicações
Reajustes ficaram abaixo das demandas dos entregadores
O movimento Breque Nacional dos Apps, que coordenou paralisações em diversas cidades brasileiras, reivindicava melhorias significativas nas condições de trabalho. Confira as principais demandas e como foram atendidas:
| Reivindicação | Situação após mudanças do iFood |
|---|---|
| Taxa mínima de R$ 10 | Parcialmente atendida (R$ 7,00 e R$ 7,50) |
| Rotas de bike de até 3 km | Parcialmente atendida (limite de 4 km) |
| Valor por km: R$ 2,50 | Não atendida |
| Ampliação do seguro | Atendida |
Repercussão entre os entregadores
Categorias divididas sobre impacto das medidas
As reações entre os entregadores foram mistas. Alguns profissionais que atuam de bicicleta comemoraram o reajuste e a padronização das rotas, mas apontaram que o limite de 4 km ainda pode ser desgastante em regiões com infraestrutura precária.
Entregadores motorizados criticaram o fato de o valor por quilômetro não ter sido reajustado, o que, segundo eles, compromete os ganhos reais, especialmente diante da alta dos combustíveis e do custo de manutenção dos veículos.
O que diz o iFood
Empresa afirma que mudanças fazem parte de evolução contínua
Em nota, o iFood afirmou que as mudanças representam um avanço no compromisso com os entregadores e que seguirá ouvindo os trabalhadores para aprimorar suas condições de trabalho.
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Contexto: crescimento da pressão por direitos no setor
Entregadores cobram reconhecimento e proteção social
Nos últimos anos, a mobilização dos entregadores de aplicativos cresceu em todo o país. Com a informalidade predominante no setor, trabalhadores vêm reivindicando melhores condições de trabalho, remuneração justa e acesso a direitos básicos, como previdência, seguro e jornada razoável.
O movimento Breque dos Apps surgiu em 2020 e desde então tem promovido paralisações periódicas, pressionando empresas como iFood, Rappi e Uber Eats. As ações têm conquistado apoio da sociedade civil e colocado o debate sobre regulação dos aplicativos na agenda política.
Perspectivas futuras

Governo estuda regulamentação para proteger entregadores
Enquanto o iFood anuncia medidas parciais, o governo federal também discute propostas de regulação para o trabalho em plataformas digitais. O Grupo de Trabalho Interministerial criado em 2023 deve apresentar, ainda este ano, um marco legal para trabalhadores por aplicativos.
Entre os pontos em debate estão:
- Garantia de remuneração mínima;
- Acesso à previdência e benefícios sociais;
- Formalização parcial sem vínculo empregatício direto.
FAQ – Perguntas frequentes
Qual o novo valor mínimo pago por entrega?
- Bicicleta: R$ 7,00
- Moto/Carro: R$ 7,50
O seguro do iFood cobre o quê?
Inclui indenização por morte ou invalidez (R$ 120 mil) e cobertura diária por incapacidade temporária (até 30 dias).
As rotas para bicicletas mudaram?
Sim, agora as entregas feitas de bicicleta têm limite de até 4 km, salvo exceções regionais.
Considerações finais
As mudanças anunciadas pelo iFood marcam um avanço no diálogo com os entregadores, mas ainda deixam lacunas importantes. O reajuste das taxas mínimas e a ampliação do seguro são passos positivos, mas estão aquém das reivindicações do Breque dos Apps. A mobilização da categoria e o debate sobre regulação continuam a pressionar o setor por transformações mais profundas.
