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iFood reajusta taxa mínima após paralisação dos entregadores

Após protestos do Breque dos Apps, iFood anuncia aumento nas taxas mínimas de entrega, ampliação de seguro e novas regras.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
iFood

Na última terça-feira (29), o iFood divulgou um pacote de alterações em sua política voltada aos entregadores parceiros. As mudanças foram anunciadas após a mobilização nacional promovida pelo movimento Breque dos Apps, que realizou uma paralisação em diversas cidades nos dias 31/03 e 01/04.

Entre as alterações estão o aumento nas taxas mínimas por entrega, ampliação do seguro pessoal gratuito e padronização das rotas para entregadores de bicicleta.

As novas condições passam a valer a partir de 1º de junho de 2025 e foram divulgadas por meio de nota oficial da empresa. As medidas, no entanto, contemplam apenas parte das demandas feitas pelos entregadores.

Reajuste nas taxas mínimas: veja os novos valores

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Imagem: Leonidas Santana/ shutterstock.com

Aumento de até 15,4% para entregadores motorizados

O principal anúncio do iFood foi o reajuste das taxas mínimas por entrega. A plataforma, que anteriormente pagava o mínimo de R$ 6,50 por corrida, estabeleceu novos valores com base no modal utilizado:

Leia mais: Uber e iFood anunciam que irão divulgar localização de devedores; entenda a medida

Entregadores de bicicleta:

  • Antes: R$ 6,50
  • Agora: R$ 7,00
  • Reajuste: 7,7%

Entregadores de moto e carro:

  • Antes: R$ 6,50
  • Agora: R$ 7,50
  • Reajuste: 15,4%

Segundo a empresa, o reajuste foi calculado considerando o aumento da inflação, os custos de deslocamento e o feedback recebido nas reuniões com representantes dos trabalhadores.

Rotas para bicicletas terão limite de 4 km

Padronização atende parcialmente às reivindicações

Outra mudança importante envolve a padronização das rotas de entregadores de bicicleta, que agora passam a ter um limite geral de até 4 quilômetros por entrega.

Contudo, em “casos pontuais”, a distância poderá ser superior, “devido a particularidades regionais”, como disponibilidade de restaurantes e alta demanda em regiões específicas.

O movimento dos entregadores pedia a limitação em até 3 km, mas o novo teto fixado pelo iFood ficou acima da solicitação.

Seguro pessoal gratuito também foi ampliado

Cobertura diária por incapacidade temporária aumenta para 30 dias

Desde 2019, o iFood oferece um seguro pessoal gratuito aos entregadores parceiros. Com as novas medidas, a plataforma ampliou a cobertura, um dos pontos mais elogiados nas mudanças recentes.

Veja o que mudou no seguro:

  • Cobertura por Incapacidade Temporária:
    • Antes: até 7 dias
    • Agora: até 30 dias
  • Indenização em caso de morte ou invalidez:
    • Antes: R$ 100 mil
    • Agora: R$ 120 mil

A empresa destacou que o objetivo do aprimoramento é garantir mais segurança financeira aos trabalhadores, sobretudo em casos de acidentes ou impossibilidade de trabalho.

Reivindicações

Reajustes ficaram abaixo das demandas dos entregadores

O movimento Breque Nacional dos Apps, que coordenou paralisações em diversas cidades brasileiras, reivindicava melhorias significativas nas condições de trabalho. Confira as principais demandas e como foram atendidas:

ReivindicaçãoSituação após mudanças do iFood
Taxa mínima de R$ 10Parcialmente atendida (R$ 7,00 e R$ 7,50)
Rotas de bike de até 3 kmParcialmente atendida (limite de 4 km)
Valor por km: R$ 2,50Não atendida
Ampliação do seguroAtendida

Repercussão entre os entregadores

Categorias divididas sobre impacto das medidas

As reações entre os entregadores foram mistas. Alguns profissionais que atuam de bicicleta comemoraram o reajuste e a padronização das rotas, mas apontaram que o limite de 4 km ainda pode ser desgastante em regiões com infraestrutura precária.

Entregadores motorizados criticaram o fato de o valor por quilômetro não ter sido reajustado, o que, segundo eles, compromete os ganhos reais, especialmente diante da alta dos combustíveis e do custo de manutenção dos veículos.

O que diz o iFood

Empresa afirma que mudanças fazem parte de evolução contínua

Em nota, o iFood afirmou que as mudanças representam um avanço no compromisso com os entregadores e que seguirá ouvindo os trabalhadores para aprimorar suas condições de trabalho.

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Contexto: crescimento da pressão por direitos no setor

Entregadores cobram reconhecimento e proteção social

Nos últimos anos, a mobilização dos entregadores de aplicativos cresceu em todo o país. Com a informalidade predominante no setor, trabalhadores vêm reivindicando melhores condições de trabalho, remuneração justa e acesso a direitos básicos, como previdência, seguro e jornada razoável.

O movimento Breque dos Apps surgiu em 2020 e desde então tem promovido paralisações periódicas, pressionando empresas como iFood, Rappi e Uber Eats. As ações têm conquistado apoio da sociedade civil e colocado o debate sobre regulação dos aplicativos na agenda política.

Perspectivas futuras

iFood
Imagem: casa.da.photo/Shutterstock.com

Governo estuda regulamentação para proteger entregadores

Enquanto o iFood anuncia medidas parciais, o governo federal também discute propostas de regulação para o trabalho em plataformas digitais. O Grupo de Trabalho Interministerial criado em 2023 deve apresentar, ainda este ano, um marco legal para trabalhadores por aplicativos.

Entre os pontos em debate estão:

  • Garantia de remuneração mínima;
  • Acesso à previdência e benefícios sociais;
  • Formalização parcial sem vínculo empregatício direto.

FAQ – Perguntas frequentes

Qual o novo valor mínimo pago por entrega?

  • Bicicleta: R$ 7,00
  • Moto/Carro: R$ 7,50

O seguro do iFood cobre o quê?

Inclui indenização por morte ou invalidez (R$ 120 mil) e cobertura diária por incapacidade temporária (até 30 dias).

As rotas para bicicletas mudaram?

Sim, agora as entregas feitas de bicicleta têm limite de até 4 km, salvo exceções regionais.

Considerações finais

As mudanças anunciadas pelo iFood marcam um avanço no diálogo com os entregadores, mas ainda deixam lacunas importantes. O reajuste das taxas mínimas e a ampliação do seguro são passos positivos, mas estão aquém das reivindicações do Breque dos Apps. A mobilização da categoria e o debate sobre regulação continuam a pressionar o setor por transformações mais profundas.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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