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Cobrança de taxas para antecipar aposentadoria é ilegal, alerta conselheiro em reunião com Lupi

Conselheiro do CNPS denuncia cobrança indevida de taxas por bancos na antecipação de aposentadorias. Ministro Lupi promete apurar.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
aposentadoria

A reunião do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), realizada nesta segunda-feira (28), foi marcada por uma denúncia grave: instituições financeiras estariam cobrando ilegalmente taxas para antecipar parte dos pagamentos de aposentadorias de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O alerta veio do conselheiro Ivo Esteves Alonso Mósca, representante da Confederação Nacional das Instituições Financeiras, que propôs a suspensão da modalidade até que haja regulamentação clara.

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Entenda a antecipação de aposentadoria

INSS aposentadoria programada
Imagem: Brenda Rocha – Blossom / Shutterstock.com

Desde novembro de 2023, o INSS permite que aposentados e pensionistas solicitem a antecipação de parte do valor de seu benefício referente ao mês seguinte. A medida foi criada com o objetivo de oferecer mais flexibilidade financeira aos segurados, sobretudo em momentos emergenciais.

A lógica é simples: o segurado solicita a antecipação de uma parcela, que é automaticamente descontada da folha de pagamento do mês subsequente. O valor pode ser antecipado novamente uma vez que o anterior esteja quitado. No entanto, conforme estabelecido pela própria norma do INSS, essa operação não pode envolver a cobrança de juros ou taxas adicionais.

Cobrança de taxa contraria norma do INSS

Apesar da regra clara, o conselheiro Ivo Mósca relatou que alguns bancos estão aplicando taxas para realizar a antecipação, o que viola os princípios estabelecidos pelo INSS. Segundo ele, a prática compromete os direitos dos segurados e representa uma distorção do objetivo da medida.

“Não se pode permitir que o aposentado, que já tem uma renda limitada, seja ainda mais penalizado por cobranças indevidas. Estamos lidando com uma população vulnerável, e qualquer abuso precisa ser coibido imediatamente”, afirmou Mósca durante a reunião.

Ministro da Previdência é cobrado a agir

O ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, ouviu atentamente a denúncia e solicitou mais informações antes de tomar providências. “É necessário avaliar com seriedade qualquer indício de ilegalidade. Vamos apurar com rigor essa situação”, declarou.

Essa não foi a única preocupação levada à mesa. A reunião foi a primeira após a saída de Alessandro Stefanutto da presidência do INSS, ocorrida na semana passada após operação da Polícia Federal que revelou fraudes bilionárias na autarquia.

Fraudes no INSS: um escândalo que se agrava

A investigação conduzida pela Polícia Federal revelou que diversas entidades vinham realizando descontos indevidos na folha de pagamento de aposentados e pensionistas, sem a devida autorização dos beneficiários. A prática, considerada criminosa, levava muitos segurados a enfrentarem dificuldades financeiras sem sequer saber a origem dos descontos.

As suspeitas recaem sobre convênios firmados entre o INSS e entidades representativas, como sindicatos e associações, que supostamente teriam facilitado a execução dos descontos sem consentimento expresso dos aposentados.

No último sábado (26), o Jornal Nacional exibiu reportagem exclusiva revelando que o ministro Carlos Lupi já havia sido informado sobre essas fraudes desde 2023, mas só teria tomado medidas efetivas quase um ano depois.

Medida sob suspeita: antecipação salarial pode ser suspensa

descontos inss
Imagem: Divulgação: Gov/INSS

Diante da denúncia da cobrança de taxas ilegais, Ivo Mósca propôs que o Ministério da Previdência suspenda temporariamente a modalidade de antecipação do benefício até que haja regulamentação específica e mecanismos mais claros de fiscalização.

Para o conselheiro, a ausência de regras detalhadas abre brechas para práticas abusivas por parte das instituições financeiras. A sugestão será encaminhada formalmente ao ministério nos próximos dias.

CNPS cobra maior fiscalização e transparência

O clima da reunião do CNPS foi de cobrança por mais transparência e fiscalização nos serviços oferecidos aos aposentados e pensionistas. Representantes de centrais sindicais e entidades da sociedade civil reforçaram que o sistema previdenciário precisa ser mais protegido contra fraudes e abusos.

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“O Brasil precisa valorizar quem já contribuiu durante anos para a Previdência. Não podemos permitir que o sistema continue sendo usado para lesar justamente quem mais precisa dele”, destacou um representante da sociedade civil no conselho.

O que pode mudar para o aposentado?

Se as denúncias forem confirmadas, o Ministério da Previdência poderá determinar:

  • A suspensão temporária da antecipação do benefício até a regulamentação definitiva;
  • A proibição formal de cobrança de qualquer taxa administrativa na operação;
  • A aplicação de penalidades aos bancos envolvidos em práticas abusivas;
  • A criação de um sistema mais transparente e acessível para que o segurado possa acompanhar as operações feitas em seu nome.

Enquanto isso, aposentados e pensionistas devem redobrar a atenção. Caso identifiquem cobranças indevidas ou qualquer tipo de taxa associada à antecipação do benefício, é recomendável:

  • Registrar reclamação na ouvidoria do INSS;
  • Notificar o Banco Central, caso a cobrança parta de instituições financeiras;
  • Buscar orientação junto ao Procon ou Defensoria Pública.

Conclusão: uma brecha que expõe os mais vulneráveis

A denúncia apresentada no CNPS escancara uma falha crítica no sistema previdenciário brasileiro. A antecipação do benefício foi criada para facilitar a vida dos aposentados, não para gerar lucro indevido a bancos ou outras entidades. A cobrança de taxas sobre uma operação que deveria ser gratuita fere diretamente o propósito da medida e agrava ainda mais a vulnerabilidade financeira dos segurados.

A resposta do Ministério da Previdência, especialmente após os escândalos recentes envolvendo fraudes no INSS, será decisiva para restabelecer a confiança no sistema e garantir que os direitos dos aposentados e pensionistas sejam respeitados.

Imagem: Freepik e Canva

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Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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