Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Inadimplência cresce no Brasil e atinge maior patamar nos últimos anos

A inadimplência no Brasil alcançou o maior nível em quase oito anos, enquanto o crédito mostra sinais de desaceleração. Veja dados do Banco Central.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
inadimplência

O mercado de crédito brasileiro atravessa um momento delicado. Em julho de 2025, a inadimplência atingiu o maior patamar em quase oito anos, enquanto o ritmo de concessão de empréstimos e financiamentos desacelerou, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC).

O estoque total de crédito no país chegou a R$ 6,716 trilhões, representando um crescimento de apenas 0,4% em relação a junho. Apesar do avanço, os números mostram um cenário de alerta para famílias, empresas e instituições financeiras, que enfrentam uma combinação de crédito mais caro, maior risco de calote e atividade econômica moderada.

Leia mais:

Mudanças da Anatel afetam reajustes e cortes por inadimplência


Inadimplência em alta histórica

Inadimplência brasileiros
Imagem: Towfiqu barbhuiya / Unsplash

Recorde desde 2017

No segmento de recursos livres — no qual as condições de empréstimos são negociadas diretamente entre bancos e clientes, sem interferência do governo — a inadimplência chegou a 5,2% em julho, contra 5,0% em junho. O indicador alcançou o maior nível desde novembro de 2017.

No acumulado do ano, a alta já é de 1,1 ponto percentual, um movimento que acende o sinal vermelho sobre a saúde financeira das famílias e a qualidade dos ativos dos bancos.

Mudanças regulatórias influenciaram o indicador

O BC informou que parte da elevação se deve a ajustes regulatórios, que tornaram a medição mais precisa. Ainda assim, mesmo desconsiderando essa alteração, o Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) destacou em ata recente que houve crescimento real nos ativos problemáticos.

Impacto nas famílias

Com o endividamento das famílias próximo de 50% da renda disponível e o peso do cartão de crédito como principal modalidade de dívida, a inadimplência reflete a dificuldade de consumidores em lidar com juros elevados e custos crescentes.


Crédito dá sinais de desaceleração

Estoque cresce, mas ritmo cai

Apesar do estoque de crédito ter atingido R$ 6,716 trilhões, o ritmo anual de expansão perdeu força:

  • Em junho, o aumento havia sido de 10,8%;
  • Em julho, caiu para 10,7%.

O recuo pode parecer pequeno, mas sinaliza uma tendência de moderação nas concessões.

Condições financeiras restritivas

O Banco Central aponta que a desaceleração é reflexo de dois fatores:

  • Atividade econômica moderada, com crescimento baixo do PIB;
  • Condições financeiras mais restritivas, com juros elevados.

Avanço de modalidades direcionadas

As concessões de crédito cresceram 1,2% em julho, puxadas por financiamentos com recursos direcionados, que subiram 7,4%. Esse tipo de crédito, geralmente voltado a habitação e agricultura, tem condições subsidiadas e maior regulação governamental.


Taxa Selic e juros mantêm crédito caro

Selic em 15% ao ano

A política monetária segue em posição contracionista. A taxa Selic permanece em 15% ao ano, com o objetivo de conter a inflação, mas elevando o custo do crédito para famílias e empresas.

Juros médios

Nos empréstimos de recursos livres, os juros médios chegaram a 45,4% ao ano, ainda que tenham registrado leve queda de 0,1 ponto percentual em relação a junho.

Spread bancário

O spread bancário — diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetivamente cobrada do cliente — caiu de 31,7 para 31,6 pontos percentuais. Apesar da redução, o patamar segue entre os mais altos do mundo.


Cartão de crédito: vilão do endividamento

Crescente dependência

O cartão de crédito continua sendo o principal meio de endividamento das famílias brasileiras. Seu uso descontrolado, aliado a juros rotativos que ultrapassam 400% ao ano, contribui fortemente para o aumento da inadimplência.

Perfil das dívidas em atraso

Segundo especialistas, grande parte dos calotes ocorre em:

  • cartão de crédito rotativo;
  • empréstimos pessoais;
  • financiamentos de veículos.

Essa composição mostra como o consumo imediato, impulsionado por crédito fácil, se transformou em um peso difícil de administrar para milhões de brasileiros.


Impactos da alta inadimplência

Para consumidores

  • Nome negativado em cadastros de proteção ao crédito (SPC e Serasa);
  • Dificuldade para obter novos empréstimos;
  • Comprometimento da renda familiar.

Para bancos e instituições financeiras

  • Aumento do risco de crédito;
  • Maior necessidade de provisões para perdas;
  • Pressão sobre a rentabilidade.

Para a economia

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google
  • Menor consumo das famílias;
  • Freio nos investimentos privados;
  • Risco de desaquecimento ainda maior da atividade econômica.

O que dizem os especialistas

Necessidade de cautela

Economistas ressaltam que o Brasil enfrenta um equilíbrio delicado: é necessário conter a inflação, mas sem sufocar o crédito a ponto de agravar a recessão.

Projeções para os próximos meses

  • Inadimplência pode seguir elevada enquanto os juros permanecerem altos;
  • Crédito deve continuar desacelerando, especialmente no setor de recursos livres;
  • Fintechs e bancos digitais devem ganhar espaço, oferecendo alternativas de crédito mais baratas, ainda que sob maior risco.

Como consumidores podem se proteger

É permitido fazer concurso público estando com nome sujo? Entenda nome
Imagem: Kmpzzz / shutterstock.com

1. Organizar as finanças pessoais

Criar um orçamento mensal, priorizando despesas essenciais e evitando gastos supérfluos.

2. Evitar crédito caro

Sempre que possível, fugir de modalidades com juros muito altos, como cartão rotativo e cheque especial.

3. Negociar dívidas

Buscar renegociações com bancos e aproveitar feirões de renegociação de dívidas pode ajudar a recuperar o controle financeiro.

4. Construir reserva de emergência

Ter um fundo de segurança reduz a necessidade de recorrer a empréstimos em momentos de crise.


Comparação internacional

O nível de inadimplência no Brasil, mesmo elevado, ainda é considerado baixo em comparação a crises passadas. Em 2016, por exemplo, o índice ultrapassou 6,5%. No entanto, os juros altos e o endividamento elevado deixam o país mais vulnerável a choques econômicos.


Considerações finais

O Brasil vive um momento de alerta no mercado de crédito. A inadimplência em nível recorde e a desaceleração das concessões refletem a pressão de juros elevados e a fragilidade da renda das famílias.

Se por um lado a política monetária busca conter a inflação, por outro, impõe desafios ao crescimento econômico e à estabilidade do sistema financeiro.

A tendência para os próximos meses é de cautela, tanto para consumidores quanto para instituições financeiras. Enquanto isso, a recomendação é clara: evitar o endividamento excessivo, priorizar o pagamento de dívidas e buscar alternativas mais sustentáveis de crédito.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

Topicos relacionados