O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Índia demonstrou disposição em eliminar tarifas sobre produtos americanos como parte das conversas em andamento entre os dois países. A declaração foi dada na quinta-feira (15), durante uma viagem ao Catar, e marca um novo estágio nas negociações comerciais bilaterais entre Washington e Nova Délhi.
Trump revela oferta da Índia para zerar tarifas e critica práticas da Apple
Índia oferece eliminar tarifas sobre bens dos EUA, segundo Trump. Países discutem acordo comercial enquanto Apple amplia produção na Índia.
Segundo Trump, a Índia teria oferecido “um acordo em que basicamente estão dispostos a não nos cobrar nenhuma tarifa”. A fala, embora breve e sem maiores detalhes, levanta expectativas quanto à possibilidade de um tratado comercial mais amplo, algo que há anos se arrasta sem desfecho.
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Entenda o contexto das negociações

A longa trajetória de impasses
A relação comercial entre Estados Unidos e Índia tem sido marcada por desafios históricos. Washington há tempos reclama de tarifas consideradas excessivas por parte do governo indiano, principalmente sobre produtos agrícolas, eletrônicos e automóveis. Nova Délhi, por sua vez, aponta para as barreiras regulatórias impostas pelos EUA como entraves à exportação de seus produtos de tecnologia e têxteis.
As tratativas recentes
Desde a visita do vice-presidente americano JD Vance à Índia, em uma missão de aproximação comercial, ambos os governos têm buscado avanços em uma pauta comum. Fontes oficiais da Índia já haviam indicado, em março, que estavam abertas à revisão tarifária, principalmente para bens industriais e agrícolas.
O comentário de Trump reforça a percepção de que a Índia está tentando acelerar a conclusão de um acordo. No entanto, não ficou claro até que ponto as negociações estão avançadas ou se a oferta de tarifa zero já está formalizada.
Críticas de Trump à Apple e à produção indiana
A polêmica com a Apple
Durante a mesma coletiva em que comentou sobre o possível acordo com a Índia, Donald Trump criticou duramente a Apple pela decisão de ampliar sua produção fora dos Estados Unidos, com destaque para a Índia. “Não estamos interessados em sua produção na Índia, eles podem cuidar deles mesmos, estão indo bem”, disparou o republicano.
Apple e a busca por resiliência
A mudança da Apple foi amplamente vista como uma estratégia de resiliência empresarial. O CEO da companhia, Tim Cook, já havia se reunido com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, para tratar de incentivos fiscais e infraestrutura tecnológica. Espera-se que, até o fim do ano, mais de 20% da produção global de iPhones venha da Índia.
No entanto, Trump vê com maus olhos a saída de fábricas dos EUA. Durante seu mandato, ele pressionou empresas americanas a manterem empregos dentro do território nacional, inclusive ameaçando tarifas para produtos fabricados no exterior.
O que está em jogo nas negociações

Interesses mútuos entre Índia e EUA
Expansão de mercado
Para os Estados Unidos, um acordo tarifário com a Índia abriria as portas para um mercado de 1,4 bilhão de consumidores. Itens como grãos, equipamentos médicos, semicondutores e carros elétricos poderiam ganhar terreno em solo indiano.
Transferência de tecnologia e segurança estratégica
Para a Índia, o interesse em estreitar laços comerciais com os EUA vai além do comércio. Há também a busca por cooperação tecnológica e parcerias estratégicas que fortaleçam sua posição no Indo-Pacífico, principalmente frente à influência da China.
Barreiras que ainda restam
Questões regulatórias
Mesmo com a possível eliminação de tarifas, a Índia possui uma estrutura regulatória considerada complexa por investidores estrangeiros. Barreiras sanitárias, exigências locais e práticas burocráticas continuam sendo obstáculos para um acordo robusto.
Políticas protecionistas
Além disso, tanto a Índia quanto os EUA mantêm políticas protecionistas em setores sensíveis. Os EUA resistem à entrada de têxteis indianos e serviços de TI com medo de impacto no mercado de trabalho local, enquanto a Índia protege com rigor sua agricultura e sua indústria farmacêutica.
Impactos esperados caso o acordo avance
No comércio global
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A redução ou eliminação de tarifas entre Índia e EUA poderá redefinir fluxos comerciais na Ásia e na América do Norte. Outros países, como Vietnã e Indonésia, também poderão sentir os efeitos da mudança de competitividade.
No setor de tecnologia
A ampliação das fábricas da Apple na Índia pode ser o prenúncio de uma nova fase da globalização industrial. Se mais empresas seguirem esse caminho, a Índia pode se consolidar como hub tecnológico alternativo à China — com forte apoio dos EUA, apesar das críticas de Trump.
Para o Brasil e outros emergentes
Países em desenvolvimento, como o Brasil, devem observar com atenção os desdobramentos. A entrada de produtos americanos na Índia com isenção tarifária pode redirecionar investimentos, especialmente no setor agroindustrial, onde brasileiros e americanos são concorrentes diretos.
Perspectivas para os próximos meses

Trump e a campanha presidencial
A fala de Trump também pode ser vista sob a ótica eleitoral. Em ano de campanha presidencial nos EUA, acenos a acordos comerciais favoráveis e críticas a empresas que produzem fora do país são parte de sua retórica de proteção ao trabalhador americano.
Modi e a liderança regional
Para o primeiro-ministro Narendra Modi, um acordo com os EUA seria mais uma vitória em sua estratégia de posicionar a Índia como potência geopolítica e comercial. Com eleições previstas para 2026, Modi pode capitalizar politicamente sobre avanços no campo econômico.
Conclusão
O anúncio de que a Índia estaria disposta a zerar tarifas sobre produtos dos Estados Unidos sinaliza um importante movimento diplomático e comercial. Mesmo com a falta de detalhes sobre a proposta, o gesto revela a disposição de ambas as potências em reduzir barreiras e aproximar economias em um momento de tensões geopolíticas globais.
Por outro lado, as críticas de Donald Trump à Apple e à produção fora dos EUA indicam que, mesmo com avanços nos acordos, as contradições internas da política americana ainda podem dificultar uma convergência plena.
Resta saber se as promessas de isenção tarifária se concretizarão e quais serão seus efeitos práticos no cenário internacional.
