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PF aponta que direção do INSS ignorou alertas e manteve descontos indevidos em aposentadorias

Polícia Federal revela que o INSS ignorou alertas da CGU e manteve descontos indevidos em aposentadorias, causando prejuízo bilionário.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
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Em um escândalo que pode abalar a confiança de milhões de segurados da Previdência Social, a Polícia Federal revelou, por meio de relatório sigiloso, que a direção do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) manteve descontos indevidos em aposentadorias e pensões, mesmo após sucessivos alertas da Controladoria-Geral da União (CGU). A prática teria beneficiado entidades associativas e sindicatos que, entre 2019 e 2024, arrecadaram cerca de R$ 6,3 bilhões de forma questionável.

A denúncia veio à tona durante uma operação deflagrada na quarta-feira, 23 de abril, que resultou na saída do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto. Apesar de sua promessa pública, em 2024, de combater descontos irregulares nos benefícios previdenciários, o órgão teria atuado de forma contrária, segundo aponta a PF.

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PF: solução “provisória” foi usada para manter esquema

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Imagem: rafapress / Shutterstock.com

Documentos internos revelam manobra institucional para beneficiar entidades

De acordo com o relatório da Polícia Federal, o INSS, por meio do Ofício n.º 430/2024-DIRBEN-INSS, articulou com a Dataprev uma “solução transitória” que permitiu a continuidade dos descontos em folha — mesmo sem autorização expressa dos beneficiários. A medida teria sido tomada após pressão de entidades associativas e sindicatos.

O parecer da PF é categórico: “O único interesse em voga e observado pela direção do INSS foi o das entidades associativas”. Para os investigadores, isso comprova que a gestão ignorou deliberadamente alertas técnicos e jurídicos, além de reportagens jornalísticas que expuseram os casos de descontos ilegais.


CGU alertou o INSS seis vezes — e foi ignorada

Órgão de controle solicitou providências formais contra irregularidades

A CGU, responsável pelo controle interno da administração federal, emitiu pelo menos seis ofícios entre maio e julho de 2024 solicitando ações para coibir os descontos. No entanto, nenhum desses documentos recebeu resposta oficial da direção do INSS.

No ofício nº 14777/2024/GPDPB 3/DPB/SFC/CGU, datado de 19 de setembro de 2024, a Controladoria solicitava medidas concretas contra entidades que vinham realizando descontos sem repassar as informações obrigatórias ou sem comprovar autorização dos beneficiários. Ainda assim, a prática foi mantida com a anuência da alta cúpula da autarquia.


TCU e auditorias internas também foram ignorados

Tribunal de Contas da União havia exigido suspensão imediata dos descontos

Não apenas a CGU, mas também o Tribunal de Contas da União (TCU) exigiu em acórdão que os descontos fossem suspensos até que uma solução biométrica fosse adotada — medida que traria mais segurança ao processo. Ainda assim, a direção do INSS optou por seguir com uma proposta provisória baseada apenas na promessa das entidades de que estariam “em conformidade” com normas técnicas.

“Em direta violação à previsão normativa e à realidade dos fatos, a direção do INSS concretiza medida alternativa, precária e transitória”, afirma o relatório da Polícia Federal.


Como os aposentados podem verificar e denunciar descontos irregulares

Beneficiários devem consultar extratos mensais para identificar cobranças

Aposentados e pensionistas que desconfiarem de descontos irregulares podem consultar o extrato de pagamento do INSS diretamente pelo aplicativo ou site Meu INSS. O documento detalha todas as retiradas mensais, incluindo:

  • Créditos de empréstimos consignados
  • Mensalidades de associações e sindicatos
  • Outros débitos autorizados (ou não)

Qualquer valor que o beneficiário não reconheça ou que não tenha autorizado deve ser imediatamente investigado. Caso confirmado o desconto indevido, é possível solicitar a exclusão e, em alguns casos, o ressarcimento retroativo.


Passo a passo para consultar o extrato do INSS

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  1. Acesse o site meu.inss.gov.br ou o app Meu INSS;
  2. Faça login com CPF e senha cadastrada no portal Gov.br;
  3. Clique na opção “Extrato de Pagamento de Benefício”;
  4. Verifique se há algum desconto suspeito, diferente do padrão.

Caso detectado, o beneficiário deve procurar imediatamente uma agência do INSS, um advogado previdenciário ou o Procon de sua cidade.


Reação política e possível responsabilização

INSS
Imagem: Freepik e Canva

Congresso e Ministério da Previdência cobram apuração rigorosa

Após a revelação do relatório da PF, parlamentares da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados anunciaram que vão convocar ex-dirigentes do INSS para prestar esclarecimentos. O Ministério da Previdência Social, por sua vez, emitiu nota afirmando que “todas as irregularidades serão apuradas com rigor” e que medidas de correção estão sendo estudadas.

O escândalo pode também motivar ações civis e criminais contra os envolvidos. A depender das investigações, ex-gestores poderão ser responsabilizados por improbidade administrativa, prevaricação e conivência com estelionato contra idosos — um crime previsto no Estatuto do Idoso.


Fraude bilionária mancha imagem da Previdência

Escândalo revela fragilidades na proteção dos direitos dos aposentados

O caso mostra como falhas no sistema de controle interno e externalidades políticas podem colocar em risco os direitos de milhões de brasileiros que dependem do INSS. A manutenção de descontos irregulares em benefícios previdenciários não apenas fere a legislação, mas representa uma grave violação à confiança pública.

Em um cenário em que aposentados e pensionistas frequentemente enfrentam dificuldades financeiras, permitir que entidades associativas lucrem indevidamente com essas populações vulneráveis expõe uma falha estrutural que requer resposta urgente e firme do Estado brasileiro.

Imagem: Divulgação: Gov/INSS

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Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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