Apesar do crescente protagonismo da inteligência artificial (IA) no cenário global de inovação, o Brasil ainda vive um estágio de adoção modesto da tecnologia em seu setor corporativo. Dados divulgados durante o Universo TOTVS 2025, um dos maiores eventos de tecnologia empresarial do país, revelam que 50% das empresas brasileiras ainda não utilizam IA de forma estruturada, e apenas uma pequena parcela das que adotam conseguem medir o retorno estratégico de seu uso.
50% das empresas no Brasil não adotaram inteligência artificial, aponta pesquisa
Apenas metade das empresas brasileiras usa Inteligência Artificial (IA); falta de ROI e profissionais qualificados são barreiras
Esses dados integram o estudo “Panorama IA nas Empresas Brasileiras”, elaborado pela TOTVS em parceria com a H2R Insights & Trends, com base na escuta de 194 gestores de empresas de diversos portes e setores.
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Uso da IA avança, mas retorno ainda é incerto

Embora a IA esteja presente nos discursos sobre inovação e futuro dos negócios, o levantamento revelou que apenas 7% das empresas conseguem mensurar claramente o retorno sobre o investimento (ROI). A grande maioria ainda vê a tecnologia como algo experimental ou complementar, sem métricas definidas de desempenho.
“Apesar do desconhecimento de grande parte das empresas na utilização de recursos de IA, é necessário destacar aqui que ela naõ veio tomar o lugar do ser humano, mas sim aprimorar sua performance, diminuindo o tempo gastos em tarefas e aumentando a produtividade, ajudando a resolver problemas complexos em todo o sistema corporativo”, afirmou Dennis Herszkowicz, CEO da TOTVS. Segundo ele, cerca de um quarto do PIB brasileiro é gerado por empresas parceiras da TOTVS, o que evidencia o potencial da IA para impulsionar a economia nacional.
Percepções limitadas e uso restrito
Um dos fatores que limitam a disseminação da IA nas empresas é a visão ainda limitada sobre seu potencial.
Muitos negócios restringem o uso da tecnologia ao universo da IA generativa, como geração de textos ou imagens, ignorando aplicações mais consolidadas, como modelos preditivos e sistemas de machine learning.
Adoção da IA ainda está nos primeiros passos
Mesmo entre as empresas que já iniciaram a jornada da IA, o nível de maturidade ainda é baixo. O estudo revela que:
- 58% estão em estágio inicial, com implementações pontuais;
- 34% estão em estágio intermediário;
- Apenas 8% se consideram em estágio avançado.
As aplicações mais comuns entre essas empresas incluem:
- Geração de conteúdo textual (33%)
- Criação de elementos visuais (29%)
- Cibersegurança (21%)
- Chatbots de atendimento (20%)
Além disso, 40% das empresas utilizam IA conversacional, como ChatGPT, Gemini e Claude, e 33% fazem uso de plataformas com IA integrada, que operam de forma invisível ao usuário, mas automatizam e otimizam processos internos.
Agentes de IA: o futuro da automação corporativa
O estudo também aponta para uma tendência de expansão na adoção de Agentes de IA, sistemas autônomos ou semiautônomos capazes de tomar decisões, executar tarefas complexas e se adaptar automaticamente ao contexto de negócios.
“Essas soluções representarão um novo patamar de produtividade e ambiente corporativo, ampliando capacidades humanas de forma exponencial. Em nível corporativo, nos tornaremos super-humanos graças à IA”, declarou Herszkowicz.
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Obstáculos que freiam a transformação digital

Apesar das oportunidades, o avanço da IA nas empresas brasileiras enfrenta uma série de barreiras estruturais. Apenas 20% das empresas enxergam a IA como um recurso altamente estratégico para os negócios. Para a maioria, há um desalinhamento entre as soluções tecnológicas disponíveis e os objetivos operacionais e financeiros das companhias.
Entre os principais desafios identificados no estudo estão:
- Preocupações com segurança da informação – 36%
- Falta de profissionais qualificados – 35%
- Dificuldade para medir ROI – 32%
- Resistência à mudança dentro das organizações – 24%
- Integração com sistemas legados – 23%
- Falta de apoio da liderança – 23%
Para superar esses entraves, Cristiano Nobrega defende uma abordagem estratégica, que começa com investimentos em infraestrutura de nuvem, organização de dados e sistemas de gestão atualizados, criando uma base sólida antes da adoção de soluções mais avançadas de IA.
Oportunidade para transformação estratégica
Mesmo com desafios relevantes, o estudo reforça o enorme potencial de transformação que a inteligência artificial pode oferecer ao ambiente corporativo. Empresas que conseguirem ultrapassar a fase experimental e alinhar a tecnologia aos seus objetivos estratégicos poderão ganhar produtividade, agilidade e vantagem competitiva.
A maturidade digital será, cada vez mais, um diferencial competitivo. E a inteligência artificial, quando bem implementada, tende a ser a engrenagem central dessa revolução.
Com informações de: DOL
