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Velocidade de internet no Japão permite baixar toda a Netflix em apenas 1 segundo

Pesquisadores japoneses atingem 1 petabit por segundo em internet por fibra óptica e surpreendem o mundo.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
internet japão

Já imaginou baixar todo o catálogo da Netflix ou ter acesso completo à Wikipédia em apenas um segundo? Essa realidade, que parece saída de um filme de ficção científica, está mais próxima do que nunca.

Pesquisadores do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação e Comunicação do Japão anunciaram um feito histórico: atingiram a impressionante velocidade de 1,02 petabits por segundo, equivalente a 127,5 mil Gbps, durante uma demonstração realizada em abril deste ano, na 48ª Conferência de Comunicação por Fibra Óptica, em São Francisco (EUA).

O marco japonês não só superou o recorde anterior de 50,25 mil Gbps como também dobrou a capacidade já conhecida. Esse avanço sinaliza um novo horizonte para a transmissão de dados em larga escala, essencial em tempos de explosão do consumo digital e crescente demanda por redes mais rápidas.

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Como funciona a nova tecnologia japonesa?

internet fibra ótica
Imagem: Freepik

O segredo por trás dessa velocidade estonteante está em uma nova geração de cabos de fibra óptica, capazes de transmitir dados em uma capacidade 19 vezes maior que os cabos tradicionais. Segundo os responsáveis, o grande diferencial está na forma como as fibras foram projetadas para interagir uniformemente com a luz, o que reduz a perda de sinal mesmo em longas distâncias.

Ao todo, a nova fibra combina 19 núcleos ópticos compactados em um cabo com apenas 0,127 milímetros de espessura — praticamente o mesmo diâmetro dos cabos atuais. Isso significa que é possível aproveitar a infraestrutura global já instalada, composta por mais de 1,4 milhão de quilômetros de cabos submarinos, sem a necessidade de substituí-los por um sistema completamente novo.

Avanço também no alcance

Outro desafio superado pelos cientistas japoneses foi a distância percorrida pelo sinal. Em março de 2023, a equipe já havia atingido velocidades semelhantes, mas em uma distância consideravelmente menor. Dessa vez, eles conseguiram manter o sinal de alta intensidade por 1.700 km, repetindo o processo de amplificação 21 vezes até alcançar o receptor final.

Essa evolução foi possível ao reforçar a intensidade do sinal sem perder qualidade, garantindo que grandes volumes de dados possam ser transmitidos não apenas rapidamente, mas também a longas distâncias — um requisito indispensável para redes globais.

Por que precisamos de velocidades tão altas?

Os números parecem exagerados para o usuário comum. Afinal, a maioria das conexões domésticas gira em torno de 1 Gbps — e isso já é considerado uma excelente velocidade. No entanto, o mundo caminha para um consumo de dados cada vez maior, tanto por indivíduos quanto por empresas.

A chamada Lei de Nielsen, que descreve o crescimento exponencial da velocidade média de conexão desde 1983, prevê que a taxa para usuários de ponta dobre a cada 21 meses. Ou seja, se hoje falamos em gigabits por segundo, daqui a 10 anos não será absurdo imaginar que as conexões pessoais estejam na casa das dezenas de gigabits por segundo.

Além disso, avanços como inteligência artificial, realidade aumentada, carros autônomos e o metaverso demandam cada vez mais largura de banda, e sistemas globais precisam se preparar para isso.

Quando teremos essa internet em casa?

Por mais animador que o anúncio japonês seja, essa tecnologia ainda está restrita aos laboratórios e às demonstrações técnicas. Ela ainda não foi testada de forma independente por outras equipes e não há prazo para implementação prática em larga escala.

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Os próximos passos dos pesquisadores envolvem explorar aplicações reais para a tecnologia, como sua utilização nas telecomunicações e em grandes data centers. A expectativa é que, aos poucos, essa inovação se integre aos sistemas atuais, permitindo velocidades cada vez mais altas para os usuários finais.

O impacto global do novo recorde

Celular com logo da Netflix.
Imagem: rafapress / shutterstock.com

A conquista japonesa vai além do recorde em si: ela demonstra o potencial de evolução das tecnologias ópticas para dar conta do crescimento exponencial do tráfego de dados no mundo todo. Estima-se que, nos próximos anos, o volume de dados transmitidos globalmente aumente de forma significativa, e sistemas como o apresentado no Japão serão fundamentais para evitar gargalos nas redes.

Além disso, há implicações estratégicas importantes. Países que liderarem essa corrida tecnológica terão vantagens competitivas em setores críticos, como segurança cibernética, comércio eletrônico, pesquisa científica e comunicações militares.

Um olhar para o futuro

Ainda é cedo para dizer quando as pessoas poderão navegar a 1 petabit por segundo em suas casas. Mas, como toda tecnologia revolucionária, esse é um primeiro passo para transformar possibilidades em realidade. Assim como o 4G parecia um sonho antes da década de 2010, e hoje é básico, a internet ultrarrápida pode estar mais próxima do que imaginamos.

Enquanto isso, seguimos aguardando para ver como os próximos capítulos dessa história serão escritos — com cada vez mais velocidade.

Com informações de: Revista Galileu

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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