Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

CLT não terá mais direito a 1 hora de almoço: confira!

Entenda o que diz a CLT sobre o intervalo de almoço, quais são os direitos do trabalhador, as regras da reforma trabalhista e mais!

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Seguro desemprego seguro-desemprego

O intervalo de almoço, conhecido tecnicamente como intervalo intrajornada, vai muito além de um simples costume empresarial. Trata-se de um direito trabalhista assegurado pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e seu descumprimento pode trazer sérias consequências legais para empregadores.

Com a flexibilização trazida pela Reforma Trabalhista de 2017 e o aumento do trabalho remoto após a pandemia de Covid-19, muitas dúvidas surgiram sobre como e quando o intervalo deve ser aplicado, quais são os limites legais e o que pode ser acordado entre empregador e empregado.

Este artigo esclarece de forma completa tudo o que você precisa saber sobre o assunto: desde os fundamentos legais, passando pelas regras atualizadas até os efeitos práticos para empregadores e trabalhadores em 2025.

Leia mais:

Tudo sobre o empréstimo consignado para CLT: como solicitar e quais bancos oferecem

intervalo clt
Imagem: cookie_studio / Freepik

O que diz a CLT sobre o intervalo de almoço?

De acordo com o artigo 71 da CLT, o trabalhador que cumpre jornada superior a seis horas diárias tem direito a um intervalo mínimo de uma hora e máximo de duas horas para repouso e alimentação. Esse tempo não é computado na jornada de trabalho.

Já para jornadas entre quatro e seis horas, o intervalo obrigatório é de 15 minutos. Quem trabalha até quatro horas não tem direito ao intervalo intrajornada, mas isso não exclui outras pausas eventuais para descanso.

Resumo das regras

Jornada diáriaIntervalo obrigatório
Até 4 horasSem intervalo
De 4 a 6 horas15 minutos
Mais de 6 horasDe 1 a 2 horas

O principal objetivo da norma é proteger a saúde e a segurança do trabalhador, oferecendo tempo suficiente para alimentação e descanso, independentemente do setor ou função exercida.

O que mudou com a Reforma Trabalhista?

A Reforma Trabalhista de 2017 trouxe maior flexibilidade para o intervalo de almoço, especialmente em empresas que desejam reduzir o tempo mínimo de pausa.

Segundo a nova redação do artigo 71, §3º da CLT, é possível reduzir o intervalo mínimo de 1 hora para 30 minutos, desde que:

  • Seja firmado acordo individual ou coletivo de trabalho;
  • O trabalhador cumpra jornada de 8 horas diárias;
  • A empresa ofereça refeitório com condições adequadas.

Mesmo assim, essa redução deve ser documentada, com acordo formal e registrado, e não pode ser imposta unilateralmente.

O que acontece se a empresa não concede o intervalo?

Se o empregador suprime totalmente ou reduz indevidamente o intervalo de almoço, ele pode ser responsabilizado por infração trabalhista. Nesse caso, o trabalhador tem direito ao pagamento de uma hora extra por dia de trabalho, com acréscimo mínimo de 50%, conforme o artigo 71, § 4º da CLT.

Exemplo prático

Imagine um trabalhador que deveria receber 1 hora de intervalo, mas só recebe 30 minutos sem ter assinado acordo. Ao final do mês, ele poderá cobrar 22 horas extras (considerando 22 dias úteis), com 50% de acréscimo — ou mais, se o acordo coletivo estipular adicional superior.

Intervalo de almoço também vale no home office

Homem trabalhando no home office em frente ao computador
Imagem: Jelena Zelen / shutterstock.com

Com o crescimento do trabalho remoto, muitas empresas questionaram se o intervalo ainda se aplicava no home office. A resposta é clara: sim, o intervalo de almoço continua obrigatório mesmo no trabalho à distância.

A CLT não faz distinção entre trabalho presencial ou remoto nesse aspecto. Portanto, o empregador precisa:

  • Garantir que o trabalhador tenha sua pausa registrada;
  • Orientar os colaboradores sobre o respeito ao horário de descanso;
  • Ajustar os sistemas de controle de jornada para incluir pausas obrigatórias.

Além da exigência legal, respeitar o intervalo no home office é importante para evitar a exaustão mental, que pode ser mais intensa em ambientes onde há menos separação entre vida pessoal e profissional.

Benefícios de respeitar o intervalo de almoço

Além de cumprir a legislação, oferecer um intervalo de almoço adequado é uma estratégia de gestão inteligente. Diversos estudos mostram que trabalhadores que fazem pausas regulares apresentam:

  • Menos fadiga física e mental
  • Menores índices de afastamento por estresse
  • Melhora no desempenho e foco nas tarefas
  • Ambiente mais colaborativo e saudável

A pausa permite que o trabalhador se alimente com calma, descanse e se desconecte temporariamente do ambiente de trabalho, o que favorece a recuperação física e emocional.

Riscos para empregadores que descumprem a regra

Ignorar ou negligenciar o intervalo de almoço pode trazer consequências sérias para a empresa. Além do risco de processos trabalhistas, há possibilidade de:

1. Pagamento de horas extras

Como já mencionado, a empresa será obrigada a pagar uma hora extra por dia de trabalho sem intervalo, com os devidos acréscimos.

2. Multas administrativas

A fiscalização do Ministério do Trabalho pode autuar a empresa por infração à CLT, com multas que variam conforme o número de empregados afetados.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

3. Ações coletivas

Em casos de práticas recorrentes, sindicatos ou o Ministério Público do Trabalho podem ajuizar ações coletivas, gerando danos financeiros ainda maiores.

4. Danos morais

A supressão contínua do intervalo pode ser considerada assédio organizacional ou dano moral coletivo, com possibilidade de indenizações judiciais.

5. Prejuízo à reputação

Nos dias atuais, redes sociais e sites de avaliação como o Reclame Aqui são canais onde práticas abusivas ganham visibilidade rapidamente. Isso pode afetar a imagem institucional da empresa, dificultando a atração de talentos e clientes.

Como garantir o cumprimento do intervalo intrajornada?

geração z
Imagem: Freepik

Para cumprir a legislação e proteger o próprio negócio, o empregador deve:

Criar políticas internas claras

Incluir nos manuais de conduta e regulamentos internos regras sobre o horário de almoço, sua duração e obrigatoriedade.

Controlar a jornada com responsabilidade

Utilizar sistemas digitais de ponto, integrados ao RH, que permitam registrar as pausas intrajornada com precisão.

Estimular a cultura do descanso

Promover campanhas internas e treinamentos que valorizem a pausa para almoço como parte da jornada de trabalho, e não como tempo “perdido”.

Monitorar o cumprimento, inclusive no home office

Estabelecer meios de controle e respeito ao intervalo no trabalho remoto, com orientações específicas para líderes e equipes que atuam a distância.

Imagem: Freepik e Canva

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

Topicos relacionados