Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Inflação recua no IPCA-15, mas cenário ainda exige cautela com a Selic

IPCA-15 registra deflação de 0,40% em agosto e acumula 4,24% em 12 meses. Veja o que o resultado indica para a Selic.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes··5 min de leitura
Inflação recua no IPCA-15, mas cenário ainda exige cautela com a Selic

O IPCA-15 de agosto de 2026 registrou deflação de 0,40%, resultado que surpreendeu positivamente o mercado e representa a menor variação para o mês desde 2022. Com o resultado, a prévia da inflação oficial acumulou 4,24% em 12 meses, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O número reforçou as expectativas de que o Banco Central poderá encontrar espaço para reduzir a Selic, atualmente em 14% ao ano. No entanto, a leitura do indicador exige cautela: parte importante da queda veio de fatores temporários, enquanto alguns componentes considerados mais persistentes continuam pressionados.

Isso explica por que o mercado ainda não trata o resultado como sinal definitivo de uma mudança no ciclo de juros.

Leia mais:

Brasil divulga IPCA-15 e Caged; EUA publicam inflação

Imagem: Reprodução

O que fez o IPCA-15 cair em agosto?

A deflação foi espalhada por cinco dos nove grupos pesquisados pelo IBGE. Os principais impactos negativos vieram de Habitação (-1,41%), Transportes (-1,00%) e Alimentação e bebidas (-0,57%).

O maior alívio individual veio da energia elétrica residencial, cujo preço caiu 6,25%. O movimento foi influenciado pelo Bônus de Itaipu, desconto aplicado nas contas de luz de consumidores elegíveis.

O efeito foi relevante para o índice porque a energia elétrica possui peso significativo na cesta de consumo das famílias. Entretanto, trata-se de um evento específico e temporário, o que reduz a possibilidade de repetir uma queda da mesma magnitude nos próximos meses.

Nos alimentos, a queda também foi expressiva. A alimentação no domicílio recuou 0,97%, com produtos como tomate, batata e cenoura apresentando reduções importantes de preços.

Já no grupo Transportes, a passagem aérea caiu 13,30%, enquanto os combustíveis recuaram 1,43%. Gasolina, etanol e diesel tiveram quedas no período de referência da pesquisa.

Serviços continuam sendo o principal ponto de atenção

Apesar da deflação no índice geral, alguns segmentos continuaram registrando aumentos.

Despesas pessoais avançaram 0,66%, enquanto Educação subiu 0,46% e Saúde e cuidados pessoais teve alta de 0,40%. Esses números ajudam a explicar por que economistas continuam cautelosos em relação à inflação de serviços.

A questão é importante porque serviços tendem a responder mais lentamente à política monetária. Diferentemente de preços de alimentos ou combustíveis, que podem mudar rapidamente por questões de oferta, câmbio ou mercado internacional, os serviços estão mais relacionados a salários, demanda e condições do mercado de trabalho.

Por isso, uma queda forte no IPCA-15 não significa necessariamente que a inflação estrutural esteja controlada.

Por que os núcleos importam?

Para avaliar a tendência dos preços, economistas acompanham também os chamados núcleos de inflação. Eles procuram reduzir a influência de itens mais voláteis e temporários, permitindo uma leitura mais próxima da pressão inflacionária persistente.

Esse é um dos motivos pelos quais o mercado não deve considerar apenas os -0,40% registrados pelo IPCA-15. Se os componentes subjacentes permanecerem elevados, o Banco Central poderá manter uma postura mais cautelosa.

A própria composição do resultado de agosto mostra essa diferença: energia elétrica, alimentos e passagens aéreas ajudaram fortemente a reduzir o índice, mas isso não significa que todos os preços estejam desacelerando na mesma intensidade.

IPCA-15 de agosto abre espaço para corte da Selic?

O resultado aumenta o argumento favorável a uma redução dos juros, mas não determina sozinho a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).

A Selic está em 14% ao ano, e uma eventual redução dependerá da avaliação conjunta da inflação corrente, das expectativas para os próximos anos, da atividade econômica, do mercado de trabalho e dos riscos fiscais e externos.

O mercado financeiro também acompanha o chamado Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, além dos dados de inflação cheia, núcleos e expectativas. A prévia de agosto, portanto, é apenas uma das peças utilizadas para avaliar o cenário.

A queda de 0,40% pode contribuir para melhorar as projeções de curto prazo, mas o Copom tende a observar principalmente se a desaceleração dos preços é sustentável.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

O que significa uma Selic menor para o brasileiro?

Se os cortes de juros começarem ou forem acelerados, os efeitos não aparecem imediatamente em todos os produtos financeiros.

Em geral, uma Selic menor reduz gradualmente o custo de empréstimos e financiamentos, embora as taxas cobradas pelos bancos também dependam do risco de crédito, do prazo e de outros fatores.

Para quem investe, a mudança pode diminuir a rentabilidade futura de aplicações pós-fixadas ligadas diretamente ao CDI e à Selic. Por outro lado, investimentos de maior risco podem se tornar relativamente mais atrativos conforme os juros básicos diminuem.

No consumo, uma redução consistente dos juros pode facilitar o crédito para famílias e empresas. O problema é que, se a demanda voltar a crescer rapidamente enquanto a inflação de serviços continuar elevada, o Banco Central poderá precisar interromper o ciclo de cortes.

Inflação ainda está acima da meta

inflação
Imagem: rizwana – freepik
/ Canva/ Edição: Seu Crédito Digital

O IPCA-15 acumulado em 12 meses, de 4,24%, permanece acima do centro da meta de inflação de 3%. A meta admite uma margem de tolerância, e o resultado ainda está dentro desse intervalo, mas próximo do limite superior.

Essa diferença é importante para entender a cautela do Banco Central.

Uma inflação mensal negativa é positiva para o consumidor no curto prazo, mas a autoridade monetária precisa avaliar a trajetória dos preços durante vários meses. O objetivo não é apenas produzir uma queda pontual, mas garantir que a inflação convirja de forma sustentável para a meta.

O IPCA cheio de agosto, que é o indicador oficial de inflação utilizado pelo regime de metas, será divulgado pelo IBGE em 11 de setembro.

Até lá, o mercado deve continuar avaliando dados de atividade, emprego, serviços, expectativas de inflação e os próximos indicadores de preços.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Compartilhar
Seu Crédito Digital

Descubra tudo que você tem direito

Benefícios, crédito e dinheiro esquecido: veja as ofertas e ferramentas que separamos para o seu perfil.